Momento da substituição entre pai e filho

O dia em que um pai foi substituído pelo filho: a história dos Gudjohnsen

Em 1996, num jogo particular entre as seleções da Islândia e da Estónia, Eidur e Arnor Gudjohnsen entraram para a história do futebol

Há 29 anos, num simples jogo da seleção da Islândia, escreveu-se uma das histórias mais tocantes e únicas do futebol mundial. Pela primeira vez, um pai foi substituído pelo próprio filho num encontro oficial de seleções.

Arnor Gudjohnsen, então com 34 anos, era uma das figuras mais experientes do futebol islandês. Já no crepúsculo da sua carreira, representava ainda com orgulho o seu país. No dia 24 de abril de 1996, ao minuto 62 de um particular contra a Estónia, deu-se o momento inesquecível: o seu filho, Eidur Gudjohnsen, de apenas 17 anos, entrou em campo para o substituir e estreou-se pela seleção do país nórdico.

Ao descrever a sensação de jogar na mesma equipa que o filho, Arnor disse, numa entrevista em 2018, que foi um momento repleto de emoção: «Foi uma loucura olhar para o balneário e ver o meu próprio filho lá. Tentei ser um bom exemplo enquanto crescia e o melhor pai que podia ser, e ver o Eidur no mesmo balneário que eu deu-me um grande orgulho, pois mostrou que eu também tinha feito um bom trabalho ao criá-lo.»

Já Eidur disse que o facto de ter o pai presente ajudou muito: «Lembro-me de estar muito nervoso. Não só com a possibilidade de jogar com o meu pai, mas com a ideia de representar o meu país numa idade tão jovem. Ter o meu pai no balneário ajudou muito - ele era um bom exemplo e fez-me sentir à vontade. Ele fez com que tudo parecesse normal.»

Eidur e Arnor Gudjohnsen, em 2013 (Imago)

A substituição foi mais do que uma decisão tática - foi simbólica. Representou a passagem de testemunho entre duas gerações da mesma família. A emoção do momento foi sentida por todos os presentes, mas uma partida do destino impediu esta história de ser ainda mais mágica.

Destino cruel

Estava previsto que pai e filho partilhassem o campo num jogo seguinte. Era o sonho de ambos. Contudo, o destino foi cruel. Antes da oportunidade surgir, Eidur sofreu uma fratura grave numa perna e esteve afastado dos relvados durante algum tempo. Quando regressou à competição, Arnor já se tinha retirado do futebol internacional e Arnor e Eidur nunca chegaram a jogar juntos pela seleção. Apesar dessa ausência em simultâneo nos relvados, o momento permanece único e inesquecível.

Arnor foi um dos pioneiros islandeses no futebol europeu e desfrutou de uma carreira de sucesso, conquistando três títulos do campeonato belga, sendo o melhor marcador do Anderlecht na época 1986/87 e terminando como vice-campeão da Taça UEFA e da Taça dos Vencedores das Taças em 1984 e 1990, respetivamente. Com instinto de finalização e visão de jogo, foi internacional pela Islândia durante mais de uma década.

Arnor Gudjohnsen no Anderlecht (Imago)

Eidur, no entanto, teve uma carreira lendária no futebol, conquistando dois títulos da Premier League com o Chelsea, dois títulos da LaLiga e um título da UEFA Champions League com o Barcelona, além de ter jogado 88 vezes (26 golos) pela seleção de seu país. Com técnica refinada e inteligência tática, destacou-se como avançado e médio ofensivo, sendo a maior referências do futebol islandês.

Eidur Gudjohnsen no Barcelona (Imago)

A próxima geração

Mas a história da família Gudjohnsen no futebol e na seleção islandesa ainda está longe de terminar. A nova geração já está a dar cartas: os filhos de Eidur, Sveinn, Andri e Daníel seguiram as pisados do avô e do pai e também são futebolistas profissionais.

Sveinn Gudjohnsen (Imago)

Os mais velhos, Sveinn (27 anos) e Andri (23 anos), inclusivamente, já se estrearam pela seleção da Islândia. O primeiro, ponta de lança, atua no Sarpsborg, da Noruega, e soma 20 internacionalizações. Já o segundo, também ponta de lança, está ao serviço do Gent e regista 31 partidas pela seleção.

Andri Gudjohnsen na seleção islandesa (Imago)

Por fim, Daníel, o mais novo (19 anos), que está a dar os primeiros passos na carreira, com a camisola do Malmo.

Daníel Gudjohnsen (Imago)

Se conseguirem chegar perto dos feitos do pai e do avô, também eles terão um estatuto lendário na Islândia.