Neuer: «Podia ter sido um ‘6’ ao estilo de Javi Martínez»
Manuel Neuer, um dos nomes incontornáveis na evolução da posição de guarda-redes, concedeu uma entrevista ao jornal L'Équipe onde abordou a sua carreira e o seu papel na modernização do futebol. À beira de completar 40 anos, o guardião alemão revelou que a sua chegada à baliza foi obra do acaso.
«Não escolhi a posição de guarda-redes. Foi o treinador que me colocou na baliza. Tinha acabado de chegar aos juvenis do Schalke e não havia guarda-redes. Ninguém queria ocupar essa posição... Atirar-se para o chão doía e ninguém queria fazê-lo», recordou Neuer, acrescentando que a sua experiência como «futebolista de rua» o fez gostar de ter a bola nos pés e de participar no jogo.
O jogador do Bayern, conhecido pelo seu estilo arrojado e participação na construção de jogo, confessou a sua paixão dupla. «Adoro ser guarda-redes, mas também gosto de ter a bola nos pés, participar na construção do jogo, ser a origem de uma jogada, ver que um passe pode eliminar vários adversários e criar uma ocasião... Embora prefira uma defesa», apontou. Apesar de ser uma referência para muitos, as suas inspirações vêm de outra geração. «Fui inspirado por Edwin van der Sar e Peter Schmeichel. Na Alemanha, posso citar Jens Lehmann e Oliver Kahn», assinalou.
Neuer sublinhou que o seu estilo de jogo não é para exibicionismo, mas sim em prol da eficácia da equipa. «Não faço as coisas para depois dizer que revolucionei o jogo ou que iniciei um futebol mais moderno para os guarda-redes. Não entro em campo para dar espetáculo, mas para produzir o melhor futebol possível e procurar o que é eficaz para nós», afirmou. O alemão acredita ainda que a posição tem margem para evoluir: «O jogo do guarda-redes ainda não foi explorado ao máximo.»
Questionado sobre a possibilidade de ter jogado noutra posição, Neuer foi claro sobre as suas capacidades. «Podia ter jogado como jogador de campo a um nível inferior. Numa equipa de posse de bola da terceira divisão, por exemplo... Podia ter sido defesa-central ou um ‘6’ à frente da defesa, ao estilo de Javi Martínez».
O guardião aproveitou também para criticar as perdas de tempo no futebol atual, sugerindo uma solução. «Gostaria que se aplicasse um limite de tempo para os pontapés de baliza e os pontapés de canto, como acontece com os lançamentos de linha lateral, que têm oito segundos. As perdas de tempo penalizam o jogo. O público quer mais jogo efetivo... As equipas perdem tempo», defendeu.
Sobre o reconhecimento da sua posição, Neuer sente que a perceção tem vindo a mudar. «Acredito que durante muito tempo os guarda-redes foram subestimados, mas a posição está a ganhar importância, já que o seu impacto no jogo é muito maior do que se pensava», realçou.
Com contrato com o Bayern até junho de 2026, o alemão não estabelece uma data para o fim da carreira: «Não posso dizer quanto tempo mais vou continuar a jogar. Dependerá da minha saúde e da minha capacidade de render. Estou contente, em forma e curioso para ver quanto tempo durará. Continuo a desfrutar tanto como sempre.»