Treinador do Benfica deixou elogios à exibição do avançado grego

Pavlidis fala do Benfica, do futuro e de Mourinho: «É o melhor de todos!»

Ponta de lança grego continua entusiasmado nas águias

Numa entrevista exclusiva ao Fosonline, o avançado grego Vangelis Pavlidis abordou a sua carreira, a seleção nacional, a escolha pelo Benfica, a colaboração com José Mourinho e a sua admiração por Harry Kane, deixando ainda uma mensagem sobre o futuro do futebol helénico.

Sobre a mudança do AZ Alkmaar para o Benfica, em 2024/25, o ponta de lança dos encarnados fala de um passo ponderado. «Trabalhei e esforcei-me muito nos últimos cinco anos. Tenho sorte de estar agora numa equipa enorme como o Benfica, mas também por ter jogado antes no Alkmaar, uma equipa muito ofensiva que me ajudou a marcar e a evoluir», explicou. «O Benfica era a equipa para onde queria ir e acreditava que seria o melhor passo para a minha carreira. Como se veio a provar, foi algo muito positivo para mim e uma decisão verdadeiramente correta.»

«Nunca pensei nas ligas para fazer a minha escolha. Olho para a equipa que me quer, se é que aparece alguma. Tive outras propostas antes do Benfica, mas decidi ir para lá. Não preferi o Benfica por causa da liga. Foi a dimensão do clube que pesou na minha escolha», sublinhou.

O avançado reforça que a sua decisão será sempre desportiva e não financeira. «Escolhi o Benfica porque me ofereceu um plano melhor, experiência e, acima de tudo, perspetiva. Sabia que ia jogar na Liga dos Campeões, sabia que ia lutar por títulos. Foi por isso que fui para lá», acrescentou.

Sobre a experiência de trabalhar com José Mourinho, depois de ter sido orientado por Bruno Lage, Pavlidis é direto e não poupa nos elogios. «Special One! Não há muito mais a dizer sobre o Mourinho. Apenas duas palavras… Ele tem paixão pelo futebol. Ama o desporto, ama os seus jogadores, é sempre honesto. Sabe e entende tudo sobre futebol e como gerir as suas equipas. A carreira dele fala por si. É um treinador de outro nível, é o melhor de todos», declarou.

Pavlidis tem contrato com o Benfica até 2029 e uma cláusula de rescisão de 100 milhões de euros. Despertou a atenção de clubes de grande dimensão na Europa, mas não descarta para o futuro uma presença na liga grega. «Nunca se sabe o que vai acontecer. No futuro, talvez. Veremos. Claro que vejo o campeonato grego, acompanho as equipas e os meus colegas de seleção», concluiu.

A SELEÇÃO

Sobre a dolorosa eliminação do Mundial, o jogador do Benfica prefere olhar em frente. «A eliminação doeu. A todos nós e a cada um individualmente. É algo que aconteceu há três ou quatro meses e não podemos continuar a pensar nisso. Esqueço e sigo em frente», afirmou, sublinhando a importância de aprender com os erros. «Analisei o que podia melhorar, tanto eu como toda a equipa, e continuamos. No futebol, haverá dias bons e maus».

Pavlidis destacou ainda o forte compromisso dos internacionais gregos, mesmo após o desaire na qualificação. «A seleção está sempre acima de tudo. A nossa presença e a nossa vontade, mesmo depois de uma eliminação e no final da época, mostram o quão unidos estamos como equipa e até onde queremos chegar», concluiu, revelando que, apesar de alguns jogadores estarem doentes ou com pequenos problemas físicos, como ele próprio, todos fizeram questão de marcar presença.

A seleção está sempre acima de tudo.

O internacional grego estabeleceu um paralelo com as suas experiências nos campeonatos neerlandês e português, onde, segundo ele, os jogadores locais são prioritários. «Nos campeonatos em que joguei, o neerlandês e o português, os jogadores neerlandeses e portugueses sempre tiveram prioridade nas equipas. Os clubes nessas ligas apoiam-nos muito, e é assim que deveria ser também na liga grega», afirmou, lamentando que o mesmo não aconteça na Grécia. «Infelizmente, é algo que não acontece nem na primeira nem na segunda divisão», acrescentou.

Pavlidis sublinhou ainda uma contradição no futebol grego: «Não se esqueçam do que acontece nas nossas grandes equipas. Os futebolistas que vão para o estrangeiro e protagonizam as transferências mais caras são os gregos. E isso diz alguma coisa...».

A REFERÊNCIA

O avançado grego, um dos melhores marcadores da Europa, não tem dúvidas sobre quem é a sua referência na posição. «Acredito que o Kane é fantástico. Faz muitas coisas durante o jogo. Não se limita a marcar. Pressiona, cria, abre as defesas adversárias, faz tudo», afirmou Pavlidis, que, apesar de reconhecer semelhanças no estilo de jogo, recusa comparações. «Claro que não me posso comparar com a classe deste futebolista. Para mim, o Kane é o melhor ponta de lança da Europa. Os números provam-no, mas não são só os números. É a forma como joga e contribui para a sua equipa.»

O CRÍTICO MAIS EXIGENTE

Apesar de uma carreira recheada de sucessos, o crítico mais severo de Vangelis Pavlidis continua a ser o seu próprio pai. O jogador revelou que até mesmo depois de marcar um hat-trick contra o Barcelona, ouviu reparos. «Sim, mas aquilo não fizeste bem, poderias ter feito melhor», recorda o avançado sobre as palavras do pai.

Questionado se o pai já tinha acalmado, Pavlidis respondeu com humor: «Não, ele nunca acalma (risos...). Faz sempre observações e quereria sempre algo mais, mas o meu pai é assim!».