Nova pérola do ténis é filha de refugiados e bateu quatro vencedoras de Grand Slam
Victoria Mboko é canadiana, tem 18 anos, e apresentou-se definitivamente ao mundo na última semana com um trajeto irrepreensível que a levou a conquistar o WTA 1000 de Montreal, torneio no qual entrou graças a um wild card.
Mboko, que era 85.ª do ranking WTA, bateu na final alguém que cresceu a idolatrar, a japonesa Naomi Osaka por 2-6, 6-4 e 6-1, já depois de ter eliminado Sofia Kenin, Coco Gauff e Elena Rybakina, todas elas vencedoras de torneios de Grand Slam. Para encontrar um percurso semelhante de uma jogadora adolescente é preciso recuar a 1999, quando uma tal de Serena Williams também bateu quatro antigas vencedoras de Grand Slams para conquistar o US Open.
Youngest women in the Open Era to defeat four Grand Slam champions in a single tournament:
— Bastien Fachan (@BastienFachan) August 8, 2025
17 years 11 months - Serena Williams, US Open 1999
18 years 11 months - Victoria Mboko, Montreal 2025
HERSTORY. pic.twitter.com/JRYzv4oVs0
A jovem tenista que é filha de refugiados que fugiram da República Democrática do Congo na década de 90 encontra-se numa temporada de ascensão imparável, tendo iniciado o ano no 333.º lugar, ela que após o triunfo em casa irá subir até a posição 24.
História pelo Canadá
Desde 1970, Mboko é apenas a segunda jogadora local a conquistar o Open do Canadá, depois de Bianca Andreescu, que alcançou o mesmo feito em 2019. A adolescente foi também apenas a quarta canadiana a marcar presença nas meias-finais de um torneio WTA 1000, juntando-se a Helen Kelesi, Eugenie Bouchard e Andreescu.
De resto, o feito de Mboko fez até parar a final masculina, deixando incrédulo Ben Shelton, que haveria de conquistar o torneio.
On the court confusion 😆
— Tennis TV (@TennisTV) August 8, 2025
A special moment for Canadian tennis as the crowd hears news that Victoria Mboko has won the title in Montreal 🤩#NBO25 pic.twitter.com/56OgDcZX2t
A jovem é treinada por Nathalie Tauziat (58 anos), ex-tenista francesa que alcançou o 3.º lugar do ranking mundial e disputou a final de Wimbledon em 1998.
A mãe preferia que ela praticasse... boxe
O ténis não foi, contudo, uma escolha imediata. Na infância, em Toronto, a pequena Vicky não brincava muito com crianças da sua idade, mas praticava vários desportos. «Fiz ginástica, natação, futebol, basquetebol... A minha mãe queria que eu praticasse boxe», recordou ao L'Équipe em maio, defendendo que a prática de tantos e tão distintos desportos influenciou bastante a construção do seu estilo no ténis.
Para ela, porém, na sua cabeça o foco foi sempre apenas um: o ténis! Posição que era apoiada pelo pai.
Depois de fugir da República Democrática do Congo e do regime de Mobutu com a sua esposa no final da década de 1990, Ciprian Mboko, que não jogava ténis, mas adorava ver Andre Agassi, Jim Courier ou Steffi Graf, treinou todos os seus filhos. Os dois primeiros, Gracia e Kevin, jogaram numa universidade americana, o terceiro, David, teve de parar aos 16 anos devido a um problema num olho.
«Lembro-me de os ver a treinar todos juntos. Cresci, de certa forma, no court de ténis, os meus pais não me conseguiam tirar de lá», contou Victoria Mboko, que não esqueceu o primeiro e único jogo contra Gracia, a irmã mais velha: «Aconteceu num torneio local do meu clube, eu tinha 7 anos, ela tinha 17. Perdi por 6-0, 6-0».
«Detestava perder, mais do que gostava de ganhar»
Desde muito nova uma das características mais vincadas de Victoria era a sua veia competitiva.
«Desde criança, ela só queria ganhar, mesmo contra pessoas mais velhas», explicou a irmã mais velha. «Essa foi sempre a sua mentalidade. Motiva-a a melhorar e a trabalhar mais», defende.
Uma ideia confirmada e reforçada pela nova pérola do ténis internacional.
«Detesto perder, mais do que gosto de ganhar. A sensação de derrota ajuda-me porque tento sempre encontrar uma solução para ganhar», assume.
Uma mentalidade apreciada por Tauziat, que a treina desde dezembro de 2024 no âmbito de um programa da federação canadiana. «É realmente um ponto positivo, quando se treina uma jogadora, que ela tenha essa aversão à derrota. Mesmo que esteja a perder, consegue dar a volta por cima num jogo. Luta até ao fim», concluiu.
UN RETOUR SENSATIONNEL DE MBOKO! pic.twitter.com/5OfWtFdMr4
— TVA Sports (@TVASports) August 8, 2025
Isso mesmo ficou patente na final em que bateu Osaka e na qual entrou a perder o primeiro parcial de forma clara por 6-2. A resposta, porém, foi fulminante. E agora Mboko tem todos os olhares sobre ela.
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