Mundial
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O pai disse-lhe que não tinha nível para a seleção, mas... chegou ao Mundial 2026
Dois anos antes de concretizar o sonho de uma vida, Sebastian Berhalter ouviu do seu próprio pai, na altura selecionador dos EUA, que não tinha qualidade suficiente para representar a equipa nacional. Agora, de forma notável, integra a convocatória para o Mundial 2026.
O momento da verdade aconteceu antes de um estágio em janeiro de 2024. Sebastian perguntou ao pai, Gregg Berhalter, se teria alguma hipótese de ser chamado. A resposta foi brutalmente honesta. «Tivemos de ter uma conversa real e sincera», recorda Gregg ao The Athletic, explicando que, para aquele estágio, procurava «os melhores dos melhores da MLS», e o seu filho era, na altura, apenas um suplente intermitente no seu clube, os Vancouver Whitecaps.
«Tive de lhe dizer isso. Não é fácil dizer ao nosso filho, porque gostamos muito dele. Mas parte do meu trabalho é dizer-lhe a verdade», acrescenta o antigo selecionador. A desilusão de Sebastian foi visível, mas serviu de combustível. Nos dois anos seguintes, essa conversa impulsionou-o até ao topo da MLS, à seleção norte-americana e, finalmente, ao Mundial.
Quando soube da convocatória, a primeira pessoa para quem Sebastian ligou foi o seu pai, que fora despedido em 2024. «O meu pai ficou tão orgulhoso», recorda o jogador. «Ele não é o tipo mais emotivo, mas eu percebi que estava muito orgulhoso de mim». Logo a seguir, falou com a sua mãe, Rosalind, e ambos choraram de emoção.
O orgulho da família reside no facto de Sebastian ter conquistado o seu lugar por mérito próprio na equipa que se estreia no Grupo D contra o Paraguai na sexta-feira. Trabalhou, lutou e acreditou quando mais ninguém o fazia. Mesmo quando era um suplente na MLS, a sua convicção de que poderia chegar ao maior palco do futebol era inabalável. «As pessoas riam-se um bocado de mim», admite, mas ele usou a dúvida como motivação.
Nascido numa família de futebol, Sebastian cresceu no ambiente da seleção dos EUA, pela qual o seu pai, defesa, somou 44 internacionalizações. Passou seis anos da sua infância na Alemanha, onde Gregg jogou por dois clubes. Essa experiência, segundo Sebastian, fê-lo perceber a importância do futebol. «Ir àqueles jogos, ver o meu pai jogar, sentir a paixão dos adeptos, incutiu essa intensidade e paixão em mim», afirmou.
«Teria sido muito difícil escolhê-lo...»
Hoje, a sua intensidade incansável é lendária nos círculos da seleção. O selecionador dos EUA, Mauricio Pochettino, elogiou-o recentemente: «É um monstro! Ele dá sempre o seu melhor, está sempre a 200%. É o tipo de jogador que quer treinar, treinar, treinar — e às vezes é preciso dizer-lhe: 'Ei, vai para dentro'!»
Gregg, que acompanhou a evolução de Sebastian à distância, refletiu sobre as dificuldades que teria enfrentado se ainda fosse o selecionador nacional. «Teria sido muito difícil escolhê-lo», admite o pai Berhalter. «Conheço-me e sei que, se ele fosse bom o suficiente, tê-lo-ia escolhido e lidado com o resto. Mas com todo o ruído e as aparências, tudo teria sido muito mais complicado», confessou.
Por isso, enquanto se prepara para ver Sebastian seguir as suas pisadas, Gregg mostra-se grato. «Aquilo por que estou mais grato é que ninguém poderá dizer que o escolhi para a seleção», afirmou. «Ele conseguiu tudo isto por si próprio», atirou.