Pau Víctor calou o vulcão e Gorby atirou-lhe gelo (as notas do SC Braga)
Um minuto depois do golo do Benfica, entre os centrais, cabeceou vindo de trás após um centro açucarado de Víctor Gómez. A forma como apareceu, furtivo e sem os centrais darem por ele, mostra o quanto o ex-Barça pode ser letal — foi o seu 16.º golo numa campanha longa. Acima de todas as leituras que possam ser feitas sobre o momento do SC Braga, e do desgaste decorrente da longa e brilhante caminhada dos minhotos na UEFA Europa League, o espanhol aparece como a unidade que combina criatividade e dinamismo com um apurado sentido de baliza. À menor distração dos defesas não dá hipóteses. Se Gorby atirou gelo ao Benfica, Pau Víctor calou o vulcão da Luz que entrou em erupção com o golo de Rafa.
(7) Hornicek — Bela estirada a negar o golo a Rafa (33’), naquela que foi a primeira intervenção de risco do checo. Antes do intervalo ainda deteve um cabeceamento tímido de Barreiro. Aos 55’, nova intervenção decisiva a segurar o remate de Aursnes. Atento e reativo, já nada podia fazer no golo de Rafa e muito menos no penálti de Pavlidis.
(6) Lagerbielke — O joelho do sueco evitou o pior num remate de Schjelderup que ia colocar ainda mais pressão sobre Hornicek (25’). Com o bloco mais subido do SC Braga na 2.ª parte sofreu um pouco com o norueguês nas costas, ainda assim manteve-se firme, a dar o corpo às balas de Aursnes e companhia.
(5) Vítor Carvalho — Polivalente, voltou a ser chamado ao eixo, ocupando o centro na linha de três defesas – que eram cinco quando o Benfica atacava. Momento alto: o passe fantástico para Víctor Gómez assistir Pau Víctor no 1-1. Momento mais baixo: a grande penalidade cometida sobre Schjelderup.
(5) Lelo — Corte em cima da linha de baliza, com a cabeça, a desviar centro de Schjelderup. Nos primeiros 45 minutos teve vida relativamente tranquila, uma vez que os encarnados investiram mais no ataque pela esquerda, com o norueguês. Ficou condicionado com amarelo após carga sobre Rafa (57’).
(7) Víctor Gómez — Alguns problemas para travar Schjelderup e, em consequência disso, dificuldades em avançar no terreno para soltar os seus cruzamentos mortíferos. Mas isso foi no primeiro tempo, porque no reatamento, na resposta ao golo de Rafa, a assistência do espanhol para o compatriota Pau Víctor no empate foi perfeita.
(7) Gorby — Não se aventurou muito no ataque, a estratégia de maior contenção dos bracarenses impôs lei, ainda assim foi muito certinho a desarmar e, sobretudo, soube gerir o desgaste para estar em vários sítios a apagar fogos. Dissemos que não atacou muito? Quantidade não é qualidade e, no momento da verdade, já bem perto do fim, teve espaço para um remate em arco que o voo de Trubin não conseguiu impedir. Que golo fantástico de um jogador que deu muito de si.
(4) João Moutinho — Uma falha raríssima provocou a primeira explosão de alegria na Luz. O passe errado foi bem aproveitado por Prestianni, que depois assistiu Rafa para o golo inaugural. A dor do erro passou rápido quando Pau Víctor empatou logo a seguir.
(6) Tiknaz — Num jogo muito exigente, no qual o Benfica assumiu muitas das despesas de ataque, o turco teve de auxiliar Moutinho e Gorby na missão de manter o meio-campo robusto. No papel até seria a unidade que, pelo meio, podia furar com destino à área encarnada, mas foi, sobretudo, útil a fechar a porta ao Benfica.
(5) Gabri Martínez — Entrou cedo em ação, quando Schjelderup tentou servir Prestianni (2’). O corte providencial seria repetido mais tarde, aos 17’, quando, em fintas sucessivas, o norueguês voltou a invadir a área bracarense. Apesar destas ações defensivas, foi até o mais atrevido dos bracarenses na 1.ª parte, condicionando as subidas de Dedic. Menos efusivo no 2.º tempo, saiu aos 67’, rendido por Dorgeles.
(5) Fran Navarro — Muita entrega, batalhou com valentia entre os centrais, procurou também escapar para as alas e, ocasionalmente, aproximar-se de Pau Víctor. Saiu aos 74’ para entrar Zalazar, com essa nota de sacrifício, mas deixou sempre uma relação fria com a baliza de Trubin.
(5) Zalazar — Resguardado por causa de uma amigdalite, entrou a tempo de celebrar o golo de Gorby. Próximo destino, Alvalade? Ainda falta um jogo…
(5) Moscardo — Último trunfo lançado por Vicens. Em nove minutos, mais os descontos, ainda ajudou defensivamente a equipa.