Rui Borges, treinador do Sporting, no Estádio Emirates (Foto: EPA/TOLGA AKMEN)
Rui Borges, treinador do Sporting, no Estádio Emirates (Foto: EPA/TOLGA AKMEN)

«O Peugeot andou ao mesmo nível do Mercedes»: tudo o que disse Rui Borges

Reação do treinador do Sporting à 2.ª mão dos quartos de final da Champions League, em conferência de imprensa

— Sente que o Sporting podia ter forçado o prolongamento e sente orgulho na equipa?

— A palavra orgulho é certa, por tudo o que fizemos nestes dois jogos com o Arsenal. Merecíamos pelo menos disputar o prolongamento, acho que as melhores oportunidades foram do Sporting nos dois jogos. Batemo-nos de cara a cara com uma das melhores equipas da Europa. Foi uma demonstração de carácter, de força e da qualidade que têm. Mostrámos que também somos os melhores.

— A estratégia do Sporting era segurar o 0-0 e procurar uma oportunidade para depois atacar? E o que pensa do lance de Maxi Araújo, de potencial penálti?

— Não vou falar disso, é desvalorizar a capacidade e a qualidade que tivemos. Em termos de estratégia era simples, jogámos contra uma grande equipa. Ao mínimo espaço deixávamos a eliminatória fugir e em termos estratégicos a equipa foi fantástica. O Arsenal não nos criou muitas oportunidades. Com bola, era tentar não deixar partir o jogo. Queríamos estar instalados no meio-campo do Arsenal, porque é uma equipa que fica desconfortável sem bola, e termos ataques organizados com tempo para desgastar o Arsenal. O Sporting gosta de ter bola, de ter um jogo ofensivo e de posse e demonstrámos isso mesmo, e isso orgulha-me muito.

— Sente que podia ter sido mais ambicioso e já esteve na pensar nos próximos jogos com Benfica e FC Porto?

— Fomos muito ambiciosos nos dois jogos com o Arsenal, o que mostra a nossa ambição, que nunca nos faltou. Fomos muito ambiciosos e competitivos. Em relação o que vem pela frente, vamos pensar no próximo, que é o Benfica. Pensar no jogo com calma, o Benfica é uma equipa mais fresca porque está a jogar de semana a semana, mas em nossa casa e com os nossos adeptos, a energia deles será muito importante, apelo a que estejam ao nível da equipa, para fazermos um grande jogo e vencer uma boa equipa.

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— Fica frustrado com este desfecho? E como vai limpar essa frustração da cabeça dos jogadores?

— Não pode existir frustração nenhuma, tem de existir orgulho pelo que fizeram contra uma das melhores equipas da Europa. Há que recuperar e estarmos prontos para a exigência máxima do próximo jogo. Há que perceber que isto tem de nos alavancar para os próximos jogos, o nível de qualidade individual e coletiva não pode baixar.

— Como explica a solidez defensiva do Sporting e que dificuldades encontrou, em posse, sobretudo no meio-campo?

— O Arsenal tem uma das melhores linhas defensivas da Europa, centrais fortes em duelos, rápidos, o que condiciona muito o nosso jogo. Não somos uma equipa muito forte em duelos, somos uma equipa com muita qualidade com bola, temos alguns momentos em transição, mas não temos muitos jogadores para esse tipo de jogo. Batemo-nos contra uma defesa fortíssima, por isso era importante termos ataques demorados, instalar e arranjar o momento certo para entrar no bloco deles, mais do que entrar em duelos que íamos perder. O Suárez fez dois grandes jogos a nível físico, os dois centrais do Arsenal são dois animais, não no sentido literal, mas naquilo que dizemos no futebol. Em termos defensivos, não deixámos o Arsenal criar nada. Tínhamos a linha defensiva muito compacta, rigorosa, com superioridade numérica lá atrás, eles não arranjavam espaços para acelerar e criar espaços para golo. E não nos criaram qualquer perigo ao pé da baliza e a nossa equipa, nesse sentido, foi fantástica.

— Depois do que fez com o Vitória de Guimarães na Conference League e agora que quase levou o Sporting às meias-finais da Champions, sente começa a ganhar algum reconhecimento?

— Não vivo de reconhecimento, vivo do orgulho daquilo que faço. Estou aqui pelo trabalho desta equipa técnica, isso é que me orgulha e me define. O reconhecimento deixo para quem está de fora porque não é isso que me faz querer melhorar. Antes do jogo a minha equipa brincou, dizíamos que há oito estávamos a começar este caminho num campo sintético da AF Bragança, no Campeonato Portugal, e hoje estamos aqui. Fez-nos rir. O trabalho trouxe-nos até aqui. Não ligo ao reconhecimento, sou sempre uma pessoa equilibrada, humilde e tranquila.

— Que balanço faz desta campanha europeia?

— Muito positivo, marcámos a história do Sporting. E isto não é só uma valorização do Sporting, mas também há que valorizar o nosso campeonato, as nossas boas equipas, que têm grandes jogadores. Que esta caminhada valorize a todos, mais o Sporting, que fez esta caminhada, mas não só.

— O que precisa de mudar no futebol português, para que esta caminhada do Sporting passe a ser a norma?

— O futebol português está bom, às vezes nós é que não o valorizamos. SC Braga e FC Porto estão a fazer grandes campanhas europeias e isso valoriza-nos a todos e eu quero que eles ganhem, porque eu quero que ganhem sempre as equipas portuguesas. Somos um país pequeno, mas podemos lutar com países maiores. É isso que nos tem de orgulhar, é valorizar este jogo, o retângulo, isso é que tem de ser valorizado a toda a hora.

— Que impacto é que esta eliminação pode ter na equipa?

— Tem de servir de motivação e não de frustração, essa palavra não existe aqui. E tem de criar a responsabilidade de não baixarmos o nível, seja na Champions, na Liga ou na Taça, para estarmos sempre a um nível alto. É isso que têm mostrado e que têm de querer demonstrar nesta reta final de época.

— O que se passa com Pedro Gonçalves, que não parece estar nas melhores condições físicas?

— Para mim ele está bem, fez um bom jogo. A equipa até caiu um bocadinho depois de ele sair. Está à procura da sua melhor forma, mas fez um bom jogo e tem dado um bom contributo à equipa. E os números dele falam só por si e definem a importância que tem para a equipa.

— Acha que faltou sorte ao Sporting e que faltou mais cilindrada ao seu Peugeot, para andar mais tempo a 200 km/h?

— O Peugeot é subjetivo, o Mercedes pode ter mais cilindrada, mas o Peugeot andou ao mesmo nível do Mercedes. A equipa esteve acima da média, merecia mais. Não ligo muito a sorte ou azar, eu digo que a sorte dá muito trabalho. Tínhamos de ser mais eficazes, o Geny, em vez de mandar ao poste, devia metê-la dentro da baliza, mas o futebol é isso.

— Pode partilhar a conversa que teve no final do jogo com Mikel Arteta?

— Desejei-lhe sorte para os grandes desafios que tem pela frente. Têm agora este jogo com o Man. City e as meias-finais da Champions, onde acho que qualquer equipa é candidata a ganhar a prova. Enquanto pessoa que gosta de futebol, vou desfrutar de ver esses jogos. Nós queríamos estar nas quatro melhores equipas, mas estamos muito orgulhosos por estarmos nas oito melhores.

— Já pensa na próxima época com saídas e entradas de novos jogadores, possivelmente do Altimira?

— Não vou falar em nomes que não fazem qualquer sentido, porque já começaram a falar de muitos nomes. A próxima época está a ser preparada com muita comunicação, tranquilidade, mas a grandeza é o Sporting, não os jogadores ou o treinador, estes mudam e o clube continua grande. A próxima época está a ser preparada ao seu ritmo. Ainda temos muito que pensar nesta época e queremos muito lutar pelo campeonato e pela Taça.