Carlos Brum, ao centro, conhecido como o adepto n.º 1 da Seleção Nacional. Foto Miguel Nunes
Carlos Brum, ao centro, conhecido como o adepto n.º 1 da Seleção Nacional. Foto Miguel Nunes

Mundial 2026: adeptos de cinco seleções podem pagar caução de milhares de euros para entrar nos EUA

Argélia, Cabo Verde, Senegal, Costa do Marfim e Tunísia estão na lista vermelha do Departamento de Estado americano preocupado com o combate à imigração ilegal e o governo de Trump diz que os valores se estendem às comitivas e jogadores

Adeptos e até mesmo jogadores de cinco seleções apuradas para o Mundial, poderão ser obrigados a pagar uma caução de até 15 mil dólares, cerca de 12.900 euros, para obterem um visto de entrada nos Estados Unidos. A notícia, avançada pelo The Athletic, revela que a FIFA está a pressionar a administração Trump para isentar os atletas, mas a mesma medida dificilmente se aplicará aos adeptos.

A legislação norte-americana em causa, que visa combater a imigração ilegal, afeta cidadãos de 50 países, maioritariamente de África e da América Central. Para obter um visto de turismo e negócios (B1/B2), estes cidadãos devem depositar uma caução que pode ser de 5.000 (4.300), 10.000 (8.600) ou 15.000 dólares. O valor é reembolsado após a saída do país dentro do prazo do visto.

Entre os países afetados estão cinco seleções que participarão no Mundial: Argélia, Cabo Verde, Senegal, Costa do Marfim e Tunísia. Um porta-voz do Departamento de Estado americano confirmou ao The Athletic que todos os requerentes, independentemente da idade, estão sujeitos às mesmas regras, o que, em teoria, inclui jogadores e equipas técnicas.

Apesar de a lei não prever isenções para eventos desportivos, os funcionários consulares podem concedê-las se considerarem que a viagem promove «um interesse nacional significativo ou um interesse humanitário». No entanto, nem o Departamento de Estado nem a FIFA esclareceram se os jogadores das cinco seleções africanas poderão evitar o pagamento.

As federações de Argélia, Cabo Verde, Tunísia, Costa do Marfim e Senegal já terão manifestado a sua preocupação junto da FIFA, que tenta agora negociar uma solução com o governo dos EUA. Contudo, uma eventual isenção para os adeptos parece ser um cenário pouco provável.

Esta exigência representa um obstáculo financeiro significativo para os adeptos que pretendiam acompanhar as suas seleções, somando-se aos já elevados custos de viagem e alojamento. O Departamento de Estado justifica a medida como uma forma eficaz de «dissuadir a imigração clandestina», baseando-se em fatores como taxas de permanência ilegal e falhas nos controlos de segurança.

A lista de países sujeitos a esta caução tem vindo a ser atualizada. Argélia, Costa do Marfim, Cabo Verde e Senegal foram incluídos em janeiro, enquanto a Tunísia entrará na lista a partir de 2 de abril. De momento, nenhum dos países que disputam os play-offs de acesso ao Mundial está abrangido.

O valor da caução é individual. Fontes citadas pelo The Athletic indicam que o montante de 5.000 dólares será geralmente aplicado a menores, enquanto os adultos terão de pagar 10.000 ou 15.000 dólares. Isto significa que uma família de quatro pessoas poderia ter de depositar 40.000 dólares. Para uma seleção, considerando apenas os 26 jogadores convocados, o valor total da caução poderia ascender a 400.000 dólares.

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