Desporto universitário promove a inclusão - Foto: D. R.
Desporto universitário promove a inclusão - Foto: D. R.

O milhão de euros que falta à saúde mental

'Tribuna Livre' é um espaço de opinião em A BOLA aberto ao exterior, este da responsabilidade de Diogo Salgado Braz, presidente da FADU Portugal

Olhar para as Instituições de Ensino Superior em Portugal é celebrar o sucesso dos nossos rankings académicos, a excelência da produção científica e as elevadas taxas de empregabilidade. Para elevar ainda mais este percurso de sucesso, temos a oportunidade de integrar uma dimensão igualmente importante da vida académica, que é o desporto universitário. Ao colocarmos o desporto de forma clara e ambiciosa no centro dos Planos Estratégicos das nossas universidades e politécnicos, estamos a dar um passo em frente na construção de uma academia mais completa, saudável e verdadeiramente focada no sucesso dos estudantes.

Para compreendermos o impacto real desta questão, basta fazermos as contas com base na realidade atual. Se uma instituição de ensino superior público canalizasse apenas 7,17% da propina anual de cada estudante para o investimento desportivo, estaríamos a falar de sensivelmente cinquenta euros por ano por aluno. À primeira vista, parece uma quantia modesta e perfeitamente comportável. Contudo, quando aplicada à escala de uma instituição de média ou grande dimensão com vinte mil estudantes, este pequeno teto percentual transforma-se num investimento massivo de um milhão de euros por ano.

O que se faz, afinal, com um milhão de euros anuais dedicados exclusivamente ao desporto? A resposta é simples e imediata, pois permite transformar radicalmente a experiência académica e a saúde de toda a comunidade. Com este orçamento, torna-se viável formar e contratar recursos humanos adequados, garantindo treinadores, fisioterapeutas e gestores desportivos qualificados para acompanhar os estudantes. Permite também criar e dinamizar ligas universitárias internas, alargando a prática desportiva para lá da competição formal e envolvendo o estudante comum em dinâmicas de campus saudáveis. Além disso, este montante serve para apoiar diretamente as associações de estudantes e académicas, fortalecendo o tecido associativo que tantas vezes assume sozinho, e com recursos muito escassos, a gestão do desporto.

Por fim, possibilita a construção e reabilitação de instalações, permitindo planear a médio e longo prazo para erguer ou modernizar pavilhões, ginásios e campos de forma gradual e sustentável. Isso possibilitaria que todos os estudantes pudessem utilizar as instalações desportivas ao longo do dia, determinados serviços e espaços.

Apostar no desporto é apostar diretamente na qualidade do próprio ensino superior, no bem-estar e na saúde mental. Num momento em que a saúde mental dos jovens universitários atinge níveis de alerta preocupantes, a atividade física surge como uma das ferramentas de prevenção mais eficazes de que dispomos. O desporto promove a inclusão, combate o isolamento, melhora a resiliência psicológica e fomenta hábitos de vida saudáveis que acompanharão estes futuros profissionais para o resto da vida.

O desporto universitário merece ser abraçado como uma das dimensões mais bonitas e estruturais da formação humana nas nossas academias. Canalizar uma pequena fatia das propinas para este fim não significa subtrair recursos, mas sim multiplicá-los de forma extraordinária na saúde, no bem-estar, nas infraestruturas e na coesão de toda a comunidade. É um convite para que os reitores e presidentes integrem esta visão de futuro nos seus planos estratégicos, demonstrando que com uma gestão sensível e inovadora é plenamente possível transformar pequenos contributos num legado marcante de felicidade e vitalidade para os nossos estudantes.

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