Prestianni e Vinícius no Benfica-Real Madrid — Foto: Imago
Prestianni e Vinícius no Benfica-Real Madrid — Foto: Imago

UEFA demarca-se da FIFA e não adota novas regras de cartão vermelho

Em causa estão expulsões automáticas para jogadores que tapem a boca ao confrontar um adversário ou que abandonem o relvado em protesto contra uma decisão de arbitragem

A UEFA decidiu não seguir o exemplo da FIFA e não vai introduzir cartões vermelhos automáticos para jogadores que tapem a boca ao confrontar um adversário ou que abandonem o relvado em protesto contra uma decisão de arbitragem. Estas novas regras não serão, por isso, aplicadas nas competições europeias de clubes, avança o The Guardian esta terça-feira.

As novas diretrizes, aprovadas no mês passado pelo International Football Association Board (IFAB) por sugestão da FIFA, entrarão em vigor a 1 de junho e serão aplicadas no Mundial, que arranca já no dia 11 de junho. No entanto, a decisão da UEFA significa que competições como a UEFA Champions League masculina e feminina, bem como outros torneios de clubes, não serão afetadas.

A iniciativa da FIFA surge como resposta a duas grandes controvérsias ocorridas este ano, que o organismo que rege o futebol mundial pretende evitar no Mundial. Um dos incidentes ocorreu precisamente na prova milionária, em fevereiro, quando Vinícius Júnior acusou Gianluca Prestianni de o ter insultado racialmente enquanto tapava a boca com a camisola. O argentino do Benfica foi posteriormente suspenso pela UEFA por seis jogos, com três deles suspensos por um período de dois anos, após ser considerado culpado de conduta homofóbica.

O outro episódio polémico aconteceu em janeiro, na final da CAN, quando os jogadores do Senegal abandonaram o campo durante 15 minutos em protesto contra a marcação de uma grande penalidade a favor de Marrocos. Brahim Díaz falhou o penálti e o Senegal acabou por vencer no prolongamento. Contudo, em março, o comité de recurso da Confederação Africana de Futebol declarou o país anfitrião vencedor por 3-0, uma decisão da qual os senegaleses recorreram para o Tribunal Arbitral do Desporto.

O IFAB não impôs a obrigatoriedade da aplicação destas novas regras em todas as competições, dando margem de manobra às várias entidades. Fontes da UEFA indicaram que o comité de arbitragem irá monitorizar o impacto das novas regulamentações durante o Campeonato do Mundo, com vista a uma possível discussão sobre alterações na próxima época.

Entretanto, o comité executivo da UEFA reunir-se-á em Istambul na quarta-feira, mas não se prevê que haja alterações regulamentares na agenda. Da mesma forma, o comité de competições de clubes da UEFA aprovará os regulamentos da próxima época em Leipzig, na próxima semana, sem que se esperem mudanças significativas.

As ligas nacionais têm autonomia para decidir se adotam ou não estas novas regras, sendo que a Premier League vai confirmar os seus planos após a assembleia geral de clubes no próximo mês, mas é pouco provável que as novas diretrizes sejam implementadas, dado que, para já, apenas a FIFA se comprometeu a aplicá-las.

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