Expulsão de Bednarek foi a nota de uma noite europeia amarga para os dragões - Foto: Imago
Expulsão de Bednarek foi a nota de uma noite europeia amarga para os dragões - Foto: Imago

Outro pecado capital e um dragão que nunca desistiu (crónica)

Se, na primeira mão, Martim Fernandes fez autogolo insólito, a expulsão de Bednarek, logo aos 8', deitou tudo a perder ontem. FC Porto respondeu com duas bolas à barra e espírito tremendo. Tombou com honra

Ponto final no sonho do FC Porto. A maldição inglesa não terminou ontem e os dragões foram eliminados nos quartos' da Liga Europa. Por culpa própria, sim, mas sem virar cara à luta até ao apito final em Nottingham. Por outro lado, a esperança não chegou para tapar os erros e a equipa de Francesco Farioli tombou mesmo.

O treinador italiano apostou na rotação habitual e mudou seis peças em relação à vitória no Estoril e a verdade é que os portistas entraram fortes no City Ground, com a primeira oportunidade a surgir ao segundo minuto. Bola longa, Moffi a furar e a deixar primeiro aviso. Salvou Ortega. Um arranque tirado a papel químico da 1.ª mão, com o nigeriano a esbanjar. Até no que viria pouco depois...

No Dragão, o pecado capital surgiu aos 13', ontem foi cometido aos 8'. Bednarek entrou com dureza sobre Chris Wood e Danny Makkelie, alertado pelo VAR, foi ver as imagens, expulsando o central polaco. Sem que nada o fizesse prever, ficou tudo muito complicado para a equipa de Francesco Farioli. O Forest capitalizou rapidamente a inferioridade numérica lusa, com ataques rápidos. E só foi preciso esperar 4 minutos. De uma saída após perda de bola de Alberto, nasceu o 1-0: aos 12’, Gibbs-White foi por ali fora, rematou e Diogo Costa acabou traído por desvio de Pablo Rosario.

Era a pior sequência possível de eventos para o FC Porto. Como se não bastasse, Wood saiu lesionado e entrou Igor Jesus, o que não foi propriamente uma boa notícia, pois o brasileiro foi somando oportunidades. O FC Porto estava a ser completamente engolido pelo futebol veloz dos anfitriões. Farioli, por sua vez, confiava nos que ficaram em campo, mas rapidamente se percebeu que era impraticável jogar com miolo de dois homens.

As ameaças foram-se sucedendo, umas mais a sério do que outras. O técnico portista não mexeu até ao intervalo e até se deu por sortudo por lá chegar com apenas um golo de diferença no marcador.

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Estava a guardar tudo para o intervalo: tirou Alberto, Zaidu, Gabri Veiga e Borja Sainz, lançou Moura, Kiwior, Froholdt e Alan Varela. O segundo tempo começou com um livre de William Gomes, que ficou preso na barreira. A seguir, Diogo Costa evitou o 2-0, com excelente defesa a tiro de Igor Jesus.

O FC Porto conseguiu estabilizar, dentro do possível. O futebol já era mais pensado e fluído, com Varela a descobrir e fornecer linhas de passe. Hudson-Odoi, que entrou, foi o principal foco de problemas para os azuis e brancos, com Rosario a lateral-direito. Aos 57’, oportunidade de ouro para os dragões: excelente lance de envolvimento ofensivo, Fofana a cruzar e William, à boca da baliza, a acertar com estrondo na barra.

O Forest continuou a privilegiar o contragolpe, mas o FC Porto ia fechando a tempo. A liderança de Thiago Silva foi crucial nesta etapa do encontro e Deniz Gul entrou como última cartada de Farioli. O Nottingham começou a ficar mais contido, Murillo e Hudson-Odoi saíram lesionados.

O dragão instalava-se no meio-campo anfitrião, mas a resposta ia sendo perigosa. Diogo Costa voltou a agigantar-se, aos 76’, perante Igor Jesus. Os dragões rejeitaram atirar a toalha, mesmo perante (tremendas) dificuldades. Fofana ameaçou, Varela enviou nova bola à barra (!). William acabou a dar as últimas e foi o reflexo de uma equipa que não baixou os braços perante um cenário que, bem cedo, chegou a ser dantesco. Foi até à última, mas... não deu mesmo.

Conclusão: o FC Porto diminuiu drasticamente os erros grosseiros em relação à última época, mas esta eliminatória concentrou-os de forma… inapagável. A história europeia do dragão terminou com uma honra manchada por dois pecados capitais — um em cada mão —, que, aliados à ineficácia no primeiro jogo, ditaram a eliminação. Não era a Champions, mas, na Liga Europa, cada pormenor também conta. Ninguém é infalível e Bednarek provou isso mesmo. Foi a sorte do Nottingham Forest. Para os portistas, há duas frentes vivas: campeonato e Taça.