Capitãs das equipas na Final 4 da Taça de Portugal (da esq. para a dir.): Ana Couto (Colégio Efanor), Joana Resende (FC Porto), Thaís Saraiva (Castêlo da Maia) e Matilde Rodrigues (SC Braga)

Que comece a festa da Taça!

Albufeira recebe a partir desta sexta-feira a 'final four' da segunda prova mais importante do voleibol. FC Porto-Colégio Efanor e SC Braga-Castêlo da Maia, discutem vagas para a final feminina. Masculinos começam sábado

Albufeira vestiu-se a rigor para receber a festa do voleibol nacional com a decisão, este fim de semana, da entrega da Taça de Portugal, em masculinos e em femininos. 

Mandam as regras que as senhoras primeiro e, por isso, as quatro candidatas já estão no sul do país e treinaram-se já no pavilhão emprestado pela equipa de basquetebol do Imortal. 

Sem a presença do Sporting para defender o troféu conquistado no ano passado frente ao V. Guimarães também ausente, cabe às portistas e ao PV Colégio Efanor abrir as hostilidades, a partir das 18h00, no primeiro jogo da final-four. A fechar o dia, às 21h, é a vez do SC Braga e o Castêlo da Maia discutirem a segunda vaga para a final, que está agendada para sábado, igualmente às 21h.

FC Porto e SC Braga em estreia

As portistas entram em campo como favoritas na primeira meia-final, empurradas pela superioridade demonstrada na fase regular do campeonato, que terminaram em primeiro lugar, com apenas duas derrotas - frente ao Sporting  (0-3) e ao Leixões (1-3). 

Além disso, a ambição de conquistar a Taça de Portugal pela primeira vez alimenta por certo a equipa orientada por Miguel Coelho, que o mais perto que esteve do troféu foi em 2020, quando o AJM/FC Porto fez a festa da conquista da segunda prova mais importante do calendário.

Pela frente, porém, vai encontrar o PV Colégio Efanor, que, enquanto Porto Vólei já levou para casa a Taça por duas vezes, e que tem vindo a afirmar-se enquanto equipa, com a recente garantia de uma vaga nos quartos de final do play-off.

Quem nunca sentiu o toque da Taça foi o SC Braga, mas ninguém arrisca tirar as minhotas da equação. O segundo lugar na fase regular do Campeonato Nacional, depois de no ano passado ter vendido cara a derrota na final do play-off que valeu o título ao Benfica, são sinais claros da consistência das bracarenses que chegam a Albufeira prontas para mostrar que terão de contar com elas, empurradas igualmente pela prestação nas competições europeias. 

A equipa de João Santos surge, por isso, também como séria candidata à final no encontro frente ao Castêlo da Maia, de todas as equipa presentes aquela que mais vezes conquistou a Taça de Portugal, oito e superada apenas pelo Leixões (10), mas que tem arredada dessa luta nos últimos anos, já que passaram 22 anos desde a última época em que venceu o troféu. 

A isto é preciso somar o facto das maiatas terem ficado fora (9.º) da discussão do título, o que, por outro lado, pode ser um alento extra para a época, já que estar na final-four revela o mérito do percurso. Motivos não faltam para que comece a festa da Taça! 

Esta sexta-feira, em versão feminina, no pavilhão Municipal de Albufeira e, a partir de sábado, com a companhia de Benfica, Vitória SC, Sporting e Académica de Espinho  na mesma luta, mas no troféu masculino.

Joana Resende, capitã do FC Porto: «Esta competição tem características diferentes das do campeonato. O primeiro lugar na 1.ª fase da Liga Solverde não nos faz favoritos, mas dá motivação porque assenta no nosso trabalho e espírito coletivo, que poderá fazer a diferença. É um título que o FC Porto quer conquistar, como quer conquistar todos nas competições em que está inserido.»

Ana Couto, capitã do PV/Colégio Efanor: «Temos uma equipa muito unida e aguerrida e a nossa melhor versão vai ter de vir ao de cima para ultrapassar um adversário que já provou ser muito forte.»

Thaís Saraiva, capitão do Castêlo da Maia: «Prometemos uma verdadeira batalha. Iremos lutar até à última gota de suor para honrar o emblema que representamos.»

Matilde Rodrigues, capitã do SC Braga: «Queríamos disputar estes momentos decisivos, era um dos nossos principais objetivos desde o início da época. Vamos ter um embate super difícil que vai exigir o melhor de nós.»

FC Porto recusa favoritismo e rivais querem aproveitar

Miguel Coelho foi o primeiro dos quatro treinadores na conferência de imprensa de lançamento da final-four feminina. Mais uma vez, numa imagem rara de fair play, os quatro adversários e as respetivas capitãs sentaram-se à mesa tranquilamente e deixaram, momentaneamente, de lado, aquilo que os separa para se juntarem por aquilo que os une.

O técnico portista rejeitou o favoritismo que a maioria lhe entrega. «A nossa preparação tem visado o jogo de amanhã [sexta-feira]. Somos favoritos por vencermos a primeira fase do campeonato? Favorito será aquele que se apresentar melhor na competição. É verdade que temos boas perspectivas, mas sabemos que teremos de ser altamente competentes e respeitadores do nosso adversário, que tem atletas que colecionaram títulos nos últimos tempos», elogiou.

Logo ao lado, João David Silva, treinador do PV/Colégio Efanor ouvia com atenção antes de responder: «O que nos carateriza é o carácter deste plantel, que ultrapassou momentos de lesões e, com isso, tornou-se ainda mais resiliente e forte. É claro que temos de esperar o erro do nosso adversário, mas contamos com a irreverência das jogadoras mais jovens, com a sua energia e alegria, e com a organização e experiência das jogadoras que estão há mais tempo na modalidade para lutar pela vitória», prometeu.

Os treinador das equipas da Final 4 da Taça de Portugal feminina: Miguel Coelho (FC Porto), João Silva (PV Efanor), João Vieira (C. Maia) e João Santos (SC Braga)

Já João Santos, treinador do SC Braga, mantém um discurso algo cauteloso, mas evidentemente confiante. «É um momento pelo qual já esperávamos há algum tempo. O jogo de amanhã é algo muito importante para nós, visto que queremos fazer parte do lote de equipas que disputa estas finais com as melhores equipas de Portugal», explicou.

«Já ambicionávamos estar nesta fase da competição há algum tempo. No ano passado, a Taça não nos correu bem e, este ano, encaramos este trajeto quase como uma desforra. Queríamos estar nestes momentos, é importante para nós enquanto clube estar nestas fases finais e estamos felizes por estar aqui. O passado vale pouco e tanto nós como o nosso adversário já mostrámos que podemos vencer as equipas mais fortes», explicou.

O treinador maiato, João Pedro Vieira, sorriu e, apesar das cinco vitórias nas últimas seis jornadas da fase regular, que não evitaram a queda para a Série dos Últimos, prometeu lutar até ao último ponto, mas ciente do que o espera.

«Iremos certamente assistir a grandes espectáculos de voleibol, pois todas as equipas estarão com os níveis de ambição e determinação bem lá em cima. O nosso clube tem uma história muito rica na competição e isso para nós é uma responsabilidade boa. Estamos num momento de crescimento e a jogar bem contra as melhores equipas mas sabemos que para vencer o Braga temos de fazer o nosso melhor jogo da época, sermos perfeitos e encararmos o jogo com toda a determinação. Temos de fazer ao jogo da época. Ninguém dirá que ganhar ao sc Braga é um jogo fácil. Temos de fazer o jogo da nossa vida e por-nos à prova frente a um grande adversário!»