Donald Trump e Gianni Infantino - Foto: FIFA
Donald Trump e Gianni Infantino - Foto: FIFA

Políticas anti-transgénero dos Estados Unidos preocupam FIFA antes do Mundial

Organismo olha com atenção para as medidas de Donald Trump antes da prova de 2026 e candidatura da competição feminina, em 2031, pode estar comprometida

As políticas anti-transgénero promovidas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estão a gerar sérias preocupações para a FIFA, podendo comprometer a realização do Mundial masculino de 2026 e a candidatura conjunta para o Mundial feminino de 2031.

Segundo o The Athletic, a Casa Branca está a pressionar o organismo para que esta adote uma política que impeça atletas transgénero de competir profissionalmente no futebol feminino, seguindo o exemplo do Comité Olímpico Internacional. Esta exigência surge num momento em que Trump ainda não assinou as garantias governamentais obrigatórias para a candidatura dos EUA, México, Costa Rica e Jamaica à organização do Mundial feminino de 2031.

Desde que regressou à presidência para um segundo mandato, Trump tem procurado restringir a participação de atletas transgénero em desportos femininos. Em fevereiro do ano passado, assinou uma ordem executiva intitulada «Manter os Homens Fora dos Desportos Femininos», que proíbe a competição de atletas em desportos femininos, a menos que tenham sido designadas como do sexo feminino à nascença.

A ausência destas garantias governamentais — que incluem compromissos sobre vistos, isenções fiscais, segurança e proteção — já levou ao adiamento da aprovação da candidatura conjunta para o Mundial de 2031. De acordo com a mesma fonte, a decisão, que deveria ter sido tomada no congresso da FIFA que se realiza no próximo 30 de abril, foi adiada para o final do ano.

Estas políticas entram em conflito direto com os estatutos da FIFA, nomeadamente o Artigo 4.º, que proíbe explicitamente a discriminação contra «qualquer país, indivíduo ou grupo de pessoas por conta da origem étnica, género, língua, religião, política ou qualquer outra razão».

As implicações estendem-se também ao Mundial masculino que se realiza neste verão, que os Estados Unidos organizarão em conjunto com o Canadá e o México. A implementação de tais políticas poderia criar barreiras significativas ou mesmo proibir a entrada de atletas, adeptos e jornalistas transgénero no país, contrariando o espírito de união global que o evento pretende promover.

A situação coloca a FIFA perante um dilema monumental. Permitir que os EUA organizem o torneio enquanto aplicam políticas discriminatórias seria uma afronta aos valores do organismo que rege o futebol mundial. Por outro lado, retirar a organização a um país anfitrião tão perto do evento seria uma medida sem precedentes, com enormes desafios logísticos e financeiros.

Prevê-se ainda a possibilidade de desafios legais por parte de organizações de direitos civis e de direitos humanos, o que poderia resultar num pesadelo de relações públicas tanto para o comité organizador norte-americano como para a FIFA. Além disso, existe o risco de protestos e boicotes por parte de países e atletas que defendem os direitos LGBTQ+, o que poderia levar a um Campeonato do Mundo fragmentado e controverso.

A candidatura dos Estados Unidos para organizar o Campeonato do Mundo de Futebol Feminino de 2031 enfrenta um impasse significativo. A Casa Branca está a reter as garantias governamentais necessárias, exigindo que a FIFA altere a sua política de elegibilidade para atletas transgénero no futebol feminino antes de formalizar o apoio.

Apesar de a candidatura ter sido formalmente apresentada em outubro de 2025, a ausência destas garantias, que são um requisito essencial para a FIFA, levantou questões. Fontes familiarizadas com o processo, que falaram sob condição de anonimato, confirmaram que a administração Trump está a usar a sua posição de força, uma vez que a candidatura norte-americana é a única para a edição de 2031, para pressionar o organismo que rege o futebol mundial.