Mundial
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«Não pensava que estaria a jogar aos 40 anos» e vai estar no Mundial 2026
Aos 40 anos, Edin Dzeko prepara-se para capitanear a Bósnia no seu segundo Mundial, uma longevidade que nem ele próprio esperava. «Se me perguntassem há 10 anos, teria dito que não», admite o avançado, que se junta a um lote restrito de quarentões no torneio, como Cristiano Ronaldo e Luka Modric, em entrevista ao The Guardian.
O segredo, segundo Dzeko, reside no trabalho extra e na atenção ao corpo. «Estou a ouvir o meu corpo e a fazer muito trabalho antes e depois dos treinos para o ajudar, porque já não sou o mais novo», explica. O avançado detalha a sua rotina: «Talvez quando se é jovem, não se pense muito em chegar mais cedo ao treino e ficar 30 a 45 minutos no ginásio a fazer trabalho de prevenção, e depois ficar mais 30 a 45 minutos, ou uma hora, após o treino. Quando se envelhece, percebe-se que o corpo precisa disto para competir ao mais alto nível», garantiu.
Esta dedicação permitiu-lhe manter-se em forma para os momentos decisivos, como o play-off de apuramento para o Mundial, em março. Depois de um período de seis meses com pouca utilização na Fiorentina, Dzeko assinou pelo Schalke 04 em janeiro, um regresso à Alemanha onde se notabilizou no Wolfsburgo. A mudança revelou-se crucial, permitindo-lhe chegar ao play-off em ritmo competitivo.
No Schalke, sob o comando de Miron Muslic, marcou seis golos, incluindo um na sua estreia, ajudando o clube a regressar à Bundesliga. Foi também de Dzeko o golo de cabeça que valeu o empate contra o País de Gales, em Cardiff, e que manteve viva a esperança bósnia. O momento de glória chegou dias depois, com uma vitória nos penáltis sobre a Itália, em Zenica, que despoletou festejos em Sarajevo.
Dzeko sente que o mérito da sua equipa foi ofuscado pelo fracasso italiano. «Acho que naqueles dias se falou muito do nosso estádio, do quão pequeno é o campo, das varandas à volta, de que a Itália poderia não ir a um terceiro Mundial consecutivo», lamenta. «Quase ninguém falou de nós como equipa, que somos verdadeiramente uma excelente equipa com muitos jovens jogadores que demonstraram o seu valor contra a Itália», apontou.
Esta será a segunda participação de Dzeko num Mundial, após a estreia no Brasil, em 2014. As memórias dessa competição, onde a Bósnia defrontou a Argentina, de Lionel Messi no Maracanã, perduram. «Gostaria de ter aproveitado ainda mais», recorda, mencionando a eliminação após uma derrota com a Nigéria, marcada por um golo seu que foi anulado. «A única coisa que faltou foi passar à fase seguinte...»