Leandro Barreiro e Richard Ríos, ambos num bom momento de forma, marcaram contra o Moreirense — Foto: IMAGO
Leandro Barreiro e Richard Ríos, ambos num bom momento de forma, marcaram contra o Moreirense — Foto: IMAGO

Quatro águias a voar mais alto no Benfica — saiba porquê

Ríos, Barreiro, Prestianni e Schjelderup em grande momento de forma. Os motivos para o crescimento na época. E os números que não enganam

Leandro Barreiro e Richard Ríos abriram caminho à vitória do Benfica, sábado, sobre o Moreirense, com os dois primeiros golos da equipa, Gianluca Prestianni e Andreas Schjelderup entraram na segunda parte para, com energia, despertar a equipa que corria o risco de adormecer e contribuíram para o Benfica fechar o caixão sobre o adversário. Estão os quatro em grande momento de forma, mas nem sempre foi assim esta época.

José Mourinho dedicou, a cada um deles, atenção individual e colhe agora os frutos de trabalho sustentado.

O treinador do Benfica falou dos jovens extremos, no âmbito da justificação da irritação e protesto de Dodi Lukebakio, substituído pelo argentino aos 58 minutos.

Inteligência, técnica e coração

«O maior culpado da pouca utilização de Lukebakio é Prestianni», esclareceu, já depois de comentar a progressão do extremo argentino de 20 anos: «Se estivesse na bancada também aplaudia, tem feito um bom campeonato e um trabalho fantástico. Tem melhorado de forma incrível. Neste momento, é um jogador forte do ponto de vista tático, sabe posicionar-se defensivamente e interpretar o jogo. Depois, tem qualidades fundamentais — criatividade, técnica, coragem. Não era um jogador preparado quando cheguei e tem evoluído. É por isso que os adeptos aplaudem e gostam. A maneira como fechou o espaço interior e recuperou um passe alto que deu origem ao terceiro golo… não são todos os alas que conseguem fazê-lo. Nem todos os alas têm essa inteligência, técnica e coração para trabalhar para a equipa.»

Prestianni está mesmo a viver o melhor momento da carreira, com 38 jogos, três golos e quatro assistências. Diferença enorme para a época passada — 14 jogos, um golo e duas assistências.

Pertinho de Mourinho

Schjelderup, sem a influência de Prestianni com o Moreirense, é, neste momento, indiscutível na esquerda. Mourinho também falou do que foi preciso fazer com o extremo norueguês de 21 anos. «Eu e Schjelderup estivemos muito longe e, neste momento, não podíamos estar mais perto. O Lukebakio tem algumas vertentes de jogo pelas quais não sou apaixonado, tem de aproximar-se», partilhou Mourinho.

O internacional norueguês, que vai participar no Mundial, vive a melhor temporada no Benfica — 40 jogos, nove golos e cinco assistências. Em relação à carreira, só encontra paralelo na temporada 2023/2024, na qual, emprestado pelo Benfica ao Nordsjaelland, somou 38 presenças, dez golos e 11 assistências. Mas, esta época, afirmou-se ao mais alto nível, na Champions, na qual bisou contra o Real Madrid. Não é pouco.

Energia e intensidade

Leandro Barreiro fixou-se, com Mourinho, como médio-ofensivo, no apoio a Pavlidis. Com o Moreirense, voltou a mostrar a facilidade em chegar às zonas de finalização e está cada vez mais forte no último terço, ou seja, no momento de decisão.

O treinador tem procurado tirar partido da capacidade física, energia e intensidade do médio luxemburguês de 26 anos, não apenas na reação à perda de bola como também no momento da finalização.

Na época passada, esteve presente em 47 jogos, marcou seis golos e fez três assistências. Na atual, chegou outra vez às 47 presenças, com cinco golos e sete assistências — teve, como tal, participação em 12 golos. Isso nunca tinha acontecido na carreira. Com o Moreirense, marcou o primeiro golo e ofereceu o segundo a Richard Ríos.

Menos é mais

Richard Ríos chegou ao melhor momento de forma no final da época, mais integrado na equipa e nas ideias de Mourinho, que potenciou a explosão, capacidade de transportar jogo e potência para ultrapassar as linhas dos adversários. O treinador tem insistido com Ríos noutra ideia — simplificação do jogo porque menos é mais. Época no Benfica com 43 jogos, seis golos e seis assistências não tem paralelo. Em 2024 e 2025, pelo Palmeiras, somou, respetivamente, 49 jogos, quatro golos e cinco assistências e 36 jogos, quatro golos e quatro assistências.

Ponto de equilíbrio

Mourinho encontrou, no fundo, o ponto de equilíbrio no meio-campo. A música é outra com Fredrik Aursnes ao lado de Ríos. E com Barreiro à frente deles.