Pizzi: «Merecia estar no mural do Benfica, mas não me incomoda»
Pizzi foi o mais recente convidado do podcast 90+3. O internacional português, de 36 anos, abriu o livro e abordou diversos temas, desde a passagem pelo Benfica, o facto de não estar no Mural dos Campeões dos encarnados e a proposta que teve do Sporting antes de rumar à Luz.
«Foi um verão daqueles. Tive proposta do Sporting, o treinador era o Leonardo Jardim e falei com ele diretamente. Queria que fosse para lá e que seria um jogador importante. Naquele momento estava a aparecer o William Carvalho na pré-época. Disse-lhe que tinha muitas propostas, depois da minha boa época no Deportivo, de Espanha. As coisas não foram para a frente e alguns dias mais tarde surge o Benfica», referiu. O jogador acabaria por ser cedido ao Espanhol de Barcelona: «Queriam que jogasse mais um ano por completo numa equipa do que ir para o Benfica e não ser tanto uma opção. Tive a felicidade de só estar em grandes cidades: Madrid, Corunha, Barcelona... Foi uma boa época para mim. Tive a oportunidade de jogar com um grande jogador que é o Simão Sabrosa, que foi como um pai para mim.»
Tive proposta do Sporting, o treinador era o Leonardo Jardim e falei com ele diretamente
No Benfica, Pizzi foi orientado por Jorge Jesus, a quem deixou elogios: «Foi um treinador que me ajudou imenso no decorrer da minha carreira. Mudou-me de posição. Lembro-me de chegar ao Benfica um bocado incerto do que se iria passar. Fiz os primeiros treinos muito bons e lembro-me do Jorge Jesus dizer para um adjunto: 'Este miúdo tem muita qualidade de passe'. Chamou-me à parte e disse-me que ia ficar, mas que me ia trocar de posição. Ajudou-me muito e falava sempre comigo diariamente.»
A época 2014/15 acabou com o Benfica bicampeão. «Foi espetacular. Não estava preparado para a dimensão do que é estar no Marquês. O caminho até ao Marquês, o resto do país... É um sentimento ótimo. Foi um dos momentos que mais me marcou. Não estava à espera daquele impacto todo», assumiu o atual jogador do Estoril.
As provocações de Jorge Jesus foram gasolina para nós
A temporada seguinte no Benfica foi já com Rui Vitória no comando, depois de Jorge Jesus ter rumado ao Sporting. Pizzi confessou que as provocações de Jorge Jesus foram «gasolina» para o plantel encarnado. «Jorge Jesus foi um dos melhores treinadores que tive, não só por aquilo que ensina. Com ele, aprendes mesmo. Mas por todo o carisma e maneira de ser. É um treinador espetacular e adoro-o. Foi um verão atípico. Ficámos sem treinador, comigo só esteve um ano. É um impacto muito grande e depois ir para o grande rival. Foi um verão com muitas peripécias. Dentro do balneário e do que era o Benfica, estivemos sempre ligados. Acolhemos o mister Rui Vitória da melhor maneira possível», defendeu, abordando as picardias de Jorge Jesus no lado dos leões: «Sentimos mais uma força extra para dar a volta ao contexto e lutar, sobretudo pelo mister Rui Vitória. Não merecia muitas coisas que foram ditas. Foi uma gasolina para nós. Fomos ganhar a Alvalade no célebre Bryan Ruiz.»
Pizzi lembrou também o período em que foi orientado por Bruno Lage na Luz e onde fazia parceria com Grimaldo, Rafa e André Almeida. «Dizia-me que o meu primeiro pensamento seria virar-me e se perdesse a bola a culpa seria dele. Eu, o Rafa e o João Félix éramos jogadores com características parecidas», afirmou, falando sobre a época seguinte, em que Bruno Lage deixou o comando técnico: «Fizemos uma primeira volta com vitórias e uma derrota com o FC Porto. Depois veio a Covid-19 e foi estranho para toda a gente. Tivemos muitos deslizes. Depois do jogo com o Tondela, os adeptos atiram pedras ao autocarro, pintam os portões de minha casa... É difícil de explicar. Tínhamos uma grande equipa. Bruno Lage acaba por ser despedido e o que se passou depois já ultrapassa o bom senso. Deitou-se a culpa a quatro ou cinco jogadores quando não houve razão para tal. Lembro-me de os meus pais serem abordados: 'Ah, o teu filho despediu aquele treinador'. Até na escola dos meus filhos. 'Um colega do meu filho disse que eu tinha despedido aquele treinador'. É duro e não corresponde à realidade. Fica o rótulo.»
Ainda durante a primeira passagem de Bruno Lage, o Benfica goleou o Nacional, por 10-0, no Estádio da Luz: «Foi um jogo em que tudo saiu bem. Foi um desnorte do Nacional. Durante o jogo, os jogadores do Nacional pediam para nós abrandarmos.»
Fazendo um balanço sobre a passagem pela Luz, Pizzi assumiu que merecia estar no mural do Benfica. «Acho que deveria estar, mas não é algo que me incomode ou que me tivesse tirado o sono. O meu respeito pelo Benfica é muito maior que um simples mural», disse, abordando as comparações com Bruno Fernandes: «Nunca houve uma disputa, o Bruno Fernandes é muito melhor jogador que eu e a carreira dele comprova-o.»
Voltando ao início da carreira, Pizzi recordou quando jogou com Rui Borges com... 16 anos no Bragança: «Era um companheiro e, naquela altura, acho que era o melhor jogador da nossa equipa. Tinha muita qualidade. Era um grande amigo e ajudou-me em tudo. Ainda hoje mantemos uma ótima relação.»
Como sénior, em 2010/11, Pizzi viria a fazer um hat trick pelo Paços de Ferreira no Dragão ao FC Porto: «Com o Benfica nunca consegui marcar ao FC Porto... Foi um grande jogo da nossa parte, o FC Porto estava em gestão. Foi aí que apareci para o Mundo inteiro. E não me deram a bola.»
O programa na íntegra:
Artigos Relacionados: