Rui Borges diz que o Sporting está a fazer «um grande campeonato»

Nuno Santos a bater à porta, a neve que não se treina e... Gyokeres: tudo o que disse Rui Borges

Treinador do Sporting abordou vários temos na antevisão ao jogo com o Arouca, após vitória épica na receção ao PSG, em jogo da Champions

- Foi uma semana de emoções fortes para os sportinguistas com a vitória frente ao PSG. Que trabalho tem de fazer para que os jogadores tenham os pés assentes na terra?

- É totalmente diferente. Contextos diferentes, a exigência será diferente, o adversário vai pedir outras coisas. É mostrar, tentar, com o diálogo, mudar esse chip que tanto falamos para as dificuldades do jogo em Arouca, que não terá nada a ver com o da Champions. Foram três pontos para outra competição, contra um grande adversário. Arouca vai ser diferente, o campeonato é que é a nossa Liga dos Campeões. Exigência grande, mau tempo, vamos perceber o que o jogo vai pedir. O estado do terreno, se vai chover, se vai estar temporal. São coisas que teremos de ter em conta para nos adaptarmos, mas os campeões são assim, têm de ganhar independentemente das circunstâncias.

- Agora que a saída de St. Juste é oficial, o que podia ter corrido de forma diferente com o jogador? Poderia ter sido opção esta temporada fruto das lesões?

- Não tenho de justificar nada. Correu bem para o St. Juste, foi bicampeão. Desejo-lhe a maior sorte do Mundo para aquilo que será o seu futuro. Foi um jogador importante, mas, neste momento, já não é jogador do Sporting.

- O que é que espera deste jogo tendo em conta as condições climatéricas? Está preparado, por exemplo, para jogar com neve? Faye já é opção? Há possibilidade de regressos de Pedro Gonçalves e Diomande, dadas estas condições é arriscado utilizá-los?

- Espero um jogo difícil. Vai ser algo que vamos ter de perceber mais em cima do jogo. As circunstâncias do jogo, do tempo. É um adversário com uma ideia muito vincada, o seu treinador é fiel a isso e bem, na minha opinião. É uma saída difícil, uma equipa que não sofreu golos nos últimos jogos. E isso dita o crescimento do Arouca ultimamente. Tem ido a um mercado mais específico e acredito que estarão numa fase melhor. Em relação aos jogadores, são jogadores que vamos perceber se faz sentido irem já para a convocatória. O Faye ainda não sabemos se é possível ou não. Pote e Diomande treinaram hoje e vai ser uma decisão a tomar.

- Está mais inclinado em poupar Pedro Gonçalves e Diomande para a Champions do que arriscá-los amanhã? Uma vitória em Bilbau pode ajudar o Benfica... Como vê isso?

- Em relação a esse cenário, o importante é ganhar ao Arouca, que é a nossa Champions. É um jogo, por tudo o que poderá acontecer ou não, dificílimo. Temos de ser capazes de dar resposta. Não estou muito focado no Ath. Bilbao. Poupar? Poupados estão eles, que não têm jogado. Olhamos é para o Sporting. Depois de passar o Arouca queremos fazer o nosso melhor em Bilbau para, se possível, passar nos oito primeiros e tirar dois jogos ao excesso do calendário.

- Acredita que a continuidade na Champions, ao contrário do que deve acontecer com o Benfica porque as coisas estão complicadas, pode dificultar as coisas para o Sporting no campeonato? Uma vez que as duas equipas são separadas por três pontos apenas.

- A Champions sobrecarrega o calendário, jogamos de três em três dias. Agora, temos tido alguns percalços em termos de lesões, mas os jogadores estão a voltar, o que torna o grupo mais compacto e forte. Queremos ter toda a gente disponível para nos mantermos competitivos. Queremos ganhar sempre. Se ficarmos nos oito primeiros em Bilbau tiramos dois jogos ao excesso de calendário e conseguimos treinar de forma mais normal, o que às vezes é necessário para evitar lesões. Com o grupo disponível, daremos resposta em qualquer jogo.

- Em que medida é que perdeu o sono quando perdeu o Gyokeres e depois foi apresentado um jogador que veio da segunda liga espanhola, do Almería [Luís Suárez], que não se sabia se ia resultar como está a resultar agora?

- Em junho foi quando dormi melhor [risos], estava de férias e com o sentimento de dever cumprido por ser bicampeão. Isso faz parte do futebol. Sai um grande jogador, entra outro. É o nosso trabalho encontrar soluções e valorizá-las. Temos conseguido encontrar jogadores que se identificam com o Sporting para continuar a dar resposta com títulos e qualidade de jogo. É uma saída natural que acontece milhentas vezes.

- Foi uma semana diferente porque o Sporting ganhou ao PSG. Foi muito cobiçado esta semana, o telemóvel tocou muitas vezes?

- Foi uma semana normal de um jogo de dificuldade grande. Para mim significa três pontos. Os amigos e a família mandam mensagens quando ganho ao PSG ou quando ganho ao Arouca. É exatamente igual. Mas, o que quero é que me mandem mensagem quando ganhar ao Arouca.

- Como é que se prepara um jogo para jogar na neve?

- Não se prepara, porque não temos neve aqui. Vamos ter que tratar da neve artificial [risos]. É uma questão de momento. Ainda hoje choveu torrencialmente no treino, a malta fica logo congelada e quer acabar o treino. Essa adaptação às circunstâncias é difícil para toda a gente, mas a ambição e o querer ganhar têm que estar acima de tudo. Se tiver de ser de fato de macaco, é de fato de macaco, se for de t-shirt e chinelos será de t-shirt e chineles. O grupo tem esse espírito de adaptação.

- Face ao campeonato que o FC Porto está a fazer, sente que o Sporting ainda terá oportunidade de agarrar o primeiro lugar?

- Claramente que sim. Estamos a fazer um grande campeonato em termos de pontos e golos marcados e sofridos. Apenas quem vai em primeiro está a fazer uma primeira volta extraordinária. Isso aumenta a nossa exigência, para sermos campeões, não chega ser como na época passada. Temos que ser extraordinários e superar-nos. Falta uma segunda volta toda e haverá jogos competitivos para todos. Temos que nos focar nos nossos jogos e ser perfeitos. Quem ganha no fim tem sempre mérito.

- Qual a importância do regresso do Hjulmand? Vai ser difícil escolher entre João Simões e Morita para o banco?

- O Morten é o nosso líder, nosso capitão e um exemplo. Ele transporta a equipa para a energia e dinâmica certas. Está num momento de forma extraordinário, melhor do que nunca. Ter todos disponíveis dá dores de cabeça, mas das boas. O João e o Morita fizeram os dois um jogo extraordinário contra o PSG. É sinal que estão todos ligados e que sentem que a equipa técnica confia neles.

- Nesta janela de transferências já recebeu dois reforços, até ao fecho, dia 3 de fevereiro, conta receber mais alguém ou perder algum jogador? E qual o ponto de situação clínica de Ioannidis e Nuno Santos?

- O Nuno acredito que poderá começar a treinar com o grupo na próxima semana. O Ioannidis é avaliado dia a dia, espero que esteja disponível até ao jogo com o Nacional, mas depende da evolução clínica. Quanto a reforços, espero primeiro que não saia ninguém [risos]. Chegaram dois extremos, estão motivados para ajudar. E apesar de serem diferentes, de nos darem soluções diferentes do que já tínhamos, é olhar sempre numa perspetiva de futuro. Claro que no atual também, mas mais de futuro, de ajudar no crescimento. Serão jogadores muito valiosos para nós e para o futuro do Sporting. Feliz pelos dois, estão ainda à procura de entender a equipa, o Sporting, a grandeza do clube e a exigência. Mas são dois jogadores felizes e muito motivados para ajudar.

- Os números mostram que Suárez já fez esquecer Gyokeres. Ruben Amorim chegou a dizer que a saída do sueco também não lhe tirava o sono. Você agora tem medo de perder o Suárez?

- Acredito que é um avançado para muitos anos, pelo menos para acabar a época [risos]. Não me tira o sono. Mas no futebol pode acontecer algo que ninguém está à espera. Mas se o Sporting achar que alguma coisa extraordinária vai acontecer e que não dá para segurar o Luis, arranjamos solução. Está o Ioannidis a vir aí já, é o que é. Sou muito simples nesse aspeto, não olho a esses lados. Não está um, está outro. Aqui é o Sporting e o Sporting terá sempre grandes jogadores, grandes treinadores e irá ganhar troféus mais vezes, independentemente das caras que aqui estão. É o Sporting, não é a individualidade. E comigo será sempre assim. Jogador importantíssimo, mas para mim ninguém é insubstituível. Todos são importantes e todos sentem que são importantes para o mister, jogando 10 minutos ou 90. Já mostrei isso, eles também já responderam. E é por isso que terei mais dores de cabeça com todos... Estou muito tranquilo em relação a isso.