Cristiano Ronaldo, com a camisola 21, de Diogo Jota
Cristiano Ronaldo, com a camisola 21, de Diogo Jota

Num jogo que começou um ano e 28 minutos depois do acidente que vitimou Diogo Jota e André Silva, o resultado, favorável a Portugal, frente à Croácia, apresentou os números que o ex-jogador do Liverpool (que ontem inaugurou, em frente a Anfield, o memorial que evoca o ‘Forever 20’ e o irmão) usava ao serviço da Seleção Nacional: 2-1, 21. Quando a camisola 21 de Jota passou para o corpo de Ruben Neves, frente à Irlanda, foi o médio do Al Hilal a dar o triunfo a Portugal (nunca tinha marcado pela Seleção!), defendendo a baliza irlandesa Kelleher, grande amigo de Jota, que tinha estado no casamento deste com Rute Cardoso, a 22 de junho de 2025. São pormenores, curiosidades, coincidências que, sem que delas se pretenda extrair quaisquer outras ilações, merecem ser lembradas.

Quanto ao jogo, que dizer, depois do turbilhão de emoções por que passámos? A primeira ideia é de que os jogadores entraram em campo bem mais despertos que na partida contra a Colômbia, assinando uma primeira parte de boa qualidade; depois, dá vontade de dizer que houve várias seleções dentro da Seleção Nacional: aquela que foi consistente e dominadora, nos primeiros 45 minutos; uma outra que se foi apagando, permitindo a ressurreição croata, que chegou à vantagem; a que decidiu correr todos os riscos, juntando Bernardo e João Neves, Gonçalo Ramos e Ronaldo, e ainda dois alas bem abertos, que nos levou do 0-1 ao  1-1; e, finalmente, já com Ruben Neves em campo e Ramos como único ponta-de-lança, a que conseguiu ser muito mais equilibrada, como se impunha, e marcar o golo da vitória, mas não deixou de passar por um susto no 2-2 que o VAR reverteu. 

Contra a Espanha, na próxima segunda-feira, num jogo que reedita os oitavos-de-final de 2010, na África do Sul (La Roja seria campeã do Mundo, mas só derrotou Portugal com um golo em fora de jogo de David Villa), a ambição lusa deve ser temperada pela frieza de quem sabe estar a defrontar um adversário de enorme valia, a atravessar um momento de estado de graça, que não perdoa erros ou hesitações.

É, sem dúvida, o jogo que vai colocar mais problemas, no desenho do meio-campo (que influenciará a dinâmica da equipa), e na escolha de jogadores a Roberto Martinez, que esteve muito bem na leitura do jogo com os croatas, até na decisão de tirar Ronaldo (81) para dar mais coesão ao ‘miolo’, com Ruben Neves. 

* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…

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