Tomás Paçó destacou longevidade dos leões, faz juras de amor ao clube e relativiza comentários exteriores

«É um orgulho enorme envergar a braçadeira de capitão do Sporting»

Internacional luso não exclui fazer toda a carreira nos leões, relativiza desvantagem para o Benfica e brinca com a ideia de «fim de ciclo». Futuro aos verdes e brancos e à Seleção pertence

A edição transata do campeonato foi a primeira que Tomás Paçó não conquistou nos últimos cinco anos. Vencedor de 16 troféus em sete temporadas de leão ao peito, o sportinguista de coração destaca a durabilidade verde e branca, posta à prova por uma campanha perfeita do Benfica na Liga.

Do «fim de ciclo» ao futuro, o terceiro na hierarquia de capitães do Sporting explora a relação com o clube em entrevista a A BOLA.

— Quando começaste a jogar com oito anos esperavas que aos 25 anos fosses campeão europeu e mundial e ser, de quando em vez, capitão do Sporting?

— Não até porque quando eu jogava no GROB era só pela brincadeira, nem era para ser jogador. Sendo sportinguista, é um orgulho enorme poder envergar a braçadeira, com muito respeito ao Matos, que ainda lá está e é o nosso capitão e mesmo o Merlim, que é o nosso subcapitão. Sou o terceiro. Todo trabalho que eles não querem fazer, mandam-me e é o Tomás que faz. É um orgulho enorme e quando for aqui na Seleção, se acontecer, também vai ser.

— O Sporting está a seis pontos do Benfica, mas soma nove vitórias consecutivas por aí. Sente que a paragem para o Europeu acaba por surgir na melhor fase do clube na época?

—Não era este o cenário que queríamos estar, mas foi o cenário em que nos pusemos. Estamos cientes de qual é que é o nosso trabalho. Estamos num bom caminho, falta muito para jogar. Mas também não penso muito nisso, quero estar focado no Europeu. Toda a gente que está aqui nem pensa muito no campeonato neste momento.

—Já houve alguma picardia entre os jogadores do Sporting e do Benfica tendo em conta que se vão defrontar três vezes nos primeiros cinco jogos disputados depois do Europeu?

— Obviamente já falámos nisso, mas não há muita picardia, não se fala muito nesse assunto. Ninguém pensa em clubes. Ninguém está a pensar que 'sou do Sporting, ele é do Benfica, ele é do Rio Ave'. Somos todos Portugal agora e estamos todos focados num objetivo. Claro que essas brincadeiras já existiram, mas esquecemo-nos do que se passa no clube, mudamos o chip e focamo-nos muito em representar Portugal.

Tomás Paçó ao serviço do Sporting - Foto: IMAGO

—O que é que sentem quando ouvem alguém dizer Sporting está em fim de ciclo?

Quando o Zicky e eu subimos para seniores [2020/21], muita gente disse que era o fim de ciclo do Sporting, o fim da hegemonia. Disseram o que o Sporting desinvestiu e ficou com os mais novos. Nesse ano o Sporting ganhou tudo. O Cardinal lesionou-se, o Zicky teve a sua oportunidade e aproveitou-a tão bem como todos sabemos. Tal como o Góis pode aproveitar agora na Seleção. Ano após ano, tem vindo sempre essa conversa de fim de ciclo. Sim, há fim de ciclo para jogadores, como para toda a gente, eu vou ter o meu fim de ciclo. Mas a qualidade que o Sporting apresenta ano após ano é muito grande. As equipas da Liga Placard já não são as mesmas de há quatro ou cinco anos, evoluem, há mais profissionalismo, os jogos são mais difíceis e são mais. Entre Champions e taças fazemos muitos jogos e cada vez fica mais difícil ou cada vez há mais equilíbrio entre as equipas. No Sporting brincamos com o fim de ciclo, levamos isso como uma brincadeira porque não controlamos aquilo que os adeptos comentam, só os resultados. E lutamos todos os dias. Tentamos abstrair-nos disso tudo.

Quero voltar a estar lá em cima todos os anos

— Que objetivos é que ainda pretende concretizar?

— Conquistar tudo outra vez pelo Sporting e pela Seleção. Quero voltar a estar lá em cima todos os anos. Ganhei tudo pelo Sporting, ganhei tudo pela Seleção, mas o ano passado não ganhei o campeonato, já estou a falhar no meu trabalho. Luto todos os dias para ser melhor.

Tomás Paçó em entrevista a A BOLA - Foto: Miguel Nunes

— Pensa na possibilidade de rumar a outras paragens no futuro ou vê-se como um jogador de um só clube?

— Qualquer jogador que jogue no Sporting pensa que pode fazer a carreira toda ali. O Sporting é um dos melhores clubes do mundo no futsal e em muitas outras modalidades. Não há muitas mais opções para estares de uma forma competitiva no futsal. Há sempre o pensamento que podes ter experiências novas, mas o Sporting é o clube do meu coração e é um clube super estável e super confortável. Se estiveres a fazer bem o teu trabalho, o Sporting vai-te dar todos os meios para quereres continuar.

Primeira parte da entrevista a Tomás Paçó