Testemunho comovente após operação ao coração: «O destino foi cruel comigo»
O biatleta italiano Tommaso Giacomel foi submetido a uma cirurgia cardíaca de urgência após ter colapsado durante a prova de mass start nos Jogos Olímpicos. O atleta, que era uma das grandes figuras da época, viu a sua temporada terminar abruptamente, pondo fim ao sonho de conquistar a classificação geral.
O italiano tinha conquistado a prata na estafeta mista e liderava após o segundo tiro, terminando sem erros, assim como no primeiro, porém, na altura foi anunciada uma lesão no quadril que o impedia de esquiar normalmente. Enquanto muitos questionavam como Giacomel tinha perdido tantas posições em tão pouco tempo, o sinal acabou por chegar dos treinadores e o atleta foi levado para a clínica móvel montada no local da competição, onde os médicos realizaram um eletrocardiograma, tendo descartado complicações.
"Le sort s'est acharné sur moi" : le témoignage bouleversant de Tommaso Giacomel après son opération du coeur
— Sports Infos (@Sports_Infos_) March 9, 2026
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Biathlon - Arrivé aux JO avec le plein d'ambition, mais toujours bouleversé par le décès de Sivert Bakken, l'Italien a finalement terminé sa quinzaine aux urgences.… pic.twitter.com/tXGVlH7KZn
Porém, a realidade era diferente e, em declarações à cadeia televisiva norueguesa NRK, Giacomel recordou o episódio assustador. «O destino foi cruel comigo este inverno», desabafou o atleta, cuja vida pessoal já tinha sido abalada no Natal pela trágica morte do seu amigo norueguês, Sivert Guttorm Bakken.
❄️ Jeux Olympiques | 🇮🇹 Le biathlète italien Tommaso Giacomel opéré du cœur.
— francetvsport (@francetvsport) February 24, 2026
Le 2ème du classement de la Coupe du monde avait abandonné lors de l’épreuve de la mass start olympique, après avoir éprouvé des problèmes pour respirer.
"Juste après le tir, mon corps a d’une certaine… pic.twitter.com/EqgeXoOSFG
Apesar de um início promissor nos Jogos Olímpicos, com a conquista de uma medalha de prata na estafeta mista, a prova de mass start ditou um desfecho dramático. Quando liderava a corrida, o atleta de 25 anos desapareceu subitamente do grupo da frente. As câmaras de televisão mostraram-no a abrandar, a tocar no peito e, por fim, a sentar-se na neve, impotente.
«Senti o meu coração a bater descontroladamente. Começou logo após o tiro, o que não é normal. Tive a sensação de estar a sufocar, pois não conseguia respirar normalmente», relatou Giacomel. «Tentei esquiar muito devagar durante alguns minutos, mas não conseguia ir mais rápido e tive de parar. O meu corpo apoiou-me em muitas corridas, mas ali decidiu ceder. Vi muitas pessoas à minha volta aterrorizadas. Então, também tive um pouco de medo.»
🚨 #Biathlon Après son abandon sur la mass-start olympique, Tommaso Giacomel a été opéré du cœur. 🔽https://t.co/rGzGSw2Bn9
— Nordic Magazine (@NordicMag) February 24, 2026
Após o colapso, o biatleta foi transportado para Anterselva, de onde foi helitransportado de urgência para Bolzano e, posteriormente, transferido para o hospital Galeazzi, em Milão. Os exames médicos revelaram um distúrbio de condução elétrica na aurícula do coração, que exigiu uma ablação imediata – um procedimento que destrói a pequena área do coração responsável pela arritmia.
«O médico disse-me que eu tinha esta doença latente desde o nascimento, mas que geralmente não é detetada antes dos 25 a 29 anos», explicou o italiano. A cirurgia ditou o fim da sua temporada, apesar de os médicos terem sugerido um possível regresso para as finais de Oslo. Giacomel, no entanto, preferiu não arriscar: «Não quero participar numa competição sem ter a certeza de que estou em plena forma.»
🇮🇹 Suspected and now confirmed, Tommaso Giacomel suffered a heart arrhythmia during the Olympic Mass Start. He has had the ablation performed (same treatment as Ingrid Landmark Tandrevold). He won't return to training for 2 weeks as he recovers#biathlonhttps://t.co/AhGpbfQRfL
— Penalty Loop (@penaltyloop) February 24, 2026
Neste momento difícil, o atleta recebeu um forte apoio dos seus adversários, com destaque para a norueguesa Ingrid Landmark Tandrevold, que passou pela mesma cirurgia no ano anterior. «Quando me aconteceu, ajudou-me muito ouvir o testemunho de outros atletas. Pode ser muito angustiante. Foi o que lhe disse», partilhou a biatleta.
Atualmente a recuperar em Itália, junto da sua companheira e do seu cão, Tommaso Giacomel mostra-se resiliente. «Não sou do tipo ciumento ou frustrado, por isso vou apoiar os outros a partir do meu sofá», concluiu.