Qualificação para Mundiais 2027 coloca recordes nacionais à prova
A World Athletics (WA) divulgou as marcas de qualificação para os Mundiais de atletismo de 2027, que se realizarão em Pequim, e a fasquia está tão elevada que nem todos os recordes nacionais portugueses seriam suficientes para garantir o apuramento direto.
O sistema de qualificação, aprovado pelo Conselho da WA, mantém o modelo misto, prevendo que 40% das vagas sejam preenchidas através de marcas mínimas e os restantes 60% através do ranking mundial, que se afigura como a via mais provável para a maioria dos atletas portugueses.
Segundo a agência Lusa, analisando os recordes nacionais, Portugal conseguiria o apuramento direto em ambos os sexos em cinco disciplinas: 1.500 metros, salto em comprimento, triplo salto, lançamento do peso e lançamento do disco. Na velocidade, apenas os registos masculinos de Francis Obikwelu, nos 100 e 200 metros, e o recorde feminino de Fernanda Ribeiro, nos 10.000 metros, superam os mínimos exigidos.
As marcas de Obikwelu, de 9,86 segundos (2004) e 20,01 segundos (2006), continuam a ser de elite mundial, superando os mínimos de 9,95 e 20,07 segundos estabelecidos para Pequim. Nos 1.500 metros, tanto o tempo de Isaac Nader (3.29,37) como o de Carla Sacramento (3.57,71), que data de 1998, garantem a qualificação.
Nos saltos, os recordes de Pedro Pablo Pichardo (18,04 metros) e Patrícia Mamona (15,01) no triplo, e de Gerson Baldé (8,46) e Naide Gomes (7,12) no comprimento, excedem confortavelmente as marcas de 17,35, 14,40, 8,25 e 6,86 metros, respetivamente. De salientar ainda os recentes saltos de Agate de Sousa, que, embora não sendo recorde, lhe valeram o título mundial de pista coberta e também superam o mínimo.
Nos lançamentos, os recordes nacionais de Auriol Dongmo e Tsanko Arnaudov no peso, e de Irina Rodrigues e Emanuel Sousa no disco, também seriam suficientes para carimbar o passaporte para os Mundiais.
Contudo, figuras históricas como Fernanda Ribeiro e Rosa Mota veriam os seus recordes nacionais nos 5.000 metros e na maratona, respetivamente, ficarem aquém dos mínimos. O tempo de Ribeiro ficaria a 45 centésimos da marca de qualificação, enquanto o de Mota, estabelecido em 1985, ficaria a nove segundos do exigido.
O período para obtenção de marcas de qualificação decorre, na sua maioria, entre 23 de agosto deste ano e 22 de agosto de 2027, com janelas específicas para provas como a maratona, marcha e provas combinadas. Portugal já tem, no entanto, vagas asseguradas nas estafetas de 4x100 metros femininas e mistas e nos 4x400 metros masculinos, conquistadas nos recentes Mundiais de Estafetas em Gaborone.
Recorde-se que a WA reserva ainda «wild cards» para os atuais campeões do mundo e para os vencedores de outras competições de topo, caso estes não consigam o apuramento através dos critérios normais.