Capitão recebeu abraço dos suplentes - Foto: Miguel Nunes
Capitão recebeu abraço dos suplentes - Foto: Miguel Nunes

A Seleção e Ronaldo: nem bestas, nem bestiais

Portugal não deixou que um jogo em teoria fácil se tornasse difícil na prática. Cristiano está de volta, segundo o próprio, e Roberto Martínez estará sempre com ele

A Seleção Nacional conquistou a primeira vitória no Mundial 2026, com uma goleada frente ao Uzbequistão, e respira agora um ar mais leve. Não damos lições a ninguém, sabemos bem que em apenas seis dias é possível passar de bestas a bestiais - e vice-versa. É uma característica talvez muito portuguesa, ou talvez de todos os que vivem o futebol com uma intensidade por vezes prejudicial à saúde. Não há grande racionalidade nisto, e se houvesse certamente a piada não seria a mesma.

O Uzbequistão foi o adversário perfeito para harmonizar a relação entre a Seleção e os adeptos e para acalmar as críticas, ainda que poucas conclusões para uma prova desta magnitude se possam tirar de uma partida com tantas facilidades. Mas foi bom sinal que o golo cedo, desta vez, não tenha feito ninguém tirar o pé do acelerador. Também a personalidade em campo foi ontem bem mais vincada e isso será fundamental contra equipas de maior porte (e elas vêm aí...).

Cristiano Ronaldo está de volta, segundo palavras do próprio, tendo sido o último dos grandes craques a chegar ao Mundial, mas perfeitamente a tempo de quebrar alguns recordes (ainda que não sejam o mais importante, claro, convém sublinhar sempre). Não é de agora e há de ser assim até ao fim: o capitão não treme com as críticas, até parece que se alimenta delas, e faz questão de aparecer nas alturas em que os fãs (e agora os bots) mais precisam.

A exibição frente à RD Congo foi coletivamente tão absurda que terá sido injusto colocar Cristiano no centro do furacão. Como será provavelmente exagerada a euforia à volta deste bis, mas é mesmo assim que o mundo continua a girar e nós fazemos parte dele.

Ficarei muito surpreendida se este Mundial não tiver mais altos e baixos para Portugal, assim como para Ronaldo. Certo é que perdemos demasiado tempo a falar da gestão de um jogador de 41 anos habituado ao ritmo (ou falta dele) da Arábia Saudita. Roberto Martínez nunca enganou ninguém e ontem foram mais 90 minutos para provar que às vezes vai estar certo e outras estará errado, mas estará sempre com Cristiano.

O jogo com a Colômbia é já daqui a três dias e veremos se as melhorias da Seleção frente ao Uzbequistão terão continuidade, mas por agora o mundo ficou a saber que Portugal - e Cristiano - ainda existe. Se até aqui as dúvidas tinham demasiado peso, o segredo estará em não ter muitas certezas depois desta goleada. É o chamado jogo a jogo, por muito que esta seja provavelmente a frase do futebolês que mais me irrita.

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