Seleção sub-20 feminina estreia-se em Mundiais, na Polónia, e Marisa Gomes dá o mote

«Já estamos a fazer história, podemos chegar onde elas quiserem»

Marisa Gomes, treinadora da Seleção Nacional sub-20 feminina, explica os desafios da primeira presença num Mundial da categoria, que se realiza de 5 a 27 de setembro na Polónia

Entusiasmo, motivação, orgulho e vontade servem de tónico para a Seleção sub-20 feminina que esta quinta-feira viajou para a Polónia para participar pela primeira vez num Mundial da categoria. Marisa Gomes, treinadora da equipa nacional, partilhou a A BOLA os sentimentos no balneário, agradeceu a todos os que permitiram esta presença inédita e detalhou os desafios do Grupo E, que inclui a campeã do mundo Coreia do Norte, deixando garantia: «Estamos preparadas para superar os nossos limites»

— Portugal tem uma presença inédita no Mundial de Sub-20. Que sentimento reina no seio do grupo?

— Sobretudo entusiasmo. Muita motivação, muita vontade de conseguirmos fazer um bom Mundial. Também orgulho por aquilo que já foi conquistado. Mas sobrepõe-se a ambição daquilo que se quer vir a fazer. Há orgulho naquilo que se fez, mas sabemos que ainda há muito para conquistar.

— Como se motivam estas jovens atletas para uma competição desta dimensão?

— A motivação é intrínseca, porque estar nestas competições é um privilégio, fruto de muito trabalho. Muitas vezes não conseguimos, mesmo dando o máximo. O crescimento deste grupo tem sido enorme e, portanto, há uma vontade enorme e a motivação está em cada uma delas. Não há maior motivação do que participar numa competição deste nível.

— É difícil gerir o nervosismo do balneário?

— É sempre difícil gerir a pressão, porque nestes momentos de dificuldade, pressão e expectativas há sempre aquele receio de falhar. Apesar de termos crescido muito nos últimos anos, ainda existem muitos momentos em que não conseguimos ter sucesso, e em momentos de maior stress e dificuldade esses medos voltam ao de cima. E quando preparamos estas competições, queremos dar-lhes confiança, mostrar-lhes que é possível. Mas a diversidade é muito grande, portanto temos de preparar-nos não só para lidar com o erro, mas sobretudo para elas serem capazes de se transcenderem na dificuldade, para coletivamente sermos mais fortes do que individualmente.

— Coreia do Norte, campeã do mundo, Colômbia e Costa Rica. O grupo E não é um grupo fácil.

— Sim, mas eu penso que não há grupos fáceis numa fase final de um Campeonato do Mundo ou de um Campeonato da Europa, porque são competições onde toda a gente quer fazer história. Os grupos e as equipas são muito competitivos. Já analisámos os adversários. A Coreia é uma equipa muito madura, muito agressiva, sabe perfeitamente o que tem de fazer e fá-lo muito bem, daí ser campeã do mundo. Há todo um histórico e uma cultura de vitória, é desafiante para nós. A Colômbia tem um padrão de jogo completamente diferente, que nos vai obrigar em dois dias a mudar o chip. Sente-se muito confortável a defender, não sofreu golos durante quase toda a sua preparação. Vai trazer-nos desafios a finalizar, rematar à baliza, fazer golo, que é algo em que claramente temos de melhorar, porque muitas vezes não rematamos por falta de confiança ou por acharmos que queremos fazer o remate perfeito, e temos de conseguir de uma forma mais espontânea chegar à baliza. A Costa Rica tem um padrão de jogo diferente, não tão definido, mas com uma diversidade de ações que nos custa perceber o que vamos encontrar. Será um grupo muito desafiante que nos vai obrigar também a crescer. E isto é algo positivo, porque sairemos sempre muito melhores no final da competição, por defrontarmos equipas muito fortes.

— Apesar do desafio, a Seleção está preparada para fazer história?

— A história vai ser feita, ao participarmos já estamos a fazer história. Estamos preparadas. Queremos fazer mais. Há sempre uma ambição inerente. Sabemos que vai ser difícil, mas estamos preparadas para superar os nossos limites e para darmos uma boa resposta e conseguirmos representar o futebol feminino e Portugal.

— Até onde pode chegar esta Seleção?

— Pensando jogo a jogo, podemos chegar onde elas quiserem. Porque quando fomos ao Europeu estávamos num grupo com equipas muito fortes e fomos capazes de superar essas adversidades e ir à meia-final. E mesmo na meia-final, apesar de estarmos a perder 0-2, conseguimos ser muito competitivas [derrota 3-4 contra França]. Mais do que dizer que a equipa tem capacidade, elas já vivenciaram isto, muda o paradigma. Quanto mais jogarmos, mais somos capazes de atingir novos patamares. Estamos preparadas para ir na superação dos limites. E depois os resultados mostrarão onde poderemos ir.

— Que mensagem deixa aos portugueses?

— A principal mensagem que queremos passar é de entusiasmo, apoio. Apesar de estarmos numa competição de grande nível, é sempre importante sentir que as pessoas estão a ver. Preparámo-nos para apresentar um futebol ofensivo, entusiasmante, que permita a que quem vê o jogo sinta prazer no espetáculo, perceba que as nossas jogadoras têm potencial, talento. Temos feito um trabalho para a valorização individual nesta competição, porque, no fundo, é disto que se trata, valorizar a jogadora portuguesa e fazer com que a equipa de Portugal saia da competição melhor do que o que chegou.

— Algo que não tenhamos falado e que gostasse de abordar?

— Gostava de deixar uma mensagem de incentivo a todas as pessoas que têm contribuído para o desenvolvimento do futebol feminino. Temos crescido imenso, mas há muito ainda para fazer, não só na mentalidade. Neste momento em que vamos fazer história, queremos agradecer a todas as pessoas que permitiram que isso fosse possível, porque ninguém faz isto sozinho. Os pais destas jogadoras e de todas as outras que não conseguiram estar, os clubes, os treinadores e todas as pessoas que, muitas vezes em condições que não são as melhores, conseguem dar o melhor de si, e elas, que conseguem atingir o melhor rendimento.

Mundial Sub-20 feminino

Campeonato realiza-se de 5 a 27 de setembro na Polónia (Bielsko-Biala, Katowise, Lodze e Sosnowiec são as cidades anfitriãs)

Jogos de Portugal - Grupo E

Dia 7: Coreia do Norte-Portugal
14h00 (hora de Lisboa), Lodz Stadium, em Lodz

Dia 10: Portugal-Colômbia
17h00 (hora de Lisboa), Lodz Stadium, em Lodz

Dia 13: Costa Rica-Portugal
17h00 (hora de Lisboa), Sosnowiec Stadium, em Sosnowiec

Lista de 21 jogadoras convocadas

Guarda-redes: Beatriz Carvalho (FC Porto), Nair Pina (SC Braga), Rafaela Mendonça (Paris FC, FRA)

Defesas: Francisca Castro (SC Braga), Carolina Simões (Benfica), Inês Meninas (Benfica), Iara Lobo (Parma, ITA), Sofia Machado (SC Braga), Érica Cancelinha (Sporting)

Médias: Rita Cunha (SC Braga), Rita Melo (SC Braga), Joana Valente (Benfica), Carolina Tristão (Benfica), Diana Costa (Benfica), Marta Gago (Vitória de Guimarães), Mafalda Mariano (Vitória de Guimarães)

Avançadas: Luana Bessa (SC Braga), Neide Guedes (Benfica), Maísa Correia (Sporting), Carolina Santiago (Sporting), Anna Marques (Bochum, ALE).

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