Geny Catamo esteve perto de marcar no Emirates

Catamo ainda ameaçou acender o rastilho da esperança leonina (as notas do Sporting)

O Sporting perdeu a eliminatória em Alvalade, onde a linha que separou o sucesso do insucesso foi demasiado ténue. Em Londres, os leões fizeram um jogo corajoso, mas os ‘gunners’ provaram ser uma equipa fria, organizada e que sabe ter bola. Catamo esteve quase a obrigar Arteta a rever o plano, mas a bola bateu no poste…
O melhor em campo: Geny Catamo (7)
Foi chamado à dupla missão, que bem conhece, de ser lateral direito, numa defesa a cinco, ou médio ala, numa defesa a quatro. No aspeto defensivo, bateu-se sempre muito bem com Martinelli, e teve de aguentar situações onde as subidas de Hincapié fizeram dano aos leões. Haveria de pagar o preço do desgaste físico, sendo substituído por Quenda aos 71 minutos. Porém, a vantagem que o Sporting retirou dessa substituição (e da de Quaresma por Vagiannidis) não foi notória. Na retina ficou a belíssima execução do internacional moçambicano quando, solicitado ao segundo poste por Maxi Araujo (43), rematou de primeira fazendo a bola beijar a base do poste direito da baliza de Raya. Um daqueles lances de ‘quase’, sendo que essa palavra não existe no futebol. Ou é, ou não é. 

Rui Silva (6) — Um jogo, provavelmente, muito calmo do que o esperado, para o guarda-redes do Sporting, que ‘apenas’ teve de demonstrar competência ao longo dos 90 minutos, sem nunca se deixar influenciar pelo ambiente, para manter a sua baliza a zeros. No lance, na sequência de um canto da direita, em que Trossard cabeceou, sem marcação, à trave, não tinha hipótese de evitar o golo. Mas remate na trave não é remate enquadrado…

Eduardo Quaresma (6) — Foi o espelho de Catamo, porque, ao contrário do moçambicano, atuou como lateral direito numa defesa a quatro, e central numa defesa a cinco. Bem na luta com Martinelli nos lances de um-contra-um - testes à velocidade de ponta -, Quaresma deu  profundidade à defesa do Sporting sempre que os leões subiram o bloco (e não foram assim tantas as vezes).   

Diomande (6) — Reatou no Emirates os duelos de Alcochete com Gyokeres, com grande vantagem, já que colocar o sueco como ‘target player’ vai contra aquilo que de melhor pode oferecer e torna-o presa fácil de uma marcação atenta. Apenas teve um lance de maior aperto, quando, aos 85 minutos, Gabriel de Jesus lhe trocou as voltas. Acabou a ponta-de-lança, com Suárez e nel, quando o Sporting andava à procura do ‘hail mary’ salvador. 

Gonçalo Inácio (6) — Está um defesa-central de gabarito internacional.  Além de defender bem (apenas um deslize, sem consequências), revelou uma qualidade superlativa nos passes frontais que colocaram Pote e Trincão em situações invejáveis, entre linhas. Também revelou um bom jogo de rins e capacidade de dar profundidade à defesa.

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Maxi Araújo (6) — Teve em Madueke um adversário muito difícil, a quem ganhou a maior parte dos lances. Quando entrou Dowman, a vida não ficou mais fácil, mas o internacional uruguaio aguentou-se bem. E não foi nada irrelevante do ponto de vista ofensivo, com cruzamentos, uma para Pedro Gonçalves (por cima) e outro para Catamo (ao poste) que geraram situações de aflição no derradeiro reduto dos ‘gunners’.  

Morita (6) — O mais esclarecido dos médios leoninos. Sóbrio, com uma excelente percentagem de passes certos, o internacional nipónico foi o pêndulo que deu equilíbrio à equipa do Sporting.  E nas transições ofensivas, sempre que a bola passou por ele, os lances foram mais ‘límpidos’. Rui Borges saberá por que razão que o tirou (física?), mas a equipa, sem ele, não foi mais forte.

Hjulmand (5) — Talvez quem o tenha visto jogar pela primeira vez tenha apreciado o jogo que fez de uma forma mais benévola. Porém, que o vou em ação muitas e muitas vezes, sabe que o cpitão do Sporting não foi o dínamo a atacar e o polvo a defender de outras jornadas. Quando Morita saiu, era Hjulmand quem estava com sinal menos.  

Trincão (6) — Belo jogo daquele que é, hoje em dia, o ‘playmaker’ do Sporting. Generoso, defensivamente, nos momentos de saída de bola do Arsenal, Trincão andou, permanentemente, à procura de espaços entre linhas que ferissem o adversário, revelando qualidade sempre que a bola lhe chegou. Ainda chegou a assustar numa boa meia-distância (18), mas é possível dizer que estamos perante um jogador que a cada dia cresce em influência na manobra do Sporting.

Pedro Gonçalves (4) — O herói da eliminação do Arsenal pelo Sporting, passou ao lado deste jogo. ‘Pote’ nunca se mostrou confortável nos confrontos, especialmente com Gabriel Magalhães, revelou-se desinspirado nas tentativas de remate-passe (a sua imagem de marca) tentadas e acabou por ser a unidade em menos evidência dos leões.

Luis Suárez (5) — Valeu, sobretudo, pela forma como se entregou a um jogo de sacrifício, com pouca bola e muito trabalho. Ainda teve uma tentativa de golo (15), mas a noite não esteve propícia, por falta de municiamento e espaço, a grandes cometimentos.  

Quenda (3) — Uma prestação cinzenta, na cidade de vai acolhê-lo em breve. Está ainda sem ritmo e pouco acrescentou.

Daniel Bragança (4) — Deu mais lucidez que Pedro Gonçalves, mas não foi capaz de fazer a diferença, numa altura em que o Arsenal já jogava com gelo nas veias. 

João Simões (4) — Pertenceu-lhe o derradeiro remate do Sporting, mas a bola saiu à malha lateral. Teve grande dificuldade em soltar-se da pressão que as linhas apertadas do Arsenal provocavam.

Vagiannidis (3) — Acrescentou pouco, numa altura em que era complicado passar por uma equipa tão organizada (e que mostrava respeito pelo Sporting), como a de Mikel Arteta. 

Rafael Nel (3) — Deu maior presença na área arsenalista ao ataque leonino, e pouco mais. Também não teve tempo para mais.