A vitória extraordinária de Portugal e a vitória inevitável do Sporting
A Seleção Portuguesa de basquetebol fez história, ontem, ao vencer pela primeira vez a Espanha em jogos oficiais. E fora de casa.
É certo que esta Espanha já não é a dos irmãos Gasol, de Ricky Rubio, de Rudy Fernández ou até de Sergio Lull. O seu mais conceituado jogador da atualidade é provavelmente Santi Aldama, trocado este verão dos Memphis Grizzlies para os Dallas Mavericks, que nem defrontou os linces.
Há dois anos, a Espanha não foi além do 10.º lugar nos Jogos Olímpicos (com 12 seleções na fase final). Mas na primeira fase da qualificação só tinha perdido um jogo, por dois pontos, na Geórgia, e nas cinco vitórias a mais curta tinha sido por dez.
NEEMIAS. QUETA.
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Carried Portugal on the road against Spain. 🫡 pic.twitter.com/mBcuXTYmWx
Só que os nomes não ganham jogos. Pelo menos os nomes dos países. Para Portugal, dois nomes ajudaram a fazer toda a diferença: Neemias Queta e Rúben Prey. O primeiro é titular de uma das melhores equipas da NBA, os Boston Celtics; o segundo, depois de dois anos a amargar no banco, tem prometido o lugar de titular num dos mais conceituados programas do basquetebol universitário norte-americano, St. John's.
21-y/o Ruben Prey looking like the predator out there. 🐯 #FIBAWC | #StepItUp pic.twitter.com/aU8POd0y2d
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O problema é que o basquetebol não é como o futebol. Não há um calendário internacional com pausas para seleções, não há obrigação de libertar jogadores, e Neemy e Rúben só podem jogar no verão, quando a NBA e a NCAA estão em pausa. Por isso, ainda não tinham jogado nesta qualificação, em que Portugal tinha vencido três jogos e perdido três.
Com eles dois, os linces são outra coisa. Mas mesmo com eles, mesmo com todas as circunstâncias, vencer fora a Espanha é algo extraordinário, se calhar irrepetível, porque no próximo jogo, em casa, a 26 de fevereiro, nem Neemias Queta nem Rúben Prey vão estar disponíveis.
O grande desafio do Sporting
Se a vitória de Portugal foi um acontecimento, a do Sporting frente ao Rio Ave, em Vila do Conde, a abrir a quarta jornada da Liga de futebol, dificilmente seria menos surpreendente.
É certo que, tal como aconteceu com os linces, as circunstâncias ajudaram o leão, a começar pelo golo de Flávio Gonçalves logo a abrir. Antes da meia hora a vitória estava garantida, aos 37' a goleada estava fechada. Mas ficou a sensação de que seria apenas uma questão de quando, não de se.
A diferença entre os candidatos ao título e o resto é cada vez maior, mesmo considerando os empates (claramente acidentais) de Sporting e Benfica logo a abrir o campeonato. Possivelmente, a Liga será decidida nos jogos entre eles, como já foi de certa forma no ano passado, pelo menos entre os dois primeiros, depois de o Sporting perder 14 pontos (em 18 possíveis) nos jogos com FC Porto, Benfica e SC Braga (nos restantes perdeu 6 pontos em 84).
Os muitos empates do Benfica tiraram-no da corrida e o FC Porto não facilitou (mesmo não tendo conseguido ganhar às águias). Mas mais do que a mudança de treinador na Luz, e os primeiros sinais de Marco Silva são muito positivos, há uma alteração de cenário que pode ser decisiva: desta vez é o FC Porto que está na Champions e o Benfica na Europa League.
E olhando para o sorteio de ontem da segunda competição europeia, os encarnados parecem ter um calendário suficientemente acessível na fase de liga para fazerem o que o dragão fez há um ano: pouparem na UEFA e acelerarem no campeonato. Se o fizerem, estarão provavelmente mais perto do título.