Portugal, dia 2+1
Depois do jogo com o Congo, não foi Portugal a empatar, mas sim o ‘homem estátua’, que fez, disseram muitos analistas, sobretudo internacionais, os chamados ‘pundits’, que ou são absurdamente contundentes nos comentários ou têm os dias contados, um jogo que lhes provocou vergonha alheia.
Na goleada ao Uzbequistão, quem se deu ao trabalho de ir acompanhando os principais órgãos de comunicação europeus, verificou que quem estava a ganhar folgadamente não era Portugal, mas sim Cristiano Ronaldo. Quem quiser ir atrás deste tipo de avaliações, acabará a acreditar que o polvo Paul acertou mesmo todos os resultados no Mundial de 2026.
Já o disse, e reafirmo, antes de ir à questão de fundo, que em competições de incidência planetária, apenas existem, ‘grosso modo’ dois patamares, o lugar mais alto do pódio e o caixote do lixo, e essas medidas, sem meio-termo, valem o que valem.Falemos então, para começar, da Seleção Nacional: depois de uma exibição demasiado cinzenta frente ao Congo, a equipa reagiu, e sem mudar o sistema, mudou a dinâmica, afinando ainda o posicionamento de alguns jogadores, nomeadamente Bruno Fernandes, finalmente entre linhas, e Vitinha, que depois de alguns sinais de fadiga, voltou a ser o dínamo que torna Portugal melhor.
Quando começar a fase de mata-mata, os jogos serão substancialmente diferentes e Roberto Martinez deverá retornar ao tema do equilíbrio defensivo, que mesmo contra o Uzbequistão, teve momentos em que deixou a desejar.
Finalmente, Cristiano Ronaldo. Um recorde extraordinário batido - marcou em seis fases finais do Campeonato do Mundo - e outro, de melhor marcador português em Mundiais, menos reluzente, porque Eusébio apenas fez seis jogos em 1966.
Depois (e nem eram precisos mais 90 minutos), a aposta irredutível de Martinez em Cristiano Ronaldo: se esta é uma premissa ‘sine qua non’, então há que aproveitar CR7 no melhor que ainda tem para dar. Tem de evitar sair da área adversária - inútil baixar e meter-se entre os médios - ou cair demasiado nas linhas, onde já não faz a diferença no um-contra-um. É a fixar dois adversários na zona do penálti, a ganhar o primeiro poste no cruzamentos, e a finalizar com suprema classe (o segundo golo que apontou foi sublime) que Cristiano Ronaldo deve ser mais do que uma marca global.
* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…