Pistorius saiu da prisão mas está num programa de controlo de raiva
Oscar Pistorius, o antigo atleta paralímpico que chocou o mundo ao assassinar a sua namorada, Reeva Steenkamp, no Dia dos Namorados de 2013, vive agora em liberdade condicional, longe dos holofotes e sob rigorosas restrições. Depois de cumprir quase nove anos de prisão, o ex-campeão tenta refazer a vida de forma anónima.
Em tempos conhecido como Blade Runner, Pistorius foi um atleta admirado mundialmente. Nascido com hemimelia fibular bilateral, uma condição que levou à amputação de ambas as pernas abaixo dos joelhos aos onze meses, tornou-se o primeiro atleta com dupla amputação a competir nuns Jogos Olímpicos, além de conquistar seis medalhas de ouro paralímpicas com as suas próteses de fibra de carbono.
Hoje, aos 39 anos, tem uma imagem diferente: com barba, alguns cabelos brancos e calças compridas para cobrir as próteses, passa mais despercebido. Reside na mansão do tio, Arnold Pistorius, em Waterkloof, um bairro abastado de Pretória, na África do Sul. A propriedade está fortemente protegida com muros altos, segurança privada e cães de guarda, e dispõe de ginásio e piscina, permitindo-lhe treinar sem ser visto.
Porém, a liberdade, que se estenderá até 2029, não é total. Pistorius saiu da prisão em janeiro de 2024 e está obrigado a comunicar as deslocações, participar em programas de reabilitação e controlo da raiva, e permanecer sob supervisão das autoridades. Segundo o Daily Mail, os seus vizinhos preferem que mantenha um perfil discreto. «Aqui não queremos saber nada dele. É como um fantasma», afirmou um residente.
'He's been forgiven. He's part of the family now'
— Daily Mail Sport (@MailSport) July 31, 2026
Uncovered for the first time, this is the secret new life of Oscar Pistorius 😮
🔗 https://t.co/lwi2wMttB8#Pistorius #Paralympics pic.twitter.com/2pmDcAZzsp
Longe dos contratos publicitários do passado, Pistorius terá encontrado trabalho numa empresa de engenharia de som, embora o cargo exato que ocupa não seja conhecido e nenhuma grande empresa pareça disposta a associar-se publicamente ao seu nome. O desporto, no entanto, continua a ser uma parte importante da sua vida. Foi visto a jogar padel e, em 2025, completou um Ironman 70.3 em Durban, terminando em terceiro lugar na sua categoria, após obter autorização especial das autoridades.
Nesta nova vida, Pistorius encontrou também apoio na religião e numa nova relação. Frequenta uma igreja evangélica em Pretória, onde atua como voluntário, ajudando a organizar o estacionamento e a servir café. Foi neste círculo que conheceu Rita Greyling, com quem terá formalizado a relação ao comparecerem juntos no casamento de uma das suas irmãs.
Apesar de encontrar alguma aceitação na sua congregação, a sua presença continua a gerar repulsa na sociedade. A família de Reeva Steenkamp nunca aceitou a sua versão dos factos, segundo a qual disparou através da porta da casa de banho por pensar que se tratava de um ladrão. A justiça sul-africana acabou por condená-lo por homicídio, revertendo uma sentença inicial por homicídio culposo.
Barry Steenkamp, pai de Reeva, chegou a encontrar-se com Pistorius na prisão, pedindo-lhe que admitisse ter disparado contra a filha num acesso de raiva, mas o ex-atleta manteve a sua história. Barry, que faleceu em 2023, declarou na altura: «Estava a perder o meu tempo. Ele é um assassino». A mãe, June Steenkamp, resumiu a dor da família ao afirmar que nenhum tempo de prisão pode ser considerado justiça quando a pessoa assassinada nunca mais voltará.