Pogacar, de apupado a ovacionado na quarta vitória. «Obrigado a todos, foi inesquecível!»
Em 2025, quando conquistou a Volta a França pela quarta ocasião (2020, 2021 e 2024), Tadej Pogacar (UAE Emirates) somou quatro vitórias em etapas para o feito. Foram elas: a 4.ª, 7.ª, 12.ª e 13.ª.
Agora, na 113.ª edição, onde ambiciona igualar os pentacampeões recordistas Jacques Anquetil (Fra), Eddy Merckx (Bel), Bernard Hinault (Fra) e Miguel Induráin (Esp), o campeão mundial já igualou essas quatro (3.ª, 6.ª, 10.ª e 14.ª) e ainda faltam outras sete até à derradeira chegada aos Campos Elísios, em Paris, dia 21.
Voltando a demonstrar uma notável superioridade face aos mais diretos adversários, Pogacar (4.00,07 h) reforçou a liderança no Tour ao ser o mais rápido a cumprir os 155,3 km da 14.ª etapa, que ligou Mulhouse a Le Markstein, a qual incluiu três contagens de montanha de primeira categoria, com a última a situar-se a menos de 7 quilómetros da meta.
Já em 2023 (20.ª etapa), Pogi havia dominado no alto de Le Markstein, sendo esta a 25.ª tirada que arrebatou na prova, num ranking liderado por Mark Cavendish (Gbr), com 35, seguido por Merckx, com 34; Hinault, 28; e encontrando-se já em igualdade com o gaulês André Leducq.
O momento decisivo aconteceu na secção mais íngreme e final do Col du Haag. Jonas Vingegaard tentou endurecer o ritmo para desgastar os adversários, alcançando os fugitivos Richard Carapaz (EasyPost) e Tobias Halland Johannessen (Uno-X). No entanto, quando Remco Evenepoel (Red Bull) procurava reentrar no grupo da frente, Pogacar lançou o ataque decisivo a um quilómetro e meio do fim, ao qual ninguém conseguiu responder, deixando para trás os principais rivais e cruzando a meta isolado. Êxito que lhe permitiu tornar-se no quarto ciclista a vencer um mínimo de quatro etapas em quatro edições consecutivas.
Evenepoel, que chegou a ceder terreno, recuperou e limitou as perdas a 48s, terminando em quinto lugar. Antes, após o triunfo de Pogacar — desta vez não abriu os braços nem baixou a cabeça em sinal de agradecimento, preferindo levantar o braço direito para assinalar com quatro dedos o número de etapas ganhas —, foi necessário esperar 38s para que surgissem o colega de equipa Isaac del Toro e Paul Seixas (Decathlon), e 44s para Jonas Vingegaard (Visma).
Na geral, o britânico Tom Pidcock (Q36.5) foi um dos derrotados do dia, caindo do 4.º para o 9.º lugar (+7.59), enquanto o jovem fenómeno lusodescendente Paul Seixas, de 19 anos, ascendeu à 4.ª posição e retirou a camisola branca da juventude ao espanhol Juan Ayuso, de 23.
«Tenho mesmo de agradecer aos espetadores que vieram para a estrada. Foi uma experiência inesquecível ver tanta gente nas subidas, no topo da montanha. Foi memorável. Nunca tinha visto nada assim. Obrigado a todos», começou por declarar Tadej Pogacar, contrariando as críticas que o próprio fizera dias antes, quando havia sido apupado na estrada. Desta vez não, foi aplaudido.
Quanto ao que a UAE preparara para o primeiro dia de um fim de semana exigente, e depois de o esloveno se ter poupado desde quarta-feira, revelou que a ideia inicial até era ser mais agressivo, mas teve de alterar a estratégia. «Sabia que o Isaac Del Toro não estava a 100 por cento e por isso aguardei pelos dois últimos 2 km para ver se algo acontecia», foi contando. «O ritmo da Decathlon e depois do Jonas Vingegaard era muito elevado. Atrás, os ciclistas foram cedendo um a um. Sentia-me bem e conhecia bem os últimos quilómetros. Com aquele público na berma da estrada, recebemos um impulso extra. Arrisquei a oportunidade e aproveitei-a», disse orgulhoso.
«Tínhamos esta etapa marcada desde o início do Tour. Conheço o percurso e acho esta região [Vosges] magnífica. Além disso, guardo boas recordações daqui», salientou, recordando a vitória em 2023. «Este é um dia perfeito para nós», completou, juntando o 2.º lugar de Del Toro na tirada.
Com a frescura e o domínio que demonstra, será que desta vez irá ganhar uma quinta etapa? A dúvida fica no ar para este domingo, na 15.ª tirada entre Champagnole e Plateau de Solaison (183,9 km), com mais uma jornada marcada pela montanha e uma contagem de categoria especial na parte final até à meta. «Essa será uma tarefa mais difícil. Por agora, não quero dizer muito sobre isso», concluiu em relação ao dia de amanhã.
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