Johann Zarco, piloto francês de MotoGP
Johann Zarco, piloto francês de MotoGP - Foto: IMAGO

«O meu medo era não voltar a andar»: Zarco recorda acidente em Barcelona

Piloto francês admite que temeu pelo seu futuro fora das pistas

Mais de dois meses após o aparatoso acidente no Grande Prémio da Catalunha de MotoGP, Johann Zarco continua a recuperar e recordou, numa entrevista recente, o momento em que temeu pelo seu futuro para além das pistas.

O piloto francês, de 36 anos, foi um dos protagonistas do fim de semana mais acidentado da temporada até agora. Na corrida principal, após um primeiro arranque interrompido por um acidente de Álex Márquez, Zarco caiu na travagem para a curva 1, arrastando consigo Luca Marini e Pecco Bagnaia. O infortúnio maior foi a sua perna esquerda ter ficado presa na roda traseira da Desmosedici GP26 do bicampeão, um incidente que o afastou, até ao momento, de seis corridas.

O diagnóstico revelou uma rotura dos ligamentos cruzados anterior e posterior do joelho, além de uma pequena fratura no perónio. A necessidade de uma intervenção cirúrgica foi inicialmente ponderada, mas adiada devido a uma queimadura com risco de infeção. Posteriormente, a equipa LCR comunicou que a cirurgia não seria necessária, apontando o regresso para setembro, após a pausa de verão. Contudo, o regresso ainda não está confirmado e Cal Crutchlow já foi anunciado como seu substituto em Silverstone.

Numa entrevista ao Canal+, o piloto mais veterano da grelha de MotoGP partilhou os momentos de angústia que viveu. «Dirijo-me para o Marini e, quando embato nele, perco completamente o controlo. Nem sequer tento segurar-me na mota, simplesmente largo-a», explicou Zarco, acrescentando que a dor imediata não foi o que mais o marcou. «Acho que sou projetado na direção do Pecco e aí a minha perna voa para a pista. Dói-me, mas não há tempo para processar. É apenas um acidente enorme...»

A perceção da gravidade da situação veio através da reação dos comissários de pista. «Tento levantar-me um pouco, mas é muito difícil. Os comissários chegam logo e tudo acontece muito depressa. Não me queriam tocar porque viam a minha perna torcida. Pensavam que, se me mexessem, podiam parti-la ainda mais», recordou.

No meio do caos, o maior receio de Zarco não estava relacionado com a sua carreira desportiva. «Estava a queimar-me dentro do fato, continuava preso sobre o tubo de escape enquanto estava na gravilha. Nem sequer pensava na corrida. Só pensava: ‘Espero poder voltar a andar.' Esse era o meu medo», confessou.

Inspiração em Marc Márquez

A recuperação de Marc Márquez após a grave lesão no braço direito serviu de inspiração para Zarco, que chegou a duvidar se conseguiria voltar a competir. «Vi o Marc fazer uma careta, a meter agulhas no ombro e tudo. Foi então que vi que ele é muito duro. Não me sinto tão corajoso como ele», admitiu o piloto francês.

A história do piloto espanhol deixou uma lição importante: não forçar o regresso. «Digo a mim mesmo que, se até o Marc por vezes tem dificuldades, não tentes ser uma espécie de super-herói. Prepara-te bem e volta melhor do que alguma vez poderias imaginar. Na verdade, é quase como dar um passo atrás para dar um salto maior», refletiu.

A tranquilidade para enfrentar esta fase de recuperação vem também do facto de ter o seu futuro assegurado, com um contrato válido até 2027. «A minha sorte de poder pensar assim é já ter um contrato para 2027. Permite-me ser paciente», concluiu Zarco.

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