A seleção sub-21 de Portugal venceu a Escócia por 3-0 - Foto: IMAGO

Que bela máquina montou Freire com talento para outros voos! (crónica)

Triunfo claro de Portugal sobre a Escócia, num jogo que valeu registo histórico para Luís Freire

O registo desta seleção de sub-21 diz muito sobre a qualidade do trabalho de Luís Freire desde que assumiu o legado pesado deixado por Rui Borges, mas não conta tudo. Porque há claramente nesta equipa jogadores que vão voar mais alto e cumprir o verdadeiro desígnio de uma seleção de esperanças: alimentar a Seleção principal.

A vitória tranquila sobre a Escócia (3-0) foi construída com grande maturidade e sem sinais de qualquer tipo de euforia, apesar de a qualificação para o Europeu parecer cada vez mais apenas uma questão de tempo, fruto dos sete triunfos em sete jornadas. Mas também dos 28 golos marcados. E muito, muito ainda pelos zero golos sofridos até ao momento.

O registo que vale a Freire igualar a melhor sequência de sempre nos sub-21, que agora comparte com Rui Jorge, é indício claro da máquina que está a ser montada.

Não é novidade que há muito talento no futebol português, mas esta geração tem jogadores que não enganam. Carlos Forbs, o único já internacional AA desta equipa, mostrou frente aos escoceses que os estatutos não lhe importam nada. Foi o primeiro foco de perigo luso e responsável pelas assistências para o segundo e o terceiro golos.

E se o mais cotado não se escondeu, o mesmo se deve dizer do caçula do grupo. Poucos dias depois de fazer 18 anos e ter recebido como prenda a estreia nos sub-21, Daniel Banjaqui voltou a mostrar muita qualidade. Foi dos pés do lateral que saiu a assistência para o golo inaugural, apontado por Roger Fernandes.

Por falar no extremo do Al Ittihad, mais uma bela exibição também. Não tão esclarecido como Forbs no flanco contrário, e a desaparecer do jogo com o avançar dos minutos, mas além do golo, deixou bons apontamentos.

Mas uma das imagens de marca desta equipa é a forma como está sempre bem posicionada quando perde a bola, o que matou qualquer aspiração escocesa de criar perigo. E nisso, o trabalho de Tiago Gabriel foi exímio. Num jogo em que Portugal não teve de defender muito tempo, todas as ações do central do Lecce foram de uma qualidade inquestionável.

O central saiu de Portugal quase como desconhecido, mas ninguém pode estranhar se der o salto para junto de Roberto Martínez em breve.

E depois há a fiabilidade de João Simões e Mathias de Amorim, o primeiro mais intenso, mas ambos sempre no sítio certo. E o cérebro de Gonçalo Moreira que parece estar em todo o lado e perceber sempre o que o jogo está a pedir. E juntou à qualidade de leitura mais um golo nestes sub-21, o segundo em poucos dias.

Com tanta qualidade, só não há espaço para estragar. Nem embandeirar em arco. Mas a avaliar pela exibição frente à Escócia, além do talento há seriedade e cérebro para levar esta geração a bom porto.

Figura: Carlos Forbs
Na última pausa para as seleções o extremo do Club Brugge esteve na equipa A, pela qual se estreou, ajudando a fechar o apuramento para o Mundial. Mas ao baixar novamente aos sub-21, não mostrou qualquer complexo de inferioridade, ou tique de vedeta. Correu mais do que todos, deu o exemplo, e acabou o jogo com duas assistências e uma entrega sem fim.