Nairo Quintana anuncia adeus ao ciclismo profissional
O ciclista colombiano Nairo Quintana, de 35 anos, anunciou este domingo o fim da sua carreira profissional numa conferência de imprensa em S'Agaró, Girona. O vencedor do Giro de Itália em 2014 e da Vuelta em 2016 irá concluir uma carreira de 16 temporadas na elite, grande parte delas ao serviço da Movistar Team.
A decisão, que já era conhecida internamente, foi motivada pelo desejo de dedicar mais tempo à família. «A família é agora a minha maior prioridade, quero entregar-lhes mais tempo», afirmou Quintana, acrescentando que um novo ciclo se inicia. «Já brilhámos e tivemos a oportunidade de representar um país, uma região; dar glórias e alegrias. Agora vem outro ciclo, para entregar aos jovens e adeptos tudo o que o ciclismo me deu».
O ciclista revelou que a decisão de se retirar já tinha sido comunicada a Eusebio Unzué, figura proeminente da Movistar. «Um agradecimento enorme a Eusebio, desde o primeiro contrato em Tunja até ao último, onde lhe disse que queria fazer dois anos, contribuir, desfrutar destes anos e começar uma nova vida dignamente».
Nairo Quintana 🇨🇴, a sus 35 años, luchando por la victoria de etapa del Giro de Italia 🇮🇹 . Siempre dándolo todo por representar al país.pic.twitter.com/reVGPirRNl
— Alfonso Hernández (@AlfonsoH) May 21, 2025
Durante a conferência, Quintana mostrou-se sereno com a sua decisão. «Sinto-me tranquilo, sinto-me feliz. Encerrar um ciclo, como diz o Eusebio, com tudo o que fizemos, é maravilhoso. Não só os triunfos, mas os corações e as ilusões que despertámos», declarou, sublinhando o impacto que teve nos seus fãs.
🇨🇴‼️ Nairo Quintana anuncia su retirada del ciclismo profesional a final de la presente temporada
— Eurosport.es (@Eurosport_ES) March 22, 2026
👉 El ciclista colombiano del @Movistar_Team dice adiós con el Giro 2014, La Vuelta 2016 y tres podios en el Tour de Francia como sus grandes logros tras una carrera sobresaliente -… pic.twitter.com/Rfg6PtOOTx
Eusebio Unzué, por sua vez, elogiou a mentalidade do colombiano. «O que mais me chamou a atenção foi a sua confiança em si mesmo. Nunca conheci alguém que não tivesse medo de nada nem de ninguém», recordou. Unzué lamentou apenas que Quintana não tenha conquistado o Tour de França, prova em que foi segundo classificado por duas vezes. «Creio que é a única dívida que o ciclismo tem para com ele: lutou por esses Tours de forma a poder tê-los vencido».
Questionado sobre como gostaria de ser recordado, Quintana respondeu: «Como um ciclista lutador, que queria ser um vencedor, representar o seu país, colocar a sua equipa no topo com muitíssimo orgulho».
O colombiano aproveitou ainda para recordar alguns dos seus maiores rivais e referências, destacando Alberto Contador, a quem admirava «pelas suas habilidades e estratégia», e o seu antigo colega de equipa Alejandro Valverde, que era o seu «ídolo» no início da carreira. Mencionou também as «grandes batalhas» contra Chris Froome e a equipa Sky.
El próximo paso de Nairo Quintana: "La Volta 'marca' su futuro" El colombiano Nairo Quintana ya pedalea hacia su próximo capítulo. “Esta será su última temporada y seguro que nos hace disfrutar”, comentó Einer Rubio. ¡Grande Nairoman!. 🤩🦅🇨🇴👏 https://t.co/dOEP0p8DgG pic.twitter.com/BjNUwUIEWe
— ⚡MazaCiclismo⚡ (@RuedaPedal) March 18, 2026
A conferência de imprensa terminou com uma nota de Molinero, que declarou: «Hoje começa o último baile de Nairo Quintana no ciclismo».
Nairo Quintana, uma das maiores referências do ciclismo latino-americano, anunciou que 2026 será a sua última temporada como ciclista profissional. A comunicação foi feita em Girona, onde o atleta colombiano, acompanhado por Juan Pablo Molinero, seu chefe de imprensa de longa data, leu uma carta intitulada «Um novo começo».
«Esta é a minha última temporada como ciclista profissional», declarou Quintana, esclarecendo que não se trata da sua última corrida. «Cada corrida que fizer durante este ano será uma grande festa, um último baile em cada competição», acrescentou, sublinhando o desejo de desfrutar dos últimos momentos da sua carreira de 17 anos ao lado daqueles que o apoiaram.
Nascido em Cómbita, Boyacá, em 1990, Quintana despede-se com um palmarés notável de 51 vitórias como profissional. Entre os seus triunfos destacam-se conquistas em cumes míticos como Blockhaus, Terminillo, Saint-Lary-Soulan, Mont Ventoux, Col d'Eze, El Acebo e Lagos de Covadonga.
A sua carreira foi maioritariamente construída na equipa Movistar (2011-19 e 2024-26), onde, sob a liderança de Eusebio Unzué, alcançou os seus maiores feitos, incluindo a vitória no Giro d'Italia (2014) e na Vuelta a España (2016). Foi também por duas vezes segundo classificado no Tour de França (2013 e 2015). Recorde-se que o seu salto para a Europa foi antecedido por uma vitória brilhante no Tour del Porvenir em 2010.
Na sua emotiva despedida, o ciclista recordou as suas origens humildes. «Falo-vos como aquele menino que cresceu nas montanhas, em Boyacá, onde a vida não era fácil, mas estava cheia de sonhos», afirmou, explicando como o ciclismo se tornou «uma forma de vida».
Quintana destacou a importância da Movistar Team na sua carreira: «Em 2012, surgiu uma oportunidade que mudou tudo. A Movistar Team confiou em mim. Foi um sonho maior do que alguma vez imaginei». O colombiano sublinhou que as suas vitórias «foram da Colômbia inteira e de um continente», sentindo sempre o apoio de milhões de pessoas.
Numa referência implícita à sua desqualificação, mencionou que viveu «etapas que permitiram crescer como desportista» e que foram «passos vividos com aprendizagem, respeito e muitíssima gratidão».
Os agradecimentos estenderam-se à sua família, equipa e a todos os que acreditaram no seu projeto. «À minha esposa, por estar em cada momento, nos bons e nos difíceis, força, apoio e equilíbrio. Aos meus filhos, Mariana e Tomás, por serem a minha maior motivação», disse.
Olhando para o futuro, Quintana revelou os seus planos para além das competições. «Um novo começo onde quero continuar a construir, criar empresas, abrir oportunidades, apoiar o desporto competitivo e o recreativo. Devolver aos jovens tudo o que o ciclismo me deu», concluiu, afirmando que «isto não acaba aqui, isto apenas começa».