Autódromo de Portimão, Algarve, Portugal
Autódromo de Portimão, Algarve, Portugal - Foto: IMAGO

Não a Portimão? Eis a solução da F1 para o conflito no Médio Oriente

Fórmula 1 não procura substitutos para os Grandes Prémios do Bahrein e da Arábia Saudita, pelo que ou se realizam as corridas ou se vai passar a ter apenas 22 GP e não 24 em 2026

Ao contrário do que se tem falado nos últimos dias, a Fórmula 1 não tem planos para substituir as corridas do Bahrein e da Arábia Saudita, agendadas para abril, caso estas venham a ser canceladas devido ao conflito no Médio Oriente. A organização do campeonato mundial monitoriza a situação, mas descarta a necessidade de encontrar alternativas de urgência, segundo a imprensa internacional.

Apesar da incerteza que paira sobre as provas em Sakhir (12 de abril) e em Jeddah (uma semana depois), a F1 garante que não está à procura de circuitos substitutos. A posição oficial é de que ainda há tempo para avaliar a situação e que as decisões serão tomadas mais perto das datas. Nos bastidores do paddock de Albert Park (Austrália), contudo, o sentimento era de que a realização das duas corridas seria pouco provável.

Mesmo que circuitos como Ímola ou Portimão pudessem manifestar interesse, a realidade é que a competição não sente a pressão de preencher o calendário a todo o custo. A situação atual é distinta da vivida durante a pandemia, quando foi necessário encontrar soluções na Europa para garantir um mínimo de 17 corridas e cumprir os contratos televisivos. Agora, na pior das hipóteses, o calendário de 2026 ficaria com 22 Grandes Prémios, em vez dos 24 previstos para 2024 e 2025.

A logística de um eventual cancelamento não seria um problema grave. As equipas trabalham com vários kits de material que são transportados por via marítima, e o equipamento destinado ao Bahrein e à Arábia Saudita já se encontra na região. Na verdade, uma maior perturbação para as equipas seria ter de integrar um novo destino de forma inesperada. A possibilidade de a Austrália ou o Japão organizarem uma segunda corrida foi equacionada, mas considerada pouco realista.

A F1 já superou um primeiro desafio logístico relacionado com o conflito, ao conseguir transportar todo o pessoal para o GP da Austrália, contornando os aeroportos do Médio Oriente através de rotas alternativas por Ásia, Estados Unidos, e voos charter via Tanzânia e Singapura. As próximas corridas, na China (15 de março) e no Japão (29 de março), não correm perigo.

As duas corridas em causa apresentam contextos diferentes. Em Manama, no Bahrein, registaram-se impactos de mísseis e existe uma base militar dos EUA no território. Já Jeddah, na Arábia Saudita, embora mais distante da zona de conflito, situa-se num país que também sofreu ataques a refinarias e à embaixada norte-americana em Riade. Um anúncio recente do Irão, de que não atacará países muçulmanos vizinhos, poderá, no entanto, influenciar positivamente o desfecho da situação.