Pés no chão e objetivos na cabeça
A vitória das Fiji por 17-12 (0-9, ao intervalo), sem ponto de bónus ofensivo, frente à Geórgia (ponto extra defensivo), não afasta, para já, a Austrália do campeonato do mundo de râguebi - a acontecer será a primeira vez, em 10 edições, que os australianos serão eliminados na fase de grupos - e, quando poucos esperavam este desfecho, os números dão emoção adicional ao encontro entre a Austrália e Portugal, domingo (16.45) em Saint-Étienne.
«Ter os pés bem assentes no chão e os objetivos na cabeça. Não podemos exagerar naquilo que acreditamos, sabemos que para a Austrália - derrotas histórias diante Gales e Fiji e que nunca tinha perdido dois jogos seguidos nesta fase - não foi o Mundial que esperavam, mas ainda assim é uma das grandes nações do râguebi». Este é o ponto de partida para os lobos quando subirem ao relvado do Estádio Geoffroy-Guichard, para defrontar a poderosa, mas ferida no orgulho, 10.ª seleção do ranking mundial, assumiu treinador adjunto luso Luís Pissarra na conferência de imprensa realizada antes do duelo Fiji-Geórgia.
Após o captain’s run dos lobos, no mesmo local onde enfrentarão os wallabies, Pissarra não tem dúvidas. «Para acontecer coisas muito boas teríamos de fazer um jogo quase perfeito, com poucas falhas», asseverou. Tal como defendido na véspera pelo selecionador Patrice Lagisquet, recordou o poderio da Austrália e o estatuto de 16.º do ranking de Portugal. «Não podemos perder a noção. No arranque muitos perguntariam por quantos Portugal iria perder este jogo e quantas dezenas de pontos iriam marcar. E de repente… muitas questões se levantam», anuiu.
Para Luís Pissarra, a estratégia não tem segredos. «Necessitamos de permanecer humildes. O propósito é jogar o nosso jogo e ver o que acontece. Sermos competitivos, sabemos como queremos defender e como queremos atacar, descobrir as fraquezas do adversário, mas manter os pés bem assentes na terra e não pensar que temos a obrigação de vencer a Austrália», reforçou.
Para o primeiro embate de sempre entre as duas nações num campeonato do mundo, deixou uma garantia: «Não vamos mudar o nosso jogo». «Gostamos de ter a bola nas mãos, jogar rápido e não vamos mudar», anunciou. Sobre o «ataque» à equipa australiana, por parte da opinião pública e ex-jogadores, avisou: «Eles vão querer-nos atacar, temos de aguentar e ter tranquilidade no nosso jogo. Vão querer matar-nos, entre aspas. Compete-nos ser eficientes para suportar esse jogo».
Presente na conferência de imprensa, Rodrigo Marta, reforçou o objetivo pessoal e coletivo de uma primeira vitória portuguesa no campeonato do mundo de râguebi. «Não sei se vai ser contra a Austrália ou as Fiji, seria um grande sonho. Se acontecer frente à Austrália será porque trabalhámos muito bem esta semana, analisámos os pontos fracos e vamos atacá-los forte. Mas sabemos que eles vão fazer o mesmo, por isso, vai ser um grande encontro», antecipou o lobo com mais ensaios (27) por Portugal, embora permaneça em branco em França.
«Mentalmente, sei que se começarmos bem a partida e eles não conseguirem implementar o plano de jogo, ficarão nervosos. Vamos trabalhar os seus pontos fracos, que analisámos durante a semana. Ver se continuam lá. Se entrarmos na cabeça deles e ficarmos por cima no jogo, podemos avançar no marcador e, se possível, vencer», assumiu David Wallis, jogador que se estreia a titular por Portugal no França-2023.