16. MIKE MAIGNAN


Data de nascimento: 3 de julho de 1995

Clube: AC Milan

Posição: Guarda-redes

Fiável

Como seria de esperar, houve um enorme escrutínio quando Maignan sucedeu a Hugo Lloris como número 1 da França. Quando o antigo guardião do Tottenham pendurou as luvas a nível internacional, fê-lo como o jogador com mais internacionalizações na história do país. Nem sempre era espetacular – talvez nunca tenha sido –, mas era extremamente fiável. E, nesse sentido, Maignan representou uma continuidade perfeita. O facto de ser raramente focado só pode ser visto como algo positivo. Seguir as pisadas de uma lenda pode ser intimidante, mas Maignan lidou bem com a situação, assumindo até um papel de maior liderança no balneário da França. «Gosto de falar», afirma. Em 2021, foi alvo de insultos racistas num jogo contra a Juventus e escreveu de forma eloquente no Instagram: «Não sou uma 'vítima' do racismo. Sou o Mike, de pé, negro e orgulhoso.»

1. BRICE SAMBA


Data de nascimento: 25 de abril de 1994

Clube: Rennes

Posição: Guarda-redes

Samba já foi o suplente de Steve Mandanda a nível de clubes, mas fazer parceria com ele na seleção francesa – durante muito tempo – parecia improvável. Depois do Marselha, Samba somou passagens por Nancy, Caen e Nottingham Forest, ajudando este último a garantir a promoção de regresso à Premier League na sua última época no clube. A subida de divisão foi um presente de despedida, com Samba a revelar-se crucial num desempate por grandes penalidades nos 'play-offs'. «O meu percurso é um pouco louco», admite. «Pode parecer louco, mas sempre acreditei [em chegar à seleção francesa].» No Championship, isso parecia certamente muito distante, e ainda mais surpreendente foi a sua decisão de deixar o Forest, precisamente no momento em que tinham regressado ao escalão principal. A aposta valeu a pena; um ano mais tarde, estava a jogar na Liga dos Campeões com o Lens e tinha chegado à seleção de França.

23. ROBIN RISSER


Data de nascimento: 2 de dezembro de 2004

Clube: Lens

Posição: Guarda-redes

Desde a chegada da BlueCo, o Estrasburgo tem procurado recrutar muitos dos melhores talentos por toda a França. No entanto, Risser, que já fazia parte dos seus quadros após se formar na academia, evidentemente não foi considerado um deles. Um empréstimo na Ligue 2 ao Red Star na época anterior valeu-lhe elogios, mas acabou por não realizar qualquer jogo pela equipa principal do 'Le Racing', cujas duas últimas temporadas foram dedicadas a desenvolver os guarda-redes que pertencem aos quadros do Chelsea. Azar o deles. Risser conquistou o seu espaço numa equipa do Lens que luta pelo título, e o nível de interesse que estará a suscitar é a prova de que pode atingir o patamar mais alto. Para o fazer, contudo, terá de lidar com a pressão da expectativa e, nesse aspeto, há margem para progressão. A sua pior exibição da temporada – talvez não por coincidência – aconteceu sob o olhar atento do treinador de guarda-redes da seleção francesa, que se encontrava nas bancadas.

3. LUCAS DIGNE


Data de nascimento: 20 de julho de 1993

Clube: Aston Villa

Posição: Defesa

Bom momento

Para um jogador que já representou emblemas como Lille, Roma, PSG e Barcelona, não seria de esperar que a maioria das suas internacionalizações pela França tivesse surgido enquanto alinhava pelo Everton e pelo Aston Villa. Ao serviço de alguns dos clubes de elite da Europa, a lateral-esquerda nunca foi verdadeiramente sua, mas agora é. «Sinto que estou a praticar o melhor futebol da minha carreira. Sou um futebolista feliz, um homem feliz e um pai feliz. Estou a adorar o que faço», sublinhou. Digne atribui o seu estatuto atual ao treinador do Aston Villa, Unai Emery. «Ele levou-me para o nível seguinte», reconhece Digne. Para o francês, foi a descida inicial de um patamar que lhe permitiu dar esse salto qualitativo.

19. THÉO HERNÁNDEZ


Data de nascimento: 6 de outubro de 1997

Clube: Al-Hilal

Posição: Defesa

Théo, tal como Lucas, seguiu a mesma carreira profissional do seu pai, Jean-François, que, nos seus tempos de jogador, representou clubes como o Marselha e o Sochaux. Os irmãos Hernández não são os únicos parentes envolvidos na seleção francesa a seguir as pisadas do progenitor. Marcus e Khéphren Thuram, filhos de Lilian, são presenças assíduas, mas, ao contrário de Lilian, Jean-François não está propriamente presente. «Ele vê [os filhos] sozinho, porque chora praticamente do início ao fim», revelou a filha mais velha de Jean-François e meia-irmã dos irmãos Hernández, em tempos, à France Football. Esse testemunho fez parte de uma investigação sobre o paradeiro de Jean-François. O antigo jogador desapareceu, sem deixar rasto, em 2004, quando os dois irmãos eram muito jovens. A investigação apurou que Jean-François tinha partido para a Tailândia antes de regressar em 2020. Continua afastado da família, mas assistirá de longe enquanto os seus dois filhos provavelmente competem, mais uma vez, pela mesma vaga na lateral-esquerda.

21. LUCAS HERNÁNDEZ


Data de nascimento: 14 de fevereiro de 1996

Clube: PSG

Posição: Defesa

Lucas Hernández tem sentido dificuldades para ter uma sequência feliz; as lesões têm surgido sempre nos momentos mais cruéis. Titular na equipa que conquistou o Mundial em 2018, falhou quase a totalidade da edição de 2022, no Qatar, após romper o ligamento cruzado anterior aos 13 minutos do jogo de estreia dos 'Les Bleus' frente à Austrália. Foi fustigado por outra lesão no ligamento cruzado anterior no final da época 2023/24, o que o afastou do Euro-2024. E agora luta para singrar na equipa do Paris Saint-Germain porque dá-se o caso de os parisienses contarem com Nuno Mendes, porventura o melhor lateral-esquerdo do mundo, relegando Hernández para um papel de suplente e limitando, naturalmente, os seus minutos. O seu estatuto a nível de clubes não deixa de ter consequências na seleção, mas ainda assim mereceu a convocatória.

15. IBRAHIMA KONATÉ


Data de nascimento: 25 de maio de 1999

Clube: Liverpool

Posição: Defesa

Konaté parece destinado ao papel de 'Robin' tanto no clube como na seleção, sendo sempre o companheiro de equipa e nunca o herói principal. Em Anfield, continua na sombra de Virgil van Dijk, e na seleção nacional surge muitas vezes ao lado de William Saliba, igualmente considerado um dos melhores defesas-centrais do futebol mundial e incluído na Equipa do Ano da Premier League por duas épocas consecutivas. Adequa-se, por isso, o facto de Konaté ser um grande fã de manga. O jogador revelou que assiste frequentemente a cenas de combate para reforçar a sua «determinação» antes dos jogos, apesar da galhofa dos seus companheiros de equipa no Liverpool. Com o envelhecimento de Van Dijk, Konaté poderá ter de projetar mais «energia de protagonista» muito em breve, mas, a aproximar-se dos seus anos de auge, o francês dispõe certamente de tempo para assumir esse estatuto. Em janeiro, teve de lidar com a morte súbita do seu pai mas, de forma simbólica, marcou no seu jogo de regresso e toda a equipa, incluindo Alisson, que correu desde a sua baliza, festejou com o defesa.

4. DAYOT UPAMECANO


Data de nascimento: 27 de outubro de 1998

Clube: Bayern Munique

Posição: Defesa

O futebol deu a Upamecano uma voz que ele sentia dificuldades em encontrar. «Quando andava na escola, tinha muitas dificuldades… Era gago. Alguns dos meus colegas de escola gozavam comigo», recordou o defesa do Bayern Munique. «Mas no campo, sempre fui [comunicativo]. As pessoas diziam: 'O Dayot não fala muito, mas quando está a jogar futebol, grita!'» E acrescentou: «Costumam dizer-me que não sou o mesmo dentro e fora de campo. Na vida privada, sou bastante calmo e reservado, mas quando entro em campo, sou como um leão a sair da jaula!». Tem estado em excelente plano, crescendo como uma certeza no clube e na seleção, afirmando-se como primeira escolha em ambas as frentes. Transferiu-se para o Bayern em 2022, proveniente do RB Leipzig.

17. WILLIAM SALIBA


Data de nascimento: 24 de março de 2001

Clube: Arsenal

Posição: Defesa

Pilar defensivo

Saliba não carece de autocrítica nem de confiança. «Não sou o melhor defesa do mundo, mas sim, um dos melhores», assumiu o central do Arsenal. Se ainda há progressos a fazer, Mikel Arteta acredita que Saliba os vai alcançar. «Acho que ele vai subir para um novo nível nos próximos anos», anteviu o treinador do Arsenal. Chegar ao patamar atual exigiu tempo e múltiplos empréstimos de regresso à sua França natal. Durante esse período, levantaram-se dúvidas sobre se Saliba conseguiria alguma vez afirmar-se no Arsenal. Mas essas questões deixaram de fazer sentido quando regressou ao Emirates pela terceira e última vez, em 2022, tornando-se parte integrante da linha defensiva do Arsenal. Fala agora em assumir-se como um «líder» pela França: o próximo passo para se tornar o melhor defesa do mundo? São esse tipo de perguntas que se fazem agora.

5. JULES KOUNDÉ


Data de nascimento: 12 de novembro de 1998

Clube: Barcelona

Posição: Defesa

Deschamps já se referiu anteriormente à dificuldade da França em formar laterais e, nesse contexto, Koundé surgiu como uma solução, embora inicialmente não se tenha mostrado muito recetivo. «Aprendi a aceitar porque, subconscientemente, acho que criamos bloqueios ao sermos negativos, e devo admitir que já o fiz no passado», reconheceu o defesa do Barcelona, um central de formação mas que agora atua na direita, tanto no clube como na seleção. O seu desconforto na posição prende-se com as exigências ofensivas. Não é o elemento mais vistoso nesse aspeto, mas capta certamente as atenções fora dos relvados devido às suas escolhas arrojadas no mundo da moda. «Faz parte da minha personalidade; gosto de me vestir bem», salienta Koundé, que fixou a titularidade no lado direito da defesa helvética a nível internacional.

6. MAXENCE LACROIX


Data de nascimento: 6 de abril de 2000

Clube: Crystal Palace

Posição: Defesa

Ajuda os outros

Através das suas palavras e das suas ações, fica-se com a impressão de que Lacroix é altruísta. Através de uma iniciativa no seu clube, o Crystal Palace, distribuiu sacos de roupa a sem-abrigo no sul de Londres e também participou em projetos de desenvolvimento na sua aldeia natal de Ajat. «Cresci a ver a minha mãe, médica, a estar ao serviço das outras pessoas», contou Lacroix ao L'Équipe. «Por isso, sempre tive esta ideia de que ajudar os outros era a coisa mais bonita que se pode fazer. Não vejo isso como uma obrigação, mas antes como uma atividade que me faz florescer.» Tem também estado empenhado em tornar sonhos realidade. Relembra ter sido abordado na rua por um homem idoso que, após a vitória do Palace nas meias-finais da Taça de Inglaterra no ano passado, lhe disse que queria ver o Palace vencer um troféu antes de morrer. Lacroix afirmou que pensou nesse homem quando o Palace ergueu o troféu em Wembley. O antigo defesa do Wolfsburgo somava apenas duas internacionalizações quando foi convocado para o Campeonato do Mundo.

2. MALO GUSTO


Data de nascimento: 19 de maio de 2003

Clube: Chelsea

Posição: Defesa

Ambicioso

O defesa delineou recentemente as suas grandes ambições. «O meu objetivo é ser o melhor do mundo na minha posição», vincou em março. Para o conseguir, há trabalho a fazer. «Não estou com os 'Les Bleus' para ficar sentado no banco a vida toda», disparou também. Atualmente, não é a primeira escolha no clube nem na seleção, ainda que a capacidade de Reece James para atuar no meio-campo lhe tenha concedido mais minutos pelo Chelsea esta temporada. Gusto exibe determinação para triunfar no desporto, mesmo tendo manifestado as suas reservas sobre o mundo do futebol em termos mais gerais. «Sinceramente, não gosto nada. No início, era um sonho, um mundo paralelo, mas agora que estou inserido nele, vejo o reverso da medalha; não se alinha necessariamente com os meus valores». Diz que joga para orgulhar a família e procurará fazê-lo pela França este verão.

8. AURÉLIEN TCHOUAMÉNI


Data de nascimento: 27 de janeiro de 2000

Clube: Real Madrid

Posição: Médio

As transferências de valores astronómicos colhem sempre o maior escrutínio, mas avaliar o seu sucesso nem sempre é fácil, especialmente tratando-se de um médio, cuja eficácia não se reflete necessariamente nas estatísticas. Mas há um dado revelador: perto de 200 exibições pelo Real Madrid em menos de quatro anos. Estas surgiram desde uma mudança de 100 milhões de euros proveniente do Mónaco, em 2022. Apesar da concorrência de Toni Kroos e Luka Modric durante grande parte desse período, somar tantas partidas comprova a sua importância. É igualmente crucial para a França; na sua trajetória atual, caminha a passos largos para atingir as 100 internacionalizações pelos 'Les Bleus'. Jules Koundé, que o conhece bem por terem feito juntos a formação no Bordéus, descreve Tchouaméni como uma personalidade «discreta e calma», algo que se transmite em campo, onde a sua capacidade para proteger a defesa é valiosíssima para o clube e para o país. Não houve, contudo, qualquer calma no seu desentendimento com o colega de equipa do Real, Fede Valverde, em maio, com o uruguaio a acabar no hospital a necessitar de pontos.

13. N'GOLO KANTÉ


Data de nascimento: 29 de março de 1991

Clube: Fenerbahçe

Posição: Médio

Veterano

Quando Kanté deixou o Chelsea na ressaca de uma temporada em que as lesões o limitaram a apenas nove exibições em todas as competições, foi dado como acabado, especialmente por ter escolhido a Arábia Saudita para prosseguir a carreira. Mas Deschamps é fiel; as suas escolhas de convocados demonstraram-no nos últimos anos, e tudo o que o selecionador francês precisava para reintegrar Kanté era que este jogasse. E ele fê-lo no Estado do Golfo. Kanté não só foi reintegrado para o Euro-2024, como chegou a envergar a braçadeira de capitão pela primeira vez. A sua humildade tornou-se a sua imagem de marca, mas também pode ter o efeito de camuflar a sua enorme ambição. «Não sonho apenas em jogar um Mundial, quero vencê-lo», avisou Kanté, cujos dias de 'Bleu', muitos pensavam, estavam contados. Chega ao Mundial após alinhar no Fenerbahçe desde o início de fevereiro.

6. MANU KONÉ


Data de nascimento: 17 de maio de 2001

Clube: Roma

Posição: Médio

A trajetória de Koné não é estranha no futebol francês. Deixou o seu clube de formação, o Toulouse, quando era ainda adolescente, para ingressar no Borussia Mönchengladbach. As suas exibições na Alemanha valeram-lhe a transferência para a Roma, onde tem florescido verdadeiramente. Praticamente toda a sua evolução aconteceu longe dos olhares dos franceses. «Trabalhei arduamente, fora do radar, por assim dizer», assumiu em setembro passado. Chegar à seleção francesa é um feito, mas, às portas do Mundial, assume-se claramente como um candidato a um lugar no onze titular. Deschamps é um grande admirador de Koné, descrevendo-o como «um médio completo e moderno». O selecionador francês acrescentou que o jogador da Roma é «subvalorizado». Se desempenhar um papel de relevo no Mundial, sairá definitivamente da penumbra para a ribalta.

18. WARREN ZAÏRE-EMERY


Data de nascimento: 8 de março de 2006

Clube: PSG

Posição: Médio

Em busca do tempo perdido

Zaïre-Emery foi anunciado como a próxima superpromessa da França, mas regressou à terra em 2025. Depois de se tornar o jogador mais jovem de sempre a alinhar pelo PSG, estreando-se aos 16 anos, integrou a seleção francesa antes de perfazer os 18. Marcar logo na estreia só fez aumentar o mediatismo. «O céu é o limite. Nunca vi um jogador tão jovem ser tão maduro», elogiou Thierry Henry, que trabalhou com Zaïre-Emery na seleção sub-21 de França. Menos minutos e uma quebra de forma ditaram o seu regresso aos sub-21 no outono. «A confiança desempenha um papel importante», admitiu. «Cabe-me a mim libertar-me mentalmente, jogar como sei que sou capaz, recuperar aquela irreverência que tinha quando era mais jovem.» Com apenas 20 anos, reconquistou o seu espaço na equipa do PSG este ano e garantiu, igualmente, o regresso à seleção principal.

14. ADRIEN RABIOT


Data de nascimento: 3 de abril de 1995

Clube: Milan

Posição: Médio

Inconstante

É paradoxal como um jogador cuja carreira tem sido tão volátil consegue mostrar-se tão regularmente fiável. Assim é Rabiot: o jogador que recusou um lugar na lista de reservas de Deschamps em 2018 e que, pouco depois, deixou o clube de formação, o PSG, em moldes de grande polémica. A sua passagem pela Juventus permitiu-lhe recuperar o seu espaço na seleção francesa. Desde então, fixou-se como um pilar a nível internacional, o que não significa que o drama o tenha abandonado nos clubes. À imagem do próprio clube, a passagem de Rabiot pelo Marselha foi caótica. Registou-se uma batalha judicial com o PSG devido a uma tarja ofensiva dos adeptos da capital direcionada à sua própria mãe, além do desentendimento com Jonathan Rowe no último verão, que motivou uma saída rápida. No Milan, tem beneficiado da orientação de Max Allegri, a quem descreveu como uma figura paternal. A acalmia regressou, pelo menos por agora.

20. DÉSIRÉ DOUÉ


Data de nascimento: 3 de junho de 2005

Clube: PSG

Posição: Avançado

Fora de campo, projeta-se a imagem de um jogador extremamente disciplinado. Quem trabalhou com ele elogia a sua «seriedade» e «maturidade» durante o seu trajeto nas escolas de formação. «Tudo é direcionado para o rendimento», aponta o treinador do QPR, Julien Stéphan, que o orientou no Rennes. Contudo, trata-se de uma imagem totalmente oposta à do jogador livre, expressivo e deslumbrante que vemos em campo, semana após semana, ao serviço do PSG. Num mundo de futebol feito de passes para trás e para o lado, o instinto de Doué passa por provocar situações de um para um. Augura-se-lhe um futuro radioso, com Stéphan a referir que tem potencial para vencer a Bola de Ouro, algo apropriado para um jogador cujo nome se traduz literalmente como «Talento Desejado».

12. BRADLEY BARCOLA


Data de nascimento: 2 de setembro de 2002

Clube: PSG

Posição: Avançado

Quando se joga no maior clube de França, o escrutínio é inevitável. Barcola não foi poupado a essa pressão e, por vezes, foi alvo de críticas bastante intensas. Após algumas exibições menos conseguidas na Liga dos Campeões, um comentador apelidou-o de «pequeno cordeiro». No entanto, nem todas as opiniões contam para Barcola. «Tenho muito poucos amigos, por isso, quando eles dizem 'estás a fazer um disparate', é porque têm razão. Quando me dizem que joguei bem, é porque têm razão. Não oiço o que se diz lá fora», garante. O que não significa que não lhe chegue aos ouvidos. «São os meus amigos que me enviam as coisas que saem na imprensa. Às vezes rimo-nos com isso, mas não passa daí», acrescenta Barcola. Ao isolar-se do ruído exterior, Barcola tornou-se um jogador fulcral tanto no clube como na seleção.

24. RAYAN CHERKI


Data de nascimento: 17 de agosto de 2003

Clube: Manchester City

Posição: Avançado

Força criativa

Cherki sempre expressou o seu desdém pelas «estatísticas». É evidente onde reside o seu foco. «Os robôs são bons, mas a magia é melhor», assumiu recentemente à France Football. «É bom acertar 99% dos passes, mas é ainda melhor produzir cinco ou seis momentos de génio. É frustrante porque muitos treinadores procuram os jogadores que correm mais ou saltam mais alto. Para mim, isso não é futebol. O meu objetivo é voltar a colocar o futebol à antiga na moda.» Cherki, apesar das suas melhores intenções, pode não ter o poder de ditar os rumos do futebol moderno, mas detém a capacidade de proporcionar espetáculo a quem o assiste, algo que faz desde que surgiu no Lyon, agora com maior eficácia e colhendo merecidos elogios. Apresenta-se no Mundial após uma excelente temporada no Manchester City, que incluiu um golo soberbo a nível individual frente ao Arsenal no campeonato e alguns dotes técnicos contra o mesmo adversário na final da Taça da Liga. Nem todos apreciaram os seus dotes artísticos, contudo, com Ben White a entrar de forma dura sobre ele momentos depois.

11. MICHAEL OLISE


Data de nascimento: 12 de dezembro de 2001

Clube: Bayern Munique

Posição: Avançado

Olise dispunha de uma multiplicidade de opções, mas sempre teve olhos apenas para a França. O avançado do Bayern Munique, nascido em Londres, poderia igualmente ter representado a Inglaterra, a Argélia ou a Nigéria a nível internacional. «Tenho esta ligação com a França», afirmou Olise após a sua primeira convocatória para a seleção principal. Estabelecer pontes com os companheiros de equipa da seleção revelou-se inicialmente difícil para Olise, que enfrentou uma barreira linguística por superar, como ficou evidente na sua primeira comparência perante os órgãos de comunicação social. «Quando sinto que há potencial, eu insisto», vincou Deschamps. E tinha razões para isso. Olise perfila-se como o sucessor a longo prazo de Antoine Griezmann, uma figura preciosa para os 'Les Bleus' durante uma década antes da sua retirada internacional. A sua descontração, tanto dentro como fora das quatro linhas, faz dele um jogador difícil de decifrar, uma espécie de enigma, mas dotado de um talento invulgar.

10. KYLIAN MBAPPÉ


Data de nascimento: 20 de dezembro de 1998

Clube: Real Madrid

Posição: Avançado

Capitão

Mbappé vai em busca de recordes este verão. O francês exibe uma obsessão em escrever história e quase de certeza que o fará na América do Norte. O avançado do Real Madrid encontra-se a escassos dois golos de ultrapassar Olivier Giroud como o melhor marcador de sempre da história da seleção francesa. Era uma questão de tempo e esse momento parece ter chegado. No entanto, são os títulos coletivos que o movem. Conquistou o seu primeiro na época de estreia pelo Mónaco e, até à sua temporada de estreia no Real Madrid, ergueu um título importante em cada uma das suas épocas como profissional. O mais prestigiado, naturalmente, surgiu em 2018, quando tinha apenas 19 anos, conquistando o Mundial com os 'Les Bleus'. Procurando bater o recorde de Pelé de três Mundiais conquistados, Mbappé referira anteriormente que vencer quatro seria «estatisticamente possível». Já não o é, mas se pretender igualar o registo do astro brasileiro, terá de capitanear a sua equipa rumo à glória este verão.

22. JEAN-PHILIPPE MATETA


Data de nascimento: 28 de junho de 1997

Clube: Crystal Palace

Posição: Avançado

Para os seus companheiros de equipa, o sonho de Mateta em representar os 'Les Bleus' não era levado muito a sério. «No Crystal Palace, logo no início, quando nem sequer jogava, falava sobre a seleção francesa no balneário e tinha companheiros de equipa como Wilfried Zaha que se riam», recordou. Há um ano a seleção de França parecia uma miragem, mas esse cenário foi tornado possível pela sua ascensão mediática nos últimos meses. Os 14 golos na Premier League em 2024/25 abriram-lhe as portas do espaço da seleção. Diante da oportunidade, correspondeu, somando cinco golos nas suas primeiras seis aparições a nível internacional.

7. OUSMANE DEMBÉLÉ


Data de nascimento: 15 de maio de 1997

Clube: PSG

Posição: Avançado

Vencedor da Bola de Ouro

Numa equipa normal, as peças seriam ajustadas em torno do vencedor da Bola de Ouro, mas esse não é o caso da França. Discursando ao lado de Deschamps numa gala de prémios no final da época 2024/25, Dembélé detalhou as razões pelas quais a sua transição para a posição de camisola 9 no PSG se revelou tão frutuosa, ao ponto de se assumir como o catalisador da conquista inédita da Liga dos Campeões por parte dos parisienses. Dembélé sabe que Deschamps não adotará a mesma estratégia de Luis Enrique. «Ele continua a colocar-me na direita!», brincou Dembélé. «Vou colocar-te na esquerda», respondeu Deschamps. Em todo o caso, a posição central pertence a Mbappé. Mais a sério: extrair o melhor rendimento de Dembélé continua a ser uma dor de cabeça para Deschamps. O fulgor do vencedor da Bola de Ouro a nível de clubes não tem encontrado paralelo na seleção, onde contabiliza apenas sete golos em 57 internacionalizações à data em que este texto foi escrito.

25. MAGHNES AKLIOUCHE


Data de nascimento: 25 de fevereiro de 2002

Clube: AS Mónaco

Posição: Avançado

Didier Deschamps depressa desvendou o temperamento de Maghnes Akliouche. «É bastante introvertido», apontou o selecionador de França. A sua timidez também se refletiu em campo durante a sua primeira experiência no seio da seleção, em setembro passado. Tratou-se de uma oportunidade desperdiçada pelo avançado do Mónaco, mas Deschamps é conhecido por conceder segundas oportunidades e Akliouche agarrou-a. À medida que se soltou fora dos relvados, começou também a florescer no campo, rubricando as exibições que motivaram a sua chamada inicial à seleção. «França dispõe de muitos jogadores de topo, mas não consigo vislumbrar um jogador com as mesmas valências de Maghnes», elogiou o seu antigo treinador no Mónaco, Adi Hütter. À semelhança dos seus concorrentes por uma vaga no plantel, casos de Rayan Cherki e Michael Olise, Akliouche é dotado de enorme qualidade técnica, mas começou agora a somar golos e assistências ao seu repertório.

9. MARCUS THURAM


Data de nascimento: 6 de agosto de 1997

Clube: Inter

Posição: Avançado

Terá sido um momento de orgulho paternal para Lilian Thuram que, num vídeo que se tornou viral, foi visto a despedir-se dos seus filhos, Khéphren e Marcus, a caminho dos compromissos da seleção. Como crianças a quem o pai diz adeus, os dois pareceram um pouco envergonhados ao entrar no automóvel com destino a Clairefontaine. Marcus exibe características muito distintas das do seu pai – e também das do seu irmão –, tendo subido paulatinamente os degraus da ribalta para liderar o ataque de um dos colossos europeus. Exibe um registo assinalável pelo Inter, mas destaca-se, sobretudo, a excelente cumplicidade com o seu parceiro de ataque, Lautaro Martínez. Falta-lhe ainda transpor essa dinâmica para a seleção de França, justificando a sua produção modesta (três golos em 33 jogos à data em que este texto foi escrito) e um impacto mais reduzido. O seu pai faturou por duas ocasiões com as cores dos 'Les Bleus' e, se Marcus já superou Lilian nesse capítulo, dificilmente conseguirá ultrapassar as 142 internacionalizações do progenitor pela seleção nacional.

Textos de Luke Entwistle, do GFFN. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.

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