O drama da ex-atleta olímpica inglesa: diagnosticada com doença rara e passa 22 horas por dia na cama
A antiga atleta britânica Beth Dobbin, que representou a Grã-Bretanha nos Jogos Olímpicos de 2021 (adiados de 2020 devido à pandemia de Covid-19), enfrenta uma dura batalha de saúde após ter sido diagnosticada com encefalomielite miálgica. A antiga velocista, que se retirou a 13 de abril, revelou em entrevista à BBC que passa atualmente cerca de 22 horas por dia acamada e totalmente dependente do apoio e dos cuidados da família.
Natural de Doncaster e com 32 anos, Dobbin construiu um percurso de destaque no atletismo internacional ao competir nos 200 metros e nas estafetas de 4x100 e 4x400 metros, tendo marcado presença em Jogos Olímpicos, Campeonatos do Mundo e Campeonatos da Europa de atletismo. No entanto, o rumo da sua vida alterou-se profundamente a partir de 2022.
Os primeiros sintomas manifestaram-se no inverno de 2021, no seguimento de infeções por Covid-19 e mononucleose infeciosa. Na altura, o rendimento na pista começou a cair, o padrão de sono aumentou consideravelmente e surgiram dores nos gânglios linfáticos do pescoço e das axilas. Apesar de ter continuado a competir durante algum tempo, o quadro clínico degradou-se até surgir o diagnóstico de encefalomielite miálgica — uma doença rara e crónica para a qual ainda não existe cura nem tratamento eficaz.
Esta patologia manifesta-se com intensidade variável, provocando esgotamento contínuo, dores, distúrbios de sono e dificuldades cognitivas e de memória. Pequenos estímulos do quotidiano, como uma conversa curta, luz intensa ou ruídos mais fortes, podem desencadear crises que se arrastam durante dias ou meses.
«Nem sei descrever o quanto isto me destruiu a vida. Sinto que perdi tudo. A minha família continua ao meu lado, mas perdi a independência, a saúde e a capacidade de trabalhar ou de treinar», confessou a britânica, detalhando as limitações físicas: «O simples facto de estar de pé durante algum tempo deixa-me completamente exausta, por isso prefiro ficar na cama apoiada em almofadas. Não significa que me sinta bem. Os sintomas não desaparecem, mas assim tornam-se minimamente mais suportáveis.»
Apesar do sofrimento e de admitir que uma conversa de trinta minutos pode deixá-la debilitada a longo prazo, Dobbin decidiu partilhar o seu testemunho para sensibilizar a opinião pública para uma condição frequentemente incompreendida.
«Não tenho vontade de falar sobre isto, mas sinto o dever de chamar a atenção para este problema. Muitas pessoas com esta doença dizem-me que ninguém acredita nelas e que os outros as consideram preguiçosas. A mim ninguém contestou o diagnóstico; caso contrário, porque haveria uma atleta bem-sucedida de abandonar o desporto ao fim de vinte anos? Tenho espaço para me expressar e vejo isso como a minha obrigação», afirmou.