Shilton nunca perdoou Maradona pela 'Mão de Deus': «Foi um choque»
Passaram 40 anos, mas Peter Shilton não esquece. Aos 76 anos, o antigo guarda-redes inglês continua com a famosa mão de Deus atravessada. Para o ex-jogador, o famoso golo com a mão no Argentina-Inglaterra, dos quartos de final do Mundial 1986, no México, não tem desculpa.
«Quando, após um erro de Hoddle, a bola veio na minha direção, corri para a área e saltei para a afastar com um soco. Tinha a certeza de que conseguiria, arranquei antes de Maradona. Depois, vi-o saltar e levantar a mão para se antecipar a mim», recorda Shilton sobre o lance de 22 de junho de 1986.
A sua reação e a dos seus colegas foi imediata, mas em vão: «O árbitro e os seus assistentes foram os únicos naquele estádio que não viram o toque de Maradona com a mão. Fiquei em choque. O árbitro recusou-se a admitir o erro.»
Apesar da mágoa, Shilton reconhece a genialidade do argentino, que minutos depois marcou o «golo do século». «É um dos mais belos golos da história do futebol, tenho de admitir», confessa.
No entanto, a reconciliação nunca aconteceu: «Depois daquele jogo, nunca mais nos vimos ou falámos. Se ele ainda fosse vivo, imagino que as coisas entre nós não teriam mudado. Ofereceram-nos centenas de milhares de euros durante um dos últimos Mundiais para organizar um encontro e filmá-lo em exclusivo. Recusámos.»
Conflito à parte, Shilton lamentou a morte trágica do craque argentino, que partiu a 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, vítima de crise cardiorrespiratória associada a edema pulmonar — sete pessoas enfrentam julgamento, por homicídio por negligência.
«Tenho pena do que lhe aconteceu. Partiu demasiado cedo, ainda tinha muita vida pela frente. Não merecia um fim assim», declarou.