Experiente Arsénio 'pede cabeça' a Mandianj (Foto Liga Portugal)
Experiente Arsénio 'pede cabeça' a Mandianj (Foto Liga Portugal)

Quando se recebe a chave fica fácil entrar numa casa

Dois erros clamorosos da Académica ditaram que o Lourosa seja o nível líder da Liga 2

Quando se entrega a chave, a não ser que a fechadura tenha algum defeito, fica muito mais fácil alguém entrar numa casa. Este é um axioma que se aplica na perfeição ao encontro entre a Académica e o Lourosa, no qual os estudantes colocaram numa bandeja dourada a vitória — e o acesso à liderança da Liga 2 — ao conjunto liderado por António Barbosa, após dois erros clamorosos que resultaram nos golos adversários

O primeiro dos quais roçou mesmo o insólito. Grande passe de Ricardinho, desmarcação na direita de Mandiang, remate ao poste, Raul Teixeira e Kaká fazem-se à bola na tentativa de a afastar, o primeiro chuta contra o segundo e este introduz o esférico na própria baliza. Estava desfeito o nulo e toda a gente pensou que seria tempo de a Briosa partir para cima do oponente e reagir. O mais puro dos enganos. O Lourosa fechou-se e aproveitou as transições para criar sobressaltos, ficando pertíssimo de aumentar a vantagem aos 41 minutos, quando Paulité surgiu em excelente posição e, apenas com Carlos Alves pela frente, rematou rumo à camada de ozono.

Os pressupostos do jogo não se alteraram muito no segundo tempo, mas na fase final os estudantes, finalmente, começaram a carregar com maior preponderância. Ao minuto 88, num lance confuso na área visitante entre Hélder Lopes e Francisco Machado, os dois saltam à bola: esta vem da cabeça do academista e bate no braço do homem do Lourosa. Perfeitamente fortuito. No entanto, numa decisão também a roçar o bizarro, o VAR Tiago Martins chama o árbitro Flávio Duarte ao monitor.

O juiz não demora muito a decidir e solta a primeira frase: «O jogador número 52 toca a bola com o braço...» — gerando aplausos academistas nas bancadas —, mas completa: «...mas com o braço numa posição natural. Decisão final: pontapé de canto.» Balde de água gelada numa tarde de verão.

Como o futebol é como a vida e tudo muda em breves instantes, na compensação Ni Rodrigues falha uma receção de bola, Miguel Teixeira dispara e mata um jogo que já estava moribundo…

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