O predomínio do 'individual'
1.Novas dinâmicas
Roger Schmidt, pelo segundo jogo consecutivo, apostou num desenho tático com três centrais: António Silva, Otamendi e Morato. João Neves a fazer o corredor direito e Aursnes pela esquerda; no centro do terreno, Florentino e João Mário; Di María, Guedes e Rafa, na frente de ataque. Com a inclusão de João Neves e Aursnes nos corredores, o Benfica perde poderio ofensivo e velocidade, visto tratarem-se de jogadores com maior rendimento no sector intermédio. Assim, com esta alteração de posicionamento, e tendo em conta as características de ambos, a aposta é feita nos movimentos interiores para aparecerem em zonas de finalização mais centrais. No fundo, adaptam-se ao posicionamento dos jogadores da frente, umas vezes por dentro, outras por fora.Rafa juntou-se a Guedes, formando uma dupla com muita mobilidade e com capacidade para desequilibrar, embora, na primeira parte, tal não tenha acontecido.A turma encarnada revelou-se dominadora, na posse de bola, mas pouco acutilante, na hora de atacar a baliza. Utilizou bem a largura do terreno. Teve em Morato e Di María dois lances de perigo, mas esbarrou numa muralha defensiva, bem orientada por Moreno.
2., Segunda parte
Ao intervalo, troca de Guedes por Arthur Cabral. Esperava-se um Benfica mais forte, mais incisivo, com soluções diferentes na procura do golo, o que não aconteceu. Quando o coletivo não consegue resolver, as equipas grandes têm jogadores capazes de, individualmente, fazerem a diferença. João Neves, numa iniciativa desconcertante, consegue ir à linha de fundo cruzar, para remate de Arthur Cabral e confirmação de Aursnes. Em seguida, panálti discutível, sofrido por João Neves, e João Mário, da marca dos 11 metros, fez o resultado final: 0-2 para o Benfica.
3.Difícil lá entrar
O Chaves, jogando no seu sistema habitual, 5x4x1, deu o primeiro sinal de perigo no jogo, com remate de Sanca à malha lateral, mas remeteu-se ao seu processo defensivo. Organizado em bloco baixo, com pouco espaço entrelinhas, fechou bem os caminhos para a baliza. Concedeu pouco, mas foi insuficiente. Ofensivamente, viveu de iniciativas individuais. Na segunda parte teve duas oportunidades para marcar: remate cruzado de Sanca, com Trubin a desviar para canto; Langa, com um potente remate à trave, em resposta ao primeiro golo sofrido.
4. Destaques
João Neves fez a diferença em dois lances capitais: iniciativa pela direita, desenvencilhou-se dos adversários e cruzou para o que viria a ser o primeiro golo do Benfica; sofreu o penálti que deu o resultado final. Aursnes jogou e fez jogar. Teve inúmeras iniciativas pelo corredor esquerdo, apareceu em zonas de finalização e dinamizou, tanto quanto lhe foi possível, o ataque encarnado.João Neves e Aursnes são sinónimos de inteligência e qualidade técnica acima da média.