Crystal Palace celebra a conquista da Liga Conferência - Foto: IMAGO

Não há Brexit no futebol, muito menos na hora da despedida em glória (crónica)

Crystal Palace vence o Rayo Vallecano e conquista a Liga Conferência. Foi o primeiro título europeu da equipa londrina. Oliver Glasner sai pela porta grande

No futebol não há Brexit, os ingleses mantêm o seu domínio na Europa. Como se não bastassem os tubarões, também as equipas de dimensão média dominam as competições menores da UEFA: depois de o Aston Villa ganhar a Liga Europa, o Crystal Palace venceu ontem o Rayo Vallecano, em Leipzig, e conquistou a Liga Conferência, o primeiro título europeu para a equipa do sul de Londres.

Foi um triunfo justo, porque a formação de Oliver Glasner tem melhores jogadores, mais possantes e dotados de melhor definição nos momentos de stress. Ainda assim demorou muito tempo até o Palace encontrar as zonas onde atacar os pontos fortes do adversário.

O Rayo, abnegado, nunca quis levar o jogo para uma dimensão física, mas de tanto os seus jogadores serem obrigados a correr atrás dos panzers dos ingleses haveria quebras de concentração: o primeiro foi no final da primeira parte, quando Wharton encontrou Mitchell sozinho na pequena área, num cruzamento de pé esquerdo, mas o ala cabeceou ao lado (um enorme desperdício)...

... já segundo deu em golo. Na sequência de uma entrada muito mais agressiva no segundo tempo, o Palace foi desbravando barreiras de pressão e o mesmo Wharton que minutos antes encontrara Mitchell na zona do golo decidiu ele, perante o espaço aberto, cavalgar metros até se encontrar à entrada da área para desferir potente remate que Batalla defendeu para a frente. A bola foi para o pior adversário possível: Mateta, o ponta de lança francês e um dos melhores marcadores da equipa, que só teve de empurrar para a baliza vazia.

O golo deixou o Rayo Vallecano sem rumo durante uns bons dez minutos, período em que o Crystal Palace podia ter marcado mais um ou dois golos, destacando-se o livre de Yeremi Pino nos dois postes (primeiro no esquerdo, depois no direito) e a grande defesa do guardião argentino ao remate de Mateta no interior da área.

Iñigo Pérez, o jovem treinador da formação espanhola, ainda tentou mudar alguma coisa: alargou o jogo, tentando usar mais os corredores para criar superioridade numérica, mas em boa verdade, apesar da boa organização e das iniciativas ofensivas que denotavam sistematização, faltou sempre qualidade técnica à formação espanhola, que nunca pôs o guarda-redes e capitão Dean Henderson verdadeiramente à prova.

Oliver Glasner despede-se assim em glória do Crystal Palace: conquistou a Taça de Inglaterra numa final frente ao Manchester City, ganhou a Supertaça ao Liverpool no início desta época e sai em ombros com a conquista da Liga Conferência. Nada mau para quem, em janeiro, acusou o presidente do clube de o ter abandonado após a saída de jogadores tão importantes como Eberechi Eze e Marc Guéhi. Nem o mais otimista dos adeptos acreditava que o pano caía em cima de um chão de ouro.

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