Scolari com Cristiano Ronaldo (IMAGO)

«Parecia um cavalo»: Scolari lembra primeira convocatória de Cristiano Ronaldo

Recordou os primeiros passos do capitão na Seleção Nacional, desvendando como descobriu o então jovem talento do Sporting e abordando a relação especial que construiu com o astro luso ao longo dos anos

Na semana em que Cristiano Ronaldo se prepara para disputar mais uma eliminatória de um Mundial ao serviço da Seleção Nacional, Luiz Felipe Scolari recordou o início da caminhada do capitão na equipa das quinas.

Em declarações à Globo, o antigo selecionador português revelou os bastidores da primeira convocatória de Ronaldo, em 2003, poucos meses depois de ter assumido o comando de Portugal na sequência da conquista do Mundial 2002 pelo Brasil. Na altura, o astro luso era apenas uma promessa de 17 anos do Sporting, mas um relatório do adjunto Flávio Murtosa foi suficiente para convencer Felipão.

«O Paulo Bento era treinador dele nos juniores do Sporting e tinha falado dele ao meu diretor, Carlos Godinho, e que tínhamos de olhar para aquele jogador. Eu pensei: ‘Vou olhar para um jogador de 17 anos?’ A seleção portuguesa tinha o Quaresma, que jogava imenso, o Simão... Mandei o Murtosa ir vê-lo», contou.

«O Murtosa voltou boquiaberto: ‘Felipe, têm lá um cavalo, um jogador espetacular’. Perguntei quem era. ‘O Cristiano Ronaldo’. Surgiu uma oportunidade e ele foi convocado. No segundo jogo, marcou. Foi convocado pelas qualidades que tinha. O Cristiano é uma pessoa espetacular.»

Mais do que ter lançado Cristiano Ronaldo na Seleção, Scolari revelou que a relação entre ambos ganhou uma dimensão muito mais profunda em 2005, quando o jogador perdeu o pai, José Dinis Aveiro. O treinador brasileiro foi o responsável por lhe transmitir a notícia, numa altura em que a Seleção se preparava para defrontar a Rússia.

«Quando a notícia chegou até nós, ninguém sabia como lhe contar. E ninguém queria fazê-lo. Então disse que seria eu, porque sabia o que era perder um pai. Eu também tinha perdido o meu alguns anos antes. Foi muito difícil. Foi o momento que criou um vínculo entre nós, um vínculo que ultrapassa a relação entre treinador e jogador.»

«Depois de o pai dele morrer, dizia que eu lhe dava muitos conselhos como se fosse um pai. Ele começou muito jovem comigo na Seleção, com 17 ou 18 anos, e passou a chamar-me pai. A alcunha ficou até hoje.»

Sob o comando do técnico brasileiro, Portugal alcançou a final do Euro 2004 e as meias-finais do Mundial 2006, campanhas que ajudaram a afirmar Cristiano Ronaldo ao mais alto nível internacional.

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