Francesco Farioli questionado sobre o adversário de amanhã, o Rio Ave

Prestianni, Rio Ave, a dúvida Thiago Silva e a escassez de golos: tudo o que disse Farioli

Treinador do FC Porto fez a antevisão do jogo de domingo, no Dragão, frente ao Rio Ave

— O Rio Ave, que não está numa fase positiva, teve algumas mudanças neste último jogo frente ao Moreirense. Que adversário espera no jogo e como analisou este Rio Ave?

Sobre o momento, creio que já tivemos uma má experiência com o Casa Pia, que também não estava num bom momento e depois conseguiram ter uma excelente exibição. Por isso, creio que isso não deve ser, definitivamente, o nosso foco. Temos de nos focar em nós, na forma como temos de abordar o jogo, com a máxima intensidade possível. Fizemo-lo com o Casa Pia, mas o resultado não foi o que queríamos. Para amanhã, é um jogo em que o passado não conta; é apenas o jogo de amanhã e a forma como vamos entrar em campo é que fará a diferença. Sobre eles, é uma equipa da qual esperamos que mude algo. Já o fizeram no jogo contra o Moreirense: de uma defesa de três passaram para uma defesa de quatro, algo que o treinador também já fez nalgumas das suas experiências anteriores. Tivemos a oportunidade nestes dias de recuar um pouco e ver alguns jogos dos seus clubes anteriores. Amanhã poderão abordar o jogo com uma linha de três ou de quatro e, de acordo com isso, teremos de encontrar a resposta adequada. Mas, como disse, o mais importante para nós é termos uma atitude clara, uma mentalidade clara e creio que nestes dias nos preparámos muito bem.

— Esteve há três dias na Dragão Arena a assistir a um clássico de hóquei em patins. Queria perguntar se foi a primeira vez que viu hóquei em patins e o que é que traz dessa experiência?

Sim, já tinha visto alguns jogos ou momentos na televisão, mas ver ao vivo é completamente diferente. A intensidade, os contatos e também algumas questões táticas interessantes que são muito semelhantes ao futsal. Foi, sem dúvida, uma excelente experiência viver outro momento deste clube num desporto diferente. Tivemos há algumas semanas um jantar muito agradável que o Presidente organizou com todos os treinadores principais de todas as modalidades do clube. Foi fantástico partilhar sentimentos, ideias, métodos e, acima de tudo, experiências. Ter a oportunidade de ir ver é sempre muito agradável. Fui para casa com o som da bola e o som dos choques na parede, porque a intensidade foi de topo. O jogo foi também muito bem jogado, por isso foi definitivamente uma experiência muito boa.

— Sofre-se muitos golos no hóquei para o que o Francesco Farioli gosta, se calhar...

Sim, demasiados, demasiados! Mas na primeira parte, quando estava 0-0, olhei para mim próprio porque o jogo estava com um marcador muito baixo. Mas foram demasiados golos, com certeza.

— Vem aí um jogo com o Rio Ave. Há quase 40 pontos de diferença entre o FC Porto e o Rio Ave. O que tenho para lhe perguntar é se reconhece que é um adversário extremamente frágil e é uma ótima oportunidade para o Porto vencer e vencer por bons números?

Não, não há cálculos. Num jogo isolado, não é a camisola que ganha o jogo. Vou dizer o óbvio, mas o jogo começa 0-0. Enfrentamos uma equipa que, com certeza, se preparou da melhor forma para vir jogar aqui. Nós fizemos o mesmo. Amanhã trata-se de transferir toda a nossa vontade de vencer para o relvado e fazer com que aconteça.

— Sem querer tirar o foco do jogo, mas relativamente ao caso do Prestianni, em que o FC Porto já pediu uma posição da Federação Portuguesa de Futebol e também da Liga, considera que já devia ter havido aqui uma reação e se este caso pode manchar o futebol português?

Nestes dias, vi muitos comentários e diferentes tipos de análise de muitos colegas. Tornou-se, como é normal, um caso internacional onde as pessoas expressam a sua opinião. Definitivamente, não estou aqui para dar uma lição ou uma aula magistral sobre o assunto. Do meu lado, tenho apenas duas coisas a dizer: uma, que é bastante clara pela minha experiência de vida — já treinei e trabalhei em seis países diferentes, cinco vezes no estrangeiro, e conheço a experiência e o sentimento de ser um estrangeiro que vai para fora, e sei a diferença de quando nos sentimos bem-vindos ou não. Além disso, nesta experiência trouxe comigo muitas pessoas; agora no ‘staff’ temos sete passaportes diferentes. Como podem imaginar, sou bastante aberto à diversidade e acredito que esta é uma oportunidade muito grande para aprendermos, melhorarmos e sermos melhores. O que faço no trabalho é também o que faço com os meus filhos. A minha filha mais velha anda numa escola internacional, tem a oportunidade de crescer com diferentes culturas, diferentes cores ao redor e, para ser honesto, creio que para a minha filha, com três anos de idade, é uma oportunidade incrível. É algo que eu descobri quando tinha 25 anos, por isso imaginem a vantagem que ela terá na vida. Hoje, estarmos em 2026 e ainda sermos julgados pela cor da pele ou pela religião, na minha opinião, não pode ser um tópico de discussão. É realmente triste que ainda o seja. Coincidência ou não, há uns dias surgiu novamente uma imagem que foi tirada há mais de 35 anos, algo que coloquei na minha tese na universidade. É um monólogo de Carl Sagan, que para mim é uma mente incrível, pela parte científica mas especialmente pelo lado humano. Se isto puder ser uma oportunidade, creio que esse vídeo tem três ou quatro minutos, o título é «O Pálido Ponto Azul? (The Pale Blue Dot). Acho que é muito interessante de ver porque nos ajuda a ter uma perspetiva sobre o peso da nossa vida como seres humanos. Às vezes, é normal que entre seres humanos entremos em grandes lutas, mas o que ele diz descreve isto com palavras definitivamente melhores do que as que eu possa ter. Ele diz que esta experiência e esta imagem são uma grande lição de humildade para entendermos o quão pequenos somos. Imaginem quanta energia má estamos a deitar para o lixo em discussões estúpidas, quando, pelo curto tempo que temos de estar neste planeta, se pudéssemos mover essa energia de uma forma boa, provavelmente seria muito melhor para todos.

— Pode fazer o ponto da situação do Kiwior e do Martim Fernandes?

Ambos estão muito positivos. O Kiwior teve uma progressão fantástica nestes dias, mas ainda não está completamente pronto. É um risco que não quero correr, por isso amanhã não estará na convocatória, mas nos últimos dois dias teve uma progressão muito boa. Também o Martim está positivo, teve uma boa evolução. Estamos a trabalhar para que ambos estejam prontos nos próximos dias, mas a progressão pode ter velocidades diferentes, por isso temos de ir dia a dia. Estou bastante positivo com ambos. Não temos outros casos particulares, o único é o Thiago Silva que nos últimos dois dias teve um pequeno problema, por isso estamos a avaliar a situação e temos de ver nas próximas horas como estará.

— Relativamente à equipa, o Francisco Moura vai regressar depois de castigo. O Zaidu fez um jogo muito bem conseguido na Madeira. Vai manter a aposta no Zaidu ou o Francisco Moura vai voltar ao onze?

Sobre a exibição do Zaidu, creio que já falei após o jogo. Foi muito positivo, pronto para voltar após muitas semanas fora das opções. Fez um jogo muito maduro, com grande energia e grande atitude. Na realidade, no período em que estamos a entrar, vamos precisar de todo o plantel ao melhor nível. Todos prontos para jogar e competir, porque se formos capazes de manter o calendário como gostaríamos, significa que estaremos muito ocupados nas próximas semanas e meses. Todos vão desempenhar um papel fundamental, por isso creio que tanto o Zaidu como o Francisco terão tempo e espaço para jogar e atuar.

— Em 2026, dos nove jogos feitos pelo FC Porto, em sete a equipa só marcou um golo. Houve ali uma sequência de dois jogos em que marcou três, com o Gil Vicente e com o Rangers, mas de aí para cá voltou outra vez a quebrar em termos de concretização. Isso não o preocupa de certa forma? Não deixa a equipa um pouco exposta aos adversários, marcando só um golo por jogo?

Há uma semana estive aqui a falar sobre o facto de costumarmos pôr muita atenção no que nos falta e, às vezes, não o suficiente no que estamos a fazer bem. É verdade que nalguns jogos poderíamos ter tido melhor desempenho e concretização. Há um nível de análise que é apenas o resultado, outro nível é o tipo de jogos que estamos a jogar. Novamente, acho notável o facto de todas as equipas que vêm jogar contra nós virem com muito respeito. Mesmo quando marcamos o 1-0 ou tomamos a liderança, eles não mudam nada, mantêm-se conservadores, tentam segurar o resultado e esperar por um contra-ataque ou um lance de bola parada. Este é o respeito que ganhámos através do trabalho que estamos a fazer e que os jogadores põem em campo. Depois há outra parte, que é o nível mais profundo de análise, que é a eficiência, a capacidade de ler os momentos. Há uns dias, com a equipa, fizemos uma análise dos últimos quatro jogos e selecionámos 33 momentos em que a oportunidade era grande, mas não conseguimos fazer o último passe ou procurar determinado passe. E desses 33 momentos, gerámos zero golos esperados porque nenhum deles terminou em remate ou numa situação de finalização. Imaginem se desses 33 fôssemos capazes de converter e gerar apenas algumas oportunidades, mas realmente grandes situações com dois ou três jogadores na área quase sozinhos. Provavelmente, este sentimento de ‘apenas mais um golo que o outro’ seria diferente. Na realidade, para ganhar jogos de futebol, um golo a mais do que o adversário é suficiente. Claro que adoraríamos ter sempre grandes resultados e muitos golos, mas na realidade os jogos são um pouco mais exigentes e, como disse antes, só a camisola não nos faz ganhar jogos. Sabemos o que queremos, sabemos para onde queremos ir. O mais importante para nós é manter a consistência, a atitude e o desejo de atacar com fogo e defender com ainda mais espírito e energia. E depois, continuar a caminhar, porque o calendário não nos dá muito tempo para pensar demasiado ou ficar no passado. Agora a nossa atenção e o nosso foco estão no jogo de amanhã com o Rio Ave para estarmos muito bem preparados para o que vamos enfrentar.

— O Alan Varela é um jogador que, antes da chegada do senhor Farioli, era titular indiscutível, depois houve ali uma quebra no final do ano passado e passou pelo banco agora em janeiro. Agora parece um jogador diferente. Qual foi a sua intervenção junto do jogador para que ele aparecesse com esta dimensão superior?

É absolutamente normal ter alguns altos e baixos. Não me canso de repetir que para competir nas três competições onde estamos, não se trata apenas dos 11 jogadores que começam o jogo, mas sim dos 22 ou 23 jogadores que o clube reuniu para fazer parte desta equipa. O exemplo do número 6 é ótimo. Podia ser o exemplo dos dois número 6, ou o exemplo dos dois número 10. No final, por exemplo, o Pablo e o Alan... o Pablo ajudou-nos a jogar também em diferentes posições, como lateral, como 8, como central quando foi preciso. O Alan teve um papel muito claro no início da época. Quando o Pablo chegou, às vezes alternei-os. Depois o Alan teve um momento em que talvez não estivesse no seu melhor, mas carregou durante muito tempo uma grande responsabilidade nos seus ombros. Talvez por um momento tenha sido bom para ele respirar um pouco, descomprimir, recarregar. E hoje acho que o estamos a ver novamente muito perto do seu melhor, ainda com margem de melhoria na minha opinião, mas é definitivamente um jogador que nos ajuda a competir ao mais alto nível. Qualidade com bola e também com uma compreensão muito boa dos momentos e uma atitude a defender que é fantástica. Nesta parte, sinto-me muito orgulhoso e confortável por ter, em quase todas as posições, muitos jogadores que, um ou outro, ou ambos, podem jogar, competir e ajudar este clube a continuar a lutar pelos nossos objetivos.

— Primeiro perguntava-lhe pela situação do Moffi, se é um jogador que neste momento fisicamente já está habilitado para uma eventual titularidade; e segundo, se têm sido trabalhadas outras soluções além dos dois pontas de lança, nomeadamente o Rodrigo Mora, que a espaços já jogou na posição?~

Acho que nesta parte não há muitos segredos. Para o Moffi foi importante ter estas semanas para trabalhar e voltar a treinar com a equipa. Está a sair-se muito bem, a trabalhar arduamente. Há uns dias mencionei o facto de, em termos de peso corporal e composição corporal, ele estar de volta ao nível de um atleta de elite, por isso está quase lá. Quando será o momento de ele começar um jogo? Creio que muito em breve. Neste momento temos o Deniz Gul que está, com certeza, um passo à frente em termos de condição e compreensão do que queremos fazer. O Terem está a recuperar o atraso e a entrar em forma, e com certeza nas próximas semanas vamos precisar de ambos para nos ajudarem a manter o nível alto. Na realidade, ter dois avançados do nível do Samu e do Luuk de Jong fora por lesões tão graves é algo que, infelizmente, é quase um evento único. Nesta parte, expresso o meu agradecimento ao clube pelo facto de em janeiro nos termos preparado também para o pior cenário, que infelizmente aconteceu, e o clube estava pronto para dar este passo. Agora estamos numa situação que não é a ideal, porque claro que gostaríamos de ter o Samu e o Luuk de Jong connosco, mas temos dois avançados muito bons: o Deniz, um potencial que se pode desenvolver, e o Moffi, um jogador que já se provou em diferentes ligas e competições europeias. Ambos desempenharão um papel fundamental e estão prontos para aceitar o desafio. E também, considerando a competição europeia e o facto de podermos registar apenas três jogadores, isso cria uma necessidade extra na frente. Para o Rodrigo e o Gabri, que são os dois médios mais ofensivos, têm de estar prontos para nos ajudar, seja na ala ou como 9, de acordo com as necessidades que a equipa tiver. Acho que ambos estão totalmente conscientes. Tive há uns dias uma conversa com eles para os fazer parte deste plano e do quadro geral. Ambos estão totalmente motivados para ajudar o clube, ambos com o desejo de vencer jogos de futebol. Por isso, nesta parte, acho que estamos todos na mesma página, ansiosos pelos nossos próximos desafios, começando pelo de amanhã, que é definitivamente o mais importante.

— O Oskar Pietuszewski foi titular na Madeira. O que achou da exibição dele e, por outro lado, se ele já tem condições para fazer 90 minutos, uma vez que o tirou ao intervalo?

O Oskar está numa situação bastante semelhante à do Moffi. Chegou a nós depois de, na Polónia, terem tido uma paragem, por isso veio de umas pequenas férias. Levou duas ou três semanas para ficar em condições decentes. E, claro, não tendo estado na pré-época e estando já no meio da corrida, é muito complicado dar uma certa exposição ao jogador em termos de minutos de jogo. Marcámos há umas semanas uns jogos particulares para trazer todos de volta. Esse é o plano também para a próxima semana: ter um jogo extra para todos ganharem minutos e continuidade. Isto serve para o Oskar, para o Moffi, para o Fofana... porque na realidade, a partir da próxima semana, estaremos completamente na corrida com muitos jogos para jogar, e esperemos que muitos mais nas semanas seguintes.