Rui Borges na sala de imprensa da Academia Cristiano Ronaldo, em Alcochete - Foto: MIGUEL NUNES
Rui Borges na sala de imprensa da Academia Cristiano Ronaldo, em Alcochete - Foto: MIGUEL NUNES

O Rio Ave, o foco no 2.º lugar e o mercado do Sporting a pente fino, tudo o que disse Rui Borges

Treinador leonino fez a antevisão do jogo da jornada 33 com o Rio Ave, que se joga esta segunda-feira em Vila do Conde. Mas o tema dominante foi outro…

Está a acesa a luta pelo 2.º lugar entre Sporting e Benfica. Esta segunda-feira à mesma hora, 20h15, mas em locais diferentes — os leões em Vila do Conde com o Rio Ave e as águias na Luz com o SC Braga —, joga-se a entrada na UEFA Champions League à flor da relva, rivais com os mesmos 76 pontos mas vantagem encarnada no confronto direto.

Mas acesa está também a luta no mercado, Sporting e Benfica a desejarem os mesmos jogadores, Issa Doumbia do Veneza e Zalazar dos minhotos. Um dérbi fora de campo. Rui Borges foi questionado sobre o tema que, na Academia Cristiano Ronaldo em Alcochete, dominou a conferência de imprensa de antevisão do encontro com os vila-condenses. Eis tudo o que disse o treinador dos verdes e brancos:

— O que será preciso para manter a mesma bitola do jogo com o Vitória de Guimarães?

— Acima de tudo será preciso um Sporting exigente consigo mesmo, a perceber que ainda estamos na luta pelo 2.º lugar, que temos uma final da Taça de Portugal e que temos de criar essa exigência individual também para conseguirmos levar a melhor sobre o Rio Ave.

— Que Rio Ave espera?

— É uma equipa que, apesar de nos últimos jogos não ter tido os melhores resultados, tem feito uma muito boa segunda volta. É uma equipa tranquila, com a permanência garantida, e por isso não tem nada a perder. Acrescentou bons jogadores no mercado de janeiro, é muito física e competitiva. Com toda a certeza vamos ter dificuldades... Gostei muito de ver o Rio Ave em alguns jogos nesta segunda volta, sei que precisamos de criar a nossa exigência individual e coletiva até ao final da época porque temos objetivos para cumprir.

O mercado

Zalazar está apontado ao Sporting, a ganhar a corrida ao Benfica. Foi um pedido seu?

— Podem insistir nessas perguntas, porque tem se falado mais no mercado do que de outras coisas. Não vou falar de jogadores de outros clubes. Tenho três jogos pela frente e estou dentro de objetivos claros e parece que estamos em junho ou em julho… Não tem lógica estar aqui a falar de qualquer jogador, estou muito focado no nosso objetivo.

— E o regresso de João Palhinha seria uma boa hipótese ?

— Como é lógico, não vou estar aqui a falar do Palhinha. Percebo a vossa parte e entendo que o façam, mas não vou estar aqui a falar de jogadores que estão noutros clubes. Muito honestamente, ainda não sabemos o que será o futuro em relação a saídas, quanto mais a entradas… Estou muito focado nestes três jogos porque ainda nos dão muitas coisas e não podemos descuidar-nos, já nos descuidámos muito…

— Conta com Diogo Travassos, que se fala no negócio de Zalazar?

— É jogador do Sporting. Tem feito grande temporada e tudo indica que tem de se apresentar aqui no início da próxima época. A promessa é essa. É jogador do clube, tem feito uma grande época, com golos e assistências. Tem jogado numa posição que não é a dele de raiz, a extremo, a ala... mas tem tido o seu crescimento. Teve duas épocas muito boas na Liga e isso é muito bom para ele. É jogador de equipa grande e teve a capacidade de ganhar esse mérito. Estou feliz pela época que tem feito.

— Na hora das contratações, e tendo em conta as lesões desta época, a estrutura vai ter em conta o aspeto físico?

— Em relação a qualquer contratação, temos sempre em atenção o aspeto físico. Garantidamente que é estudado a fundo. Se calhar esse é até o primeiro parâmetro a ter em conta. O presidente já falou também, durante a cerimónia da minha renovação, que há coisas que não controlamos porque é impossível. No futuro, os clubes vão ter 40/50 jogadores, tendo em conta a quantidade de jogos. Tivemos muitas lesões traumáticas, que não foram musculares e que por isso não controlamos, e ficámos apeados de muita malta em momentos decisivos. Mas o Sporting não tem capacidade financeira para ter um plantel com 40 jogadores de nível idêntico. A parte que controlamos, qualquer jogador que entra no clube é passado a pente fino no que diz respeito ao passado relacionado com lesões. É dos primeiros parâmetros a ter em conta aqui e acho que em todos os clubes. São passados a pente fino. Tivemos lesões muito demoradas e que infelizmente não há nada a fazer.

— A qualificação para a Champions pode ter influência no mercado?

— Sim, acredito que isso é natural que aconteça. Liga Europa ou Liga dos Campeões… é natural que mude qualquer coisa, porque a parte financeira muda e não podemos fugir a isso.

— Fala-se muito em minirrevolução neste mercado. O Sporting está a preparar-se para isso?

— Revolução ou não é o mercado que vai ditar. Temos todos os jogadores, tirando o Morita, com contrato e estamos sempre atentos a ajustamentos. Agora, há jogadores que pretendem dar um rumo diferente, mesmo como o Morita, que termina contrato. Se calhar é um jogador que quer ter outro rumo, já está aqui há muitos anos... Dos que têm contrato, se calhar há um ou outro. Mas isso depende do que irá ditar o mercado. Agora, não vão sair só porque sim. Os clubes têm de chegar, dizer que querem e pagar, todos os jogadores têm cláusulas. Temos o plantel definido e já é à minha imagem. Em relação ao que sair, vai-se ajustando. E não só ao que sair, até porque queremos sempre ajustar numa posição ou noutra. Mas estamos sempre precavidos pelo trabalho do scouting.

Daniel Bragança entra na última temporada de contrato e ainda não renovou. Conta com ele?

— O Dani é um líder, é importante no grupo e tem contrato. Sobre a renovação, não passa pelo treinador… Há treinador, há direção, há jogador... vários fatores que têm de conjugar-se para haver uma renovação de contrato. É nosso jogador e contamos com ele para a próxima época. Veremos se acontece ou não.

O foco, os indisponíveis e a liderança num balneário

— Falamos muito de mercado mas há a luta pelo 2.º lugar e a Taça de Portugal. Como manter os jogadores focados quando se fala tanto em entradas e saídas?

— É pedir exigência, foco, rigor, profissionalismo. Era uma equipa que estava a lutar por tudo e agora já não pode ser campeã… É certo que ainda temos uma Taça e é preciso mantê-los ligados, porque há um desgaste mental e também físico. É um grande desafio mantê-los com o mesmo foco, ligados ao treino e na exigência máxima. Tem de passar muito por eles, mais do que a minha mensagem. Ficámos com o balão cheio, depois com o balão vazio... está bem que temos uma final e que eles chegarão lá bem ligados, mas é difícil. Nestes 15 dias foi difícil mantê-los ligados.

— E sente-os ligados, com o balão cheio?

— Sim, sinto, mas para os jogadores é natural que caia um pouco. Chegamos ao fim da época e estamos desgastados, eu também, com tantas conferências, tantas viagens... por mais que gostemos ou não, desgasta. São meses sempre nessa exigência máxima e é natural que eles sintam isso, principalmente depois do nosso objetivo máximo já não ser possível. Mas ainda estamos na luta pelo 2.º lugar, o que é importantíssimo para nós e eles sabem disso, mas até para eles individualmente acredito que seja difícil ter a energia a 100 por cento, não sei se é possível. Mas pelo menos tem de andar lá perto para continuarmos a lutar pelos nossos objetivos.

— Como está o boletim clínico, continua com Fresneda, Hjulmand, João Simões e Ioannidis?

— Continua tudo na mesma.

— Mais algum jogador?

— O Nuno Santos está em dúvida.

— Falemos de liderança. Ainda agora vimos o que se passou no Real Madrid… Quais os maiores desafios dum treinador para manter o grupo unido, sobretudo em momentos complicados duma época?

— Em clubes grandes, a dificuldade tem muito a ver com a gestão diária de tanto ser humano à nossa volta. Não são só os jogadores e treinadores. O saber gerir isso, ainda por cima com o exemplo que deu… são jogadores com grandes egos, com futuro, passado e toda uma carreira que fala por eles, Às vezes é difícil de gerir. Acredito que esses problemas aconteçam em todos os clubes, não com essa gravidade… O maior ganho que um treinador pode ter é ver que todos os jogadores revêem qualidade no colega, ninguém tentar sobrepor-se. Enquanto treinador do Sporting, tenho a felicidade de ter um grupo que se respeita muito. A parte difícil de um treinador é conseguir lidar com tanta gente. No campo há tantos treinadores bons mas às vezes têm a outra parte, a de ganhar o respeito dos jogadores, com a tua personalidade e o teu caráter... se eles não acreditarem em ti, por mais bom treinadores que sejas, a mensagem vai entrar e passar… não fica nada. O maior desafio é cativá-los de alguma forma. Mas nesses contextos, lidar com os egos não é fácil. Mas faz parte.

— À imagem do Gonçalo Inácio, no último jogo, tem algum trunfo na manga guardado para o próximo jogo?

— Não há nada nesse sentido.

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