Em 2016, em Lens, Portugal levou a melhor sobre a Croácia
Em 2016, em Lens, Portugal levou a melhor sobre a Croácia

A partir da meia-noite, em Toronto, há mata-mata entre Portugal e a Croácia, duas seleções que têm nos quarentões Cristiano Ronaldo e Luca Modric as principais figuras. Inesquecível, a grande equipa do Real Madrid, que tinha no meio-campo Casemiro, Modric e Kroos, e no ataque, Bale, Benzema e CR7, dominadora da Europa e ‘rival’ dos pentacampeões dos tempos de Di Stéfano e Paco Gento. Incontornável, o contributo de Cristiano Ronaldo para a conquista do Euro 2016 e de Luca Modric para a presença croata na final do Mundial de 2018, os dois pontos mais altos destas estrelas ao serviço dos seus países.

Mas o tempo passa, as folhas do calendário parecem árvores outonais, e há um preço a pagar. Diga-se que Modric se ‘defende’ melhor do que Cristiano Ronaldo, porque nunca ancorou o seu futebol na capacidade de explosão, ao contrário do português, que era imbatível nos lances de um-contra-um, e já não é. Das grandes estrelas cadentes que estão no Mundial da América do Norte, acabou por ser o fora-de-série português a ver-se obrigado a alterar mais o seu jogo: sem capacidade de perfuração pelas alas, e sem ser um ativo tóxico para os adversários nos contra-ataques, Ronaldo tem de basear o seu futebol na capacidade de finalização, e para isso precisa que a equipa trabalhe para ele e o eleja como o ‘target player’; Modric sempre foi um jogador de equipa - à imagem de Moutinho, Vitinha ou João Neves - e é mais fácil à Argentina proteger Lionel Messi, porque o primeiro trabalho defensivo (ao contrário do que devia suceder com CR7) não lhe cabe, mas sim a Julián Alvarez ou Lautaro Martinez, algo que no passado era feito por Gonzalo Higuaín.

Na capital do Ontario, logo mais, Roberto Martinez vai ser confrontado com as questões do costume, às quais deverá responder com a fórmula do costume. A equipa de Portugal não deve sofrer alterações de fundo - por exemplo nova aposta em Ruben Neves para equilibrar um meio-campo que vai defrontar jogadores muito experientes, habituados a não perdoar qualquer erro ao adversário - ou uma mexida na esquerda que desse mais garantias defensivas, ou ainda, de forma mais radical (e se não o fez, não irá fazê-lo), optar por Gonçalo Ramos, aumentando exponencialmente a capacidade pressionante da equipa. Vamos ver se mais do mesmo, que até agora soube a pouco, chega para levar de vencida a Croácia…

* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…

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