O jogador contratado por IA
Pedro Carreço, 18 anos, defesa-central brasileiro, foi titular em oito dos últimos nove jogos dos sub-19 do Académico de Viseu. Até aqui nada de especial.
Eis a novidade: o jogador, que começou na formação do Figueirense, de Florianópolis, contou com uma plataforma de inteligência artificial, a CUJU, para o sucesso no início de carreira.
De acordo com Daniel Nassif, empresário do jogador, os dados técnicos gerados pela tecnologia foram fundamentais para apresentar o perfil de Carreço ao mercado europeu e chamar a atenção do Académico de Viseu.
«O CUJU teve um papel importante na transferência do Pedro Carreço para o Viseu. Nós utilizamos a plataforma como ferramenta de avaliação e acompanhamento dos atletas, e no caso dele os dados de desempenho ajudaram a reforçar o potencial que apresentamos ao clube. O Pedro também teve destaque no projeto A Jornada, onde chegou às finais e mostrou um nível muito alto. Ele chegou ao Viseu logo após completar 18 anos, adaptou-se bem ao futebol português e já vem conquistando espaço e minutos em campo», afirma Daniel Nassif, empresário de Pedro Carreço, a A BOLA.
A Jornada, o projeto no qual Carreço se destacou, foi uma competição promovida pela plataforma no ano passado em diversas cidades de Santa Catarina, estado do qual Florianópolis é a capital. Nela, é criado um padrão objetivo para pontuar jogadores de acordo com o desempenho em exercícios de fundamento técnicos e de atuação dentro de campo, permitindo a comparação entre atletas de todas as partes do Brasil.
Ainda no Figueirense, o defensor destro de 1,85 metros, realizou testes técnicos padronizados por meio da plataforma, que avaliam controlo de bola, passe, coordenação e tomada de decisão. As métricas permitiram então o confronto direto com os dados de atletas da mesma faixa etária em diferentes países. E Carreço, por exemplo, destacou-se, sobretudo, no exercício pular, ao conseguir alcançar 2,92 metros. No Brasil inteiro, ele está em oitavo lugar nesta categoria.
A CUJU, aplicação que utiliza exclusivamente inteligência artificial para avaliar 150 mil jogadores ao redor do planeta, independentemente de género, origem ou história, conta com rankings ativos em dezenas de países e somava, segundo dados de junho do ano passado, 80 mil adolescentes que baixaram a aplicação só no Brasil.
Com apoio de técnicos certificados pela UEFA e cientistas desportivos, a aplicação diz que não vem para substituir o olhar humano mas para complementá-lo com dados precisos e comparáveis. O nome dela deriva de um antepassado chinês do futebol que se jogava na dinastia Han (202 AC a 200 DC).