Óscar só deu uma 'casa', mas lobo tomou o Castelo (crónica)
Na famosa história do Capuchinho Vermelho, o lobo queria a boca grande para… «comer melhor». Na alcateia arouquense, todavia, é diferente: a boca grande é para sorrir melhor! E foi mesmo com uma grande e bela curva no rosto que o Arouca deu início a este campeonato, depois de vencer no sempre difícil Estádio D. Afonso Henriques.
Que saudades tínhamos disto! Sim, da Liga, naturalmente, mas não só… Saudades deste tipo de ambientes como aquele que se vive no reduto minhoto (e não podemos afirmar isto assim em tantos). Foi, precisamente, empolgado pelas suas bancadas que o Vitória de Guimarães somou as primeiras oportunidades do encontro, logo a abrir a partida: aos 2’, Maga cruzou pela direita, mas Alioune Ndoye cabeceou para fora (voltaria a repetir semelhantes gestos ao longo do encontro...); aos 4’, Gustavo Silva não chegou a um belo lançamento (pelo meio) de Beni.
Foi mesmo esse acerto e as más decisões em frente à baliza que faltaram aos conquistadores, porque, de resto, o domínio foi bastante evidente. Também Oumar Camara, aos 44’, à semelhança dos colegas da frente, foi bastante perdulário, num lance em que, tendo aparecido muito bem ao segundo poste (pela esquerda), rematou a bola muito por cima
Tiago Margarido muito havia falado, antes do confronto deste sábado, do «ADN» que quer «reavivar» no Berço. A verdade é que atitude não faltou, mas a carência de fome em frente à baliza foi inegável (e reconhecida pelo próprio técnico).
E…, quando se fala em fome, já se sabe que poderá haver sempre algum lobo aí à espreita. Foi o da Serra da Freita a aproveitar um erro clamoroso de Óscar Rivas, já no segundo tempo, para desfazer o nulo no marcador. Aos 53’, numa saída de bola dos vimaranenses, o referido defesa-central recebeu o esférico pela direita, mas entregou-a, de imediato, a Djouahra (atleta da equipa adversária, recorde-se…). O extremo entrou na área e serviu Iván Barbero que fez o que melhor sabe. Ao receber a bola, o espanhol, com a frieza habitual, rematou, de primeira, para o 1-0. Se Óscar Rivas tivesse lido o Capuchinho Vermelho, já sabia que não se podem dar casas a lobos…
O tento dos forasteiros não fez, porém, esmorecer os anfitriões, que continuaram a somar oportunidades. Só que... muita uva, pouca parra e o desperdício enervava cada vez mais a equipas e os adeptos, que, pelo ambiente que criaram, não mereciam tal desfecho.
O capitão dos vitorianos é um líder em todos os sentidos. A orquestra da qual Samu é responsável não afinou a dianteira como devia, mas não foi pela falta de oportunidades que o médio ajudou a criar. Este motor joga e faz jogar e, mesmo quando a equipa apresenta um futebol menos bonito, está lá ele para dar uns retoques. Na terceira temporada de Rei ao peito, não é de estranhar a adoração que tem.
As notas dos jogadores do Vitória de Guimarães: Oliwier Zych (5); Maga (5), Óscar Rivas (3), Thiago Balieiro (5) e João Mendes (5); Beni (6) e Gonçalo Nogueira (5); Gustavo Silva (4), Samu (6) e Oumar Camara (4); Ndoye (4); Tony Strata (5), Telmo Arcanjo (4), Matija Mitrovic (4), Miguel Nogueira (4) e Lohann Doucet (-)
O extremo, de 26 anos, é o destaque do conjunto de Vasco Seabra. Já no ano passado o era e, por isso, os arouquenses devem tentar de tudo para manter o jogador. Foi ele que teve astúcia (como um lobo deve ter) para aproveitar a oferta de Óscar Rivas: não foi egoísta e serviu Iván Barbero. Voltou a estar em destaque aos 79’, com um grande remate em vólei que deixou as luvas de Oliwier Zych a arder.
As notas dos jogadores do Arouca: De Arruabarrena (6); Tiago Esgaio (5), Javi Sánchez (6), Jose Fontán (6) e Mateo Flores (5); Espen van Ee (5) e Taichi Fukui (5); Alfonso Trezza (5), Lee Hyunju (5) e Djouahra (6); Barbero (6); Lebedenko (4), Dylan Nandín (5), Gozálbez (5), Pedro Santos (5) e Diogo Monteiro (3)
Tiago Margarido, treinador do Vitória de Guimarães
Não era a estreia que pretendia. Fomos competentes, menos na finalização. Não podemos cometer aquele erro no golo. O Arouca fez golo sem ter criado chances. Depois voltámos a conseguir criar, mas a finalização voltou a não estar acertada.
Vasco Seabra, treinador do Arouca
É uma vitória fantástica a todos os níveis. Os jogadores tinham a noção da dimensão gigante deste estádio, ainda para mais com um treinador novo, que é excelente. Temos um espírito fantástico, quando defendemos, defendemos todos. Muito orgulho.
Gustavo Silva saiu de maca
Um mal nunca vem só... Esta velha máxima aplicou-se ao Vitória de Guimarães. Além de ter perdido o primeiro jogo da temporada (e logo em casa!), ainda perdeu Gustavo Silva por lesão.
No último minuto do jogo, o extremo vitoriano foi varrido por Diogo Monteiro, que foi expulso (segundo amarelo), na sequência desse lance. O atacante preparava-se para escapar pela esquerda, quando o defesa internacional sub-21 por Portugal deu uma forte pancada no joelho direito do brasileiro, que logo deixou bem evidentes as suas dores.
Mesmo faltando segundos para o apito final, Tiago Margarido mexeu na equipa e lançou Lohann Doucet. O avançado, de 27 anos, acabou por sair de maca, depois do término da partida.
No final, o treinador dos minhotos disse não ter informações detalhadas sobre a lesão do seu jogador — que, recorde-se, perdeu grande parte da época anterior devido a uma lesão muscular.