Rui Borges quer que a equipa desça à terra após a brilhante vitória sobre o campeão europeu - Foto: IMAGO
Rui Borges quer que a equipa desça à terra após a brilhante vitória sobre o campeão europeu - Foto: IMAGO

O segredo da vitória, elogios a Mourinho e novo objetivo: tudo o que disse Rui Borges

Treinador dos leões quer que a equipa desça à terra após a vitória épica diante dos campeões europeus. Destacou a coesão e paixão do grupo, as comparações com Mourinho, e aquilo que Luis Enrique não conseguiu fazer...

- O Sporting garante um lugar no playoff... e pode mesmo uma vaga direta nos ‘oitavos’. Qual o sentimento? 
- É de dever cumprido. Grande vitória. três pontos complicados, diante de uma grande equipa, sentimos muitas dificuldades, mas os jogadores tiveram o que pedi: coesão e paixão. Foi importante essa coesão ao longo de todo o jogo. Era a melhor equipa da Europa, muita qualidade individual e coletiva, sentimos dificuldades em ligar o jogo na primeira parte. Na segunda fomos mais audazes. Não falámos muito ao intervalo, mas era determinante colocar a equipa mais na frente, as substituições ajudaram, tivemos mais aceleração e criámos mais sentimento de perigo ao PSG. Alguma sorte nos golos, mas a sorte é algo que dá trabalho, mas defensivamente tivemos uma coesão infinita. Foi muito a imagem da amizade que este grupo tem, mas agora tem de descer à terra, vem aí um jogo difícil em Arouca e essa é a nossa verdadeira Champions

– Luis Enrique disse ser uma derrota muito injusta. Isso ainda valoriza mais a equipa? E o que pode dizer do momento de forma de Suárez?
- Sabíamos o que nos ia dar. Não me surpreende. Sabíamos o que ia dar e dá no campo, mas também em termos de personalidade e caráter. Disse-lhe hoje, e ele pode confirmar antes do jogo, que iríamos precisar muito dele, e não foi pelos golos, mas seria a imagem daquilo que fez, por exemplo, com o Bayern: um jogo para ligar, segurar, jogar com Trincão e Maxi. Fez trabalho extraordinário dento do que tem feito. Fez dois golos, mérito da equipa e a capacidade de acreditar dele...

- E Luis Enrique... 
- Entendo... fizeram um grande jogo, mas exceto os golos anulados, fizeram dois remates perigosos, andaram em cima de nós, mas o futebol tem várias estrategias. Na Liga, por exemplo, encontramos equipas de bloco baixos e temos de nos bater com elas. É mesmo assim. Dentro da nossa estratégia e armas que tínhamos não podia pedir mais. 

- Já passou fase seguinte. Isso vai obrigar a contratar mais reforços? E entre Suárez e Gyokeres? Quem é o melhor para si? 
- São os dois bons. Não há melhores... são diferentes. Goleadores natos de que não é possível comparar. Reforços? Isso não tem a ver com Champions. O Faye, que agora posso dizer que já assinou, e o Luís Guilherme são jogadores de futuro. Podem ajudar no imediato mas ainda mais no futuro. 

- Toda a imprensa europeia está a falar no Sporting... 
- É descermos à terra. Hoje somos os melhores amanhã os... piores. Queremos marcar a história do Sporting, hoje é dia de festejar, merecem, mas amanhã é descer à terra e pensar no Arouca. 

- Houve um treinador em 2004 que correu pela linha de fundo após vencer um campeão europeu. Hoje fez igual. Quer fazer um percurso idêntico a Mourinho? 
- Mourinho é referência para todos nós, as suas conquistas, a história do futebol. Para mim, se calhar, a maior referência. Naquilo que será o futuro... sou muito pés no chão. Ganhamos aos campeões europeus mas dou valor a quem joga e quem corre.  

- Como conseguiu ser um Sporting diferente, a ter de correr atrás da bola, a ser diferente...  
- É estar ciente da realidade e jogadores também. Não podíamos olhar e comparar o PSG com uma equipa do nosso campeonato. Pelos jogadores que tínhamos, o esforço  foi inexcedível. O futebol tem várias estratégias e não podemos sempre ser o Sporting de 60 por cento de posse e fazer muitos golos.   

- Esta foi uma resposta a quem diz que não ganha a jogos grandes?  
- Acho que não vão perguntar mais (risos). É ruido. É foco nosso trabalho e a resposta é mesmo essa. Mais desafiante? Temos tantos jogos, descansar, ver jogos, vídeos e explicar comportamentos. A preparação não mudou em nada aquilo que é outros jogos.  

- Foi a vitária mais saborosa da carreira? Nuno Mendes disse que gostaria de encontrar o Sporting na final. Isso é possível? 
- Só muda porque conseguimos o primeiro objetivo que foi o playoff mas agora há outro objetivo que é passar diretamente aos oitavos porque tira dois jogos ao calendário e prepara-nos mais para a exigência da época. A vitória mais saborosa foi na última jornada da época passada, diante do V. Guimarães que nos deu o bicampeonato.