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Mundial 2026: perfis dos jogadores da Chéquia
1. MATEJ KOVAR
Data de nascimento: 17 de maio de 2000
Clube: PSV Eindhoven
Posição: Guarda-redes
Tornou-se um favorito na seleção checa desde o outono passado. No espaço de poucos dias, ajudou a selar dois sucessos no play-off através do desempate por grandes penalidades. Até então, só tinha defendido um penálti no futebol doméstico, mas destacou-se na luta por uma vaga no Mundial como mais ninguém no plantel checo. «Parece um sonho», disse após as vitórias sobre a República da Irlanda e a Dinamarca. Kovar é um enorme talento, calmo por natureza e maioritariamente fleumático. Em adolescente, deixou uma pequena cidade checa para ingressar no Manchester United. Desde então, já conquistou três títulos de campeão em três países diferentes: Chéquia, Alemanha e Países Baixos. Embora seja habitualmente silencioso e modesto, cresce nos grandes momentos e os treinadores brincam dizendo que ele traz sorte. «Não foi nenhuma grande sorte, simplesmente fiz o meu trabalho de casa», afirmou enquanto todo o país o elogiava. Ainda assim, persistem as especulações sobre se será o guarda-redes titular no Mundial.
16. JINDRICH STANEK
Data de nascimento: 27 de abril de 1996
Clube: Slavia Praga
Posição: Guarda-redes
Stanek nunca recebeu nada de borla na sua carreira. Começou como jogador de hóquei no gelo e era um avançado promissor, talento que herdou do pai. Mas optou por deixar o gelo para perseguir uma carreira no futebol e mudou-se diretamente do Sparta para Inglaterra, onde foi guarda-redes suplente no Everton, enfrentando nos treinos os remates de Romelu Lukaku, Kevin Mirallas e Samuel Eto’o. «Senti-me num outro mundo. Levava uma tareia, mas não queria desistir», recordou mais tarde. Sonhava seguir as pisadas do compatriota Petr Cech, mas teve de fazer o caminho mais longo. Chegou a passar uma época na terceira divisão checa para ganhar confiança. «Olhando para trás, sinto-me como um gato com sete vidas», disse sobre a sua carreira nómada. «É por isso que, quando vou ao jardim zoológico, passo a maior parte do tempo com os tigres. Procuro inspiração neles.» Acabou por fixar-se no Viktoria Plzen, onde a sua carreira descolou, motivando a transferência para o Slavia Praga em 2024.
23. LUKAS HORNICEK
Data de nascimento: 13 de julho de 2002
Clube: SC Braga
Posição: Guarda-redes
Hornicek passou cerca de um terço da sua vida em Portugal, para onde se mudou aos 17 anos. Ficou alojado num colégio interno a 2500 quilómetros de casa e tinha saudades da família, mas nunca desistiu do sonho de fazer carreira no futebol. «Essa decisão retirou-me parte da juventude que poderia ter passado com amigos, mas segui o meu sonho. Mesmo que pudesse voltar atrás no tempo, não mudaria nada», afirma. Apelidado de «Horny Czech» em Portugal devido à dificuldade em pronunciar o seu apelido, é agora uma estrela em ascensão na baliza checa. Começou na equipa de formação do Braga e passou dois anos como suplente, antes de uma afirmação espetacular na época passada. Manteve a baliza intransponível em metade dos jogos e ficou conhecido por defender penáltis na Liga Europa. Dono de elevados níveis de concentração, melhorou a sua distribuição e o jogo de pés em Portugal, tendo até sido associado ao Real Madrid recentemente. «É uma pena que o meu avô não tenha vivido para ver isto. Era o meu maior apoiante», diz.
7. LADISLAV KREJCI
Data de nascimento: 20 de abril de 1999
Clube: Wolves
Posição: Defesa-central
O sonho de infância de Krejci de jogar na Premier League transformou-se num autêntico pesadelo na época passada, com os Wolves a somarem derrota atrás de derrota e a sofrerem a despromoção ao Championship. O defesa-central, no entanto, tornou-se rapidamente – e para surpresa de alguns – num dos jogadores mais valiosos de Rob Edwards. Nos últimos quatro anos a sua ascensão foi meteórica. Conquistou dois títulos de campeão pelo Sparta Praga e tornou-se a contratação mais cara da história do Girona, antes do empréstimo para a Premier League no verão passado. Krejci segue um lema simples: «Se sentes que deves fazer, decidir ou mudar algo, não hesites. Ninguém o fará por ti.» Antigamente debatia-se com a disciplina e via demasiados cartões amarelos. Contudo, desde março que é o capitão da seleção nacional e tem liderado com distinção, marcando nos jogos do play-off contra a República da Irlanda e a Dinamarca. «Acreditava em mim porque sei aquilo de que sou capaz», afirmou o jogador de 27 anos.
5. VLADIMIR COUFAL
Data de nascimento: 22 de agosto de 1992
Clube: Hoffenheim
Posição: Defesa-direito
Ignorado durante muito tempo devido à sua fisionomia franzina, Coufal ouviu dos treinadores do Banik Ostrava, aos 17 anos, que nunca ganharia a vida com o futebol. Era rápido e determinado, mas demasiado pequeno e facilmente ultrapassado no choque físico. Nessa altura, odiava o futebol. «Mas prometi a mim mesmo que provaria que estavam todos errados. Sou um bocado louco e gosto de correr atrás dos meus sonhos», disse. O verdadeiro reconhecimento só surgiu aos 26 anos, quando assinou pelo Slavia Praga, partindo para a conquista de três campeonatos consecutivos antes de uma surpreendente mudança para a Premier League. «Ao início pensei que se tinham enganado no nome. Porque haveriam de contratar um veterano?», brincou sobre a mudança para o West Ham. Em Londres viveu um período de conto de fadas, que culminou com a conquista da Conference League. Mas ao fim de cinco anos viu-se na periferia dos hammers. Mais uma vez, porém, recusou render-se. Agora com 33 anos, reconstruiu a carreira no Hoffenheim e está a praticar, porventura, o seu melhor futebol.
4. ROBIN HRANAC
Data de nascimento: 29 de janeiro de 2000
Clube: Hoffenheim
Posição: Defesa-central
Hranac cresceu numa pequena cidade no oeste da República Checa, longe das grandes academias – por isso, quando o seu talento se tornou evidente, teve de mudar. Aos 14 anos, viajava 100 quilómetros para um colégio interno em Plzen, enquanto os seus pais trabalhavam do outro lado da fronteira, na Alemanha. Os sacrifícios compensaram. Hoje em dia exibe um exterior calmo e reservado, podendo parecer tímido, mas isso esconde a verdadeira veia combativa e a paixão que tem dentro de si. «O Robin encaixa muitas pancadas mas nunca reage nem se enerva», diz o pai. «Tem um limiar de dor extremamente elevado.» Após apenas uma época impressionante na liga checa, entrou diretamente para a seleção nacional, marcou Cristiano Ronaldo no Euro 2024 e garantiu uma transferência de 8 milhões de euros para o Hoffenheim em 2024. Rende melhor no eixo de uma defesa a três.
3. TOMAS HOLES
Data de nascimento: 31 de março de 1993
Clube: Slavia Praga
Posição: Defesa-central
Os entusiastas da anatomia humana deviam dar uma vista de olhos em Tomas: o defesa-central tem aquelas que serão, muito provavelmente, os maiores gémeos do torneio. Não é particularmente alto, mas é puro músculo. É também um dos jogadores mais experientes da comitiva checa e um líder silencioso no Slavia Praga, onde conquistou quatro campeonatos, o mais recente como capitão. É natural de uma região onde o esqui de fundo é mais comum do que o futebol, mas apaixonou-se pelo jogo ao competir com os seus dois irmãos. Como não havia um campo decente na sua aldeia, costumava andar cinco quilómetros de bicicleta para ir treinar. Através da regularidade e do trabalho árduo, Holes desenvolveu-se gradualmente até ser um líder, sem nunca agir como uma superestrela. Apesar de a República Checa ser um país maioritariamente secular, é um devoto cristão evangélico e afirma: «A fé é o mais importante para mim, além da minha família. Sinto muitas vezes que os anjos da guarda me ajudam em campo.» Longe dos relvados, Holes desfruta da vida pacata com as suas duas filhas, indo frequentemente pescar e lendo livros de história antes de dormir.
6. STEPAN CHALOUPEK
Data de nascimento: 8 de março de 2003
Clube: Slavia Praga
Posição: Defesa-central
Uma das revelações da última temporada da liga checa, um dos melhores defesas puros do país e campeão pelo Slavia, Chaloupek assinou exibições que atraíram o interesse da Roma e da Fiorentina em janeiro. Um ano antes, porém, nem sequer era titular, após um período difícil devido a lesão. É um defesa trabalhador, disciplinado e fiável – um autêntico pesadelo para os avançados devido ao seu estilo intransigente. Fora de campo, é calmo e reservado. Se o futebol não tivesse corrido bem, diz que poderia ter sido polícia. «Gostava da ideia de ser justo, íntegro e defender a verdade», afirma. Chaloupek nasceu com uma fenda palatina e foi operado aos três anos de idade. «Era gozado por outras crianças por causa disso. Foi duro, mas tornou-me mais forte.» Mais tarde, equacionou fazer uma cirurgia plástica, uma vez que ainda só respira por uma narina.
14. DAVID JURASEK
Data de nascimento: 7 de agosto de 2000
Clube: Slavia Praga
Posição: Defesa-esquerdo
Quando Jurasek se transferiu do Slavia Praga para o Benfica, por 14 milhões de euros, há três anos, tornando-se uma das exportações mais caras da liga checa, parecia que o futebol checo teria finalmente um lateral num colosso europeu. O seu pai chegou a voar para Portugal num jato privado para a cerimónia de assinatura, com o Benfica a fixar a sua cláusula de rescisão nuns astronómicos 80 milhões de euros, um sinal da consideração que tinham por ele. No entanto, uma grave lesão no tornozelo travou a sua progressão e ele perdeu o espaço na equipa principal do Benfica. Jurasek reconstruiu a carreira durante um empréstimo ao Hoffenheim, antes de regressar ao Slavia em janeiro. «Só espero não trazer azar», confessou antes de os ajudar a conquistar o título de campeão – o primeiro troféu da sua carreira. Com um pé esquerdo forte, excelente resistência e aceleração, grande presença física e uma enorme capacidade de cruzamento, Jurasek tem praticamente todos os atributos que se desejam num lateral-esquerdo.
20. JAROSLAV ZELENY
Data de nascimento: 20 de agosto de 1992
Clube: Sparta Praga
Posição: Defesa-esquerdo
Um dos raros futebolistas a quem os adeptos perdoaram o facto de ter jogado nos dois clubes rivais de Praga. De trato fácil, Zeleny não é de todo um rebelde ou um desordeiro, mas pode ser impaciente, particularmente quando vai ao volante. «Chateia-me quando alguém se atrasa nos semáforos porque está ao telemóvel», diz. «É nessas alturas que me deito à buzina. De resto, sou calmo. As pessoas dizem que é preciso ser implacável no futebol de topo, mas isso não faz parte da minha natureza.» É improvável que Zeleny mude o seu feitio agora que se aproxima do seu 34.º aniversário. Nunca deixou a liga checa, somando mais de 300 jogos desde a sua estreia pelo Hradec Kralove, em 2010. No início da carreira, talvez lhe tenha faltado a coragem para emigrar; agora aproxima-se do fim do seu tempo como um eterno resistente do futebol checo. Curiosamente, o seu apelido traduz-se por «verde» em português.
2. DAVID ZIMA
Data de nascimento: 8 de novembro de 2000
Clube: Slavia Praga
Posição: Defesa-central
Zima pode parecer um jovem um tanto ou quanto invulgar, especialmente nas suas aparições públicas. À primeira vista, não se consegue perceber que tipo de dia está a ter. Após a primeira pergunta, continua sem se saber como vai correr a entrevista. Zima – que significa «inverno» – não é uma estrela exuberante, apesar de a sua carreira ter descolado rapidamente quando ainda era adolescente. Aos 19 anos, com apenas 156 minutos na liga doméstica, foi contratado pelo Slavia Praga ao Sigma Olomouc por mais de 1 milhão de euros, uma verba raramente vista no futebol checo por um jogador assim. A mudança não o afetou. «Não tenho razões para estar nervoso», disse. «O campo tem sempre as mesmas dimensões. Os adversários não me assustam.» Ano e meio mais tarde, mudou-se para Itália pelo quádruplo desse valor, ingressando no Torino. Em janeiro de 2024, regressou ao Slavia Praga para relançar a carreira e, por 4 milhões de euros, tornou-se a contratação mais cara da história da liga checa. Sendo agora quatro vezes campeão nacional, é amplamente elogiado pela sua abordagem precisa a defender, embora os críticos continuem a dizer que pode ser demasiado descontraído e propenso a falhas defensivas.
21. DAVID DOUDERA
Data de nascimento: 31 de maio de 1998
Clube: Slavia Praga
Posição: Defesa-direito
À semelhança do seu colega de equipa no Slavia, Tomas Chory, Doudera teve um dérbi de Praga bastante atribulado em maio, com ambos a receberem ordem de expulsão num encontro que descambou em cenas de violência nas bancadas. O cartão vermelho de Doudera deveu-se a insultos ao árbitro, uma atitude à qual o presidente do Slavia, Jaroslav Tvrdik, reagiu colocando o jogador imediatamente na lista de transferências. Mais tarde, o defesa retratou-se publicamente através da internet: «Peço desculpa por toda esta situação. Aos adeptos, a todo o Slavia, ao futebol checo. Estas coisas não deveriam acontecer num mundo civilizado.» Agora, tem este verão a oportunidade ideal para se redimir. Estreou-se pela seleção nacional em 2023, um ano após a sua mudança para o Slavia, e assumiu pouco tempo depois: «Eu e o meu pai costumamos dizer que a minha história dava um livro. Mas não quero estar a gabar-me, é apenas algo que sinto. Cada um de nós tem a sua história e todos chegámos aqui de alguma maneira. Eu não era um talento por aí além quando era mais jovem. Nunca integrei as seleções jovens… Estou orgulhoso de mim próprio pelo que conquistei e quero continuar neste caminho.» Curiosamente, o seu colega de equipa Lukas Cerv é seu primo.
22. TOMAS SOUCEK
Data de nascimento: 27 de fevereiro de 1995
Clube: West Ham
Posição: Médio-centro
Não foi uma época fácil para Soucek num West Ham em dificuldades, mas ele continua a ser uma peça fundamental na seleção de Miroslav Koubek – uma força de 1,93 metros brilhantemente enérgica no meio-campo. No ano passado, foi eleito o Futebolista Checo do Ano pela quarta vez. Cresceu em Havlickuv Brod, uma cidade com uma população de 23 mil habitantes, e provém de uma família ligada ao desporto: o pai é treinador de futebol e a mãe é corredora. «Ela corre meias-maratonas e maratonas e, às vezes, quando eu era mais novo, ia com ela para a floresta», conta. «E por vezes, quando estava na pré-época, ia com ela correr para a floresta. Acho que herdei a resistência dela». No ano passado publicou a sua autobiografia, na qual revelou que tinha ponderado reformar-se mais cedo durante aquilo que foram «dois anos de horror» passados com insónias e depressão. Melhorou com ajuda médica e contou que a sua imagem de marca nas celebrações, o «helicóptero», nasceu dessa experiência: «De jogo para jogo, focava-me principalmente em não dormir, o que na verdade me perturbava a dobrar. E foi por isso que nasceu o helicóptero, a minha celebração de golo. Começo a girar ligeiramente e a desfrutar da sensação de levantar voo. Gosto quando os adeptos me chamam helicóptero. É um símbolo do que fiz, do que superei e de onde estou. Exprime o meu sentimento interior de que consigo lutar.»
8. VLADIMÍR DARIDA
Data de nascimento: 8 de agosto de 1990
Clube: Hradec Kralove
Posição: Médio-centro
Uma personalidade despretensiosa: quando Darida jogou no Friburgo, entre 2013 e 2015, ia de trotineta para os treinos. Desfez-se dela, contudo, quando se mudou para Berlim, para jogar no Hertha. «Não era propriamente seguro no trânsito de Berlim», disse. «O meu pai levou-a de volta para a Chéquia e dei-a à minha irmã.» Não teve uma caminhada fácil rumo ao futebol profissional: quase teve de deixar o desporto aos 16 anos quando o seu crescimento estagnou, deixando-o em dificuldades para lidar com a vertente física do jogo. Mas, através de muito trabalho e de uma dieta sem glúten, desenvolveu a força necessária. Passou sete anos no Hertha antes de se mudar para o Aris, na Grécia, em 2022, e regressar à Chéquia no ano passado para representar o Hradec Kralove. Traz uma bagagem enorme de experiência, tendo-se estreado pela seleção em 2012 e capitaneado a equipa no Euro 2020. Após esse torneio, retirou-se dos palcos internacionais, afirmando: «Vivi momentos lindos na seleção, mas agora gostaria de passar muito mais tempo com a minha família e com o meu filho pequeno.» Mas foi convencido a voltar em março deste ano, regressando, aos 35 anos, para ajudar a equipa nos play-offs de qualificação para o Mundial.
12. LUKAS CERV
Data de nascimento: 10 de abril de 2001
Clube: Viktoria Plzen
Posição: Médio
Primo do seu colega de equipa David Doudera, Cerv estreou-se a nível internacional há dois anos, pouco depois de trocar o Slovan Liberec pelo Viktoria Plzen, e foi a única novidade absoluta na convocatória da seleção nacional para o Euro 2024. A chamada, de resto, apanhou-o completamente de surpresa. «Genuinamente, nem queria acreditar ao início», confessou após chegar ao estágio da equipa, acrescentando: «Tinha ido de férias, por isso, quando recebi a chamada, tive de deixar lá a minha família e apanhar o avião. Deixei-os por lá a aproveitar o calor e o sol e aqui estamos nós, debaixo de chuva e nevoeiro. Mas é realmente inacreditável.» A integração na estrutura da seleção, contudo, acabou por ser simples: «Conheço muitos rapazes dos sub-21 e tenho aqui o Doudis [Doudera], o meu primo, além dos companheiros do Plzen, por isso correu tudo bem. Mas passo a maior parte do tempo com o Doudis.» Dois anos volvidos, está plenamente integrado e assume-se como uma alternativa experiente e de total confiança para a comitiva deste Mundial. Uma curiosidade: o seu apelido traduz-se literalmente como «verme».
17. LUKAS PROVOD
Data de nascimento: 23 de outubro de 1996
Clube: Slavia Praga
Posição: Ala
Uma presença imponente de 1,88 metros sobre a ala, sendo igualmente veloz. Provod fez a sua formação no clube da sua terra natal, o Viktoria Plzen, passando depois por uma série de empréstimos enquanto se afirmava, primeiro no Banik Sokolov, depois no Ceske Budejovice, e finalmente no Slavia Praga, ao qual se vinculou a título definitivo em 2020. «Parece inacreditável. Parece uma história bonita. Tudo aconteceu muito rápido. É um grande desafio para mim e não hesitei. O Slavia é o maior e mais bem-sucedido clube da Chéquia por isso a escolha foi imediata.» Estreou-se pela seleção no mesmo ano, num jogo da Liga das Nações frente à Eslováquia. Falhou o Euro 2020 por lesão, mas integrou os convocados para 2024 e marcou no jogo de abertura contra Portugal. Um elemento polivalente, que também poderá ser chamado a desempenhar funções em zonas mais centrais ou na frente de ataque.
18. MICHAL SADILEK
Data de nascimento: 31 de maio de 1999
Clube: Slavia Praga
Posição: Médio
Aos 16 anos, Sadilek tomou uma decisão ousada. Em vez de seguir o seu irmão mais velho, Lukas, no sistema de formação do seu país natal, partiu para os Países Baixos para ingressar no PSV. Talvez o tempo afastados lhes tenha feito bem. «Em miúdos estávamos juntos todos os dias», recordou Michal. «Às vezes, como todos os rapazes pequenos, partíamos a cabeça um ao outro, andávamos à pancada e coisas do género». Mas hoje em dia não podiam ser mais próximos. «Estou orgulhoso do meu irmão. Escrevemos um ao outro após cada jogo e, quando há oportunidade, conversamos sobre tudo.» Mudou-se para o Twente em 2022, por três anos, antes de regressar a casa com o Slavia, em 2025. A sua carreira internacional não tem sido isenta de altos e baixos: estreou-se em 2021 mas teve de falhar o Euro 2024 depois de lesionar uma perna ao cair de um triciclo no estágio da seleção. A federação informou que o incidente ocorreu quando ele conduzia a bicicleta de três rodas num buraco e se despistou, mas não o criticou: «O acidente aconteceu no tempo livre do jogador, que ele tinha permissão para gastar como entendesse. Não violou as regras da equipa nem outros acordos internos.»
15. PAVEL SULC
Data de nascimento: 29 de dezembro de 2000
Clube: Lyon
Posição: Médio-ofensivo
Amplamente apontado a uma grande transferência após este torneio – este verão é uma oportunidade soberana para Sulc mostrar os seus dotes. Pouco depois de ter sido eleito o melhor jogador checo de 2025, trocou o Viktoria Plzen pelo Lyon por uma verba inicial de 7,5 milhões de euros, recebendo a espinhosa missão de preencher o vazio deixado por Rayan Cherki. Mas sacudiu a pressão e deu o passo em frente com exibições soberbas, arrecadando rasgados elogios dos adeptos. A receção surpreendeu-o. «Tem sido incrível», disse em abril. «Sinceramente, não esperava tanto carinho dos adeptos, nem que acontecesse tão depressa... É a minha primeira experiência numa das cinco principais ligas da Europa e o futebol na Chéquia é simplesmente muito menos exigente. O treinador tem sido brilhante comigo». Mostra-se igualmente feliz por ser polivalente: «Darei sempre o meu melhor, mesmo que me ponham a jogar a defesa-central!»
24. ALEXANDR SOJKA
Data de nascimento: 2 de abril de 2003
Clube: Viktoria Plzen
Posição: Médio
Criado no seio de uma família muito ligada ao futebol. O pai de Sojka, Jindřich, foi presidente do SK Klatovy durante mais de vinte anos, clube onde o seu irmão mais velho alinha atualmente. Contudo, Alexandr foi quem chegou mais longe na família. O médio regressou ao seu primeiro clube, o Viktoria Plzen, no início deste ano, depois de os responsáveis terem acionado a cláusula de recompra para o desvincular do Hradec Králové. «Decidimos acionar a opção», justificou o diretor desportivo do clube, Martin Vozábal, acrescentando: «O objetivo é aumentar a concorrência no meio-campo e ele exibiu-se a um nível muito bom durante o outono.» Tem-se afirmado como um elemento tecnicamente evoluído e polivalente. A sua inclusão nos convocados da seleção nacional foi um momento avassalador para o pai. «Toda a família vive para isto», confessou Jindřich ao iSport, completando: «A única pena é que o avô dele, um grande adepto do Plzen desde a infância, já não esteja cá para ver isto. O Saša [Alexandr] está finalmente a mostrar o que vale. As pessoas nesta região vivem para o futebol, por isso estão todos muito felizes pelo Saša. Valorizam muito o facto de um miúdo de Klatovy conseguir atingir este patamar.»
25. HUGO SOCHUREK
Data de nascimento: 7 de junho de 2008
Clube: Sparta Praga
Posição: Médio
A jovem promessa
O benjamim do grupo, Sochurek tinha ainda 17 anos quando a convocatória final foi anunciada. Produto da academia do Sparta, estreou-se pelo seu clube no ano passado e fez a sua estreia internacional num jogo de preparação frente ao Kosovo, em maio. Contudo, a sua abordagem fria e destemida convenceu Miroslav Koubek de que o miúdo estava pronto. Após a sua afirmação na equipa principal do Sparta, o treinador Brian Priske referiu: «Ele joga como se tivesse mais de trinta anos. Os jogadores da equipa principal acolheram-no de imediato quando viram o que ele era capaz de fazer com a bola.» O seu treinador nos escalões de formação, Pavel Drsek, explicou ao Eurofotbal.cz em maio: «Ele teve uma evolução tremenda no último ano, cresceu fisicamente, tem coxas fortes e é difícil tirar-lhe a bola. Não é o típico médio checo, gosta de ter a bola, o seu primeiro pensamento é ir para a frente, ultrapassar dois ou três adversários… E é um excelente rapaz, de alma pura, mas calmo. Uma vez entreguei-lhe a braçadeira de capitão antes de um jogo e ele disse-me logo que não podia ser o capitão. Não é o líder clássico, mas é claramente o motor da equipa.»
26. DENIS VISINSKY
Data de nascimento: 21 de março de 2003
Clube: Viktoria Plzen
Posição: Ala
Um jovem ala promissor que soube o que queria desde o momento em que chutou uma bola pela primeira vez. «Joguei primeiro na aldeia onde nasci, pelo AFK Horin, aos três anos», recordou. «Depois mudámo-nos e comecei a jogar pelo Melník. Quando tinha seis anos, jogámos um torneio algures, não sei exactamente onde, e o Slavia Praga referenciou-me ali. Fui ao Slavia fazer testes e entrei para o clube quando tinha seis anos». Teve uma progressão rápida e, no ano passado, assinou pelo Viktoria Plzen vindo do Slovan Liberec. O diretor desportivo do Viktoria, Daniel Kolar, apelidou-o de «um talento extraordinário», o qual confirmou com a camisola do Liberec. «Apesar da sua tenra idade, já disputou quase 80 jogos na liga. Temos um plano de desenvolvimento claro com ele e pretendemos potenciar ainda mais o seu valor». Dotado tecnicamente, tem velocidade e faro pelo golo – uma opção útil este verão. Tem Kevin De Bruyne como modelo.
10. PATRIK SCHICK
Data de nascimento: 24 de janeiro de 1996
Clube: Bayer Leverkusen
Posição: Avançado
O dom de Schick para marcar golos foi evidente desde muito jovem. A jogar pelo Vestec, numa aldeia perto de Praga, contam os treinadores que ele não celebrava os golos; em vez disso, limitava-se a agarrar na bola, levava-a para o círculo central e pedia para o jogo recomeçar. Quando falhava uma grande oportunidade, chorava e tinha de ser substituído. Aos oito anos, inspirou-se ao ver Wayne Rooney jogar pelo Manchester United contra o Sparta Praga. «Pensei que queria fazer aquilo – nunca ter um emprego normal e ganhar a vida como ele». E correu bem. Disputou um total de 36 minutos na liga pela equipa principal do Sparta Praga antes de a Sampdoria decidir que já tinha visto o suficiente, pagando 4 milhões de euros pelo esguio jovem de 20 anos. Assinou pela Roma um ano depois, numa transferência que poderia ter alcançado o recorde do clube de 42 milhões de euros, mas as coisas não funcionaram muito bem por lá: acabou na ala, foi emprestado ao Leipzig e depois vendido ao Leverkusen, em 2020, por 26,5 milhões de euros – onde tudo encaixou. Em abril deste ano, marcou o seu 100.º golo por eles em todas as competições. Ajudou a Chéquia a qualificar-se pela primeira vez em 20 anos através dos play-offs. Tinha 10 anos na última vez que jogaram um Mundial. «Lembro-me perfeitamente dos jogos. Os adeptos checos esperaram muito tempo por isto.»
19. TOMAS CHORY
Data de nascimento: 26 de janeiro de 1995
Clube: Slavia Praga
Posição: Avançado
Uma força da natureza de 1,93 metros que não tem medo de se fazer ao choque. Em janeiro, assumiu a sua imagem de 'bad boy', afirmando: «As pessoas não gostam de mim? Na verdade, isso faz-me sentir bem». Mas em maio as coisas atingiram o ponto de rutura: foi expulso por agredir um adversário com o cotovelo na cabeça num caótico dérbi de Praga, o seu terceiro cartão vermelho da temporada, o que levou o furioso presidente do Slavia, Jaroslav Tvrdik, a colocá-lo na lista de transferências. «O Tomas é claramente incapaz de controlar o seu comportamento», disse Tvrdik. «Com este comportamento, ele não pertence ao terreno de jogo». O comité disciplinar da liga suspendeu-o por seis jogos: «Não foi um evento acidental... nem as emoções nem o estilo de jogo assertivo que Tomas Chory apresenta podem servir de desculpa para tal ação». Tem muita experiência e passou toda a carreira clubística na Chéquia, tirando um período de empréstimo na Bélgica com o Zulte Waregem. Estreou-se pela seleção em 2023, marcando e assistindo na vitória por 3-0 sobre a Moldávia na qualificação para o Euro 2024.
13. MOJMIR CHYTIL
Data de nascimento: 29 de abril de 1999
Clube: Slavia Praga
Posição: Avançado
Uma opção alta e experiente na frente, Chytil causou forte impacto na sua estreia internacional em 2022 – marcando um 'hat-trick' em dez minutos num amigável contra as Ilhas Faroé. É conhecido por ser físico e destemido, um autêntico quebra-cabeças, e poderá ser uma arma importante este verão. Passou a maior parte do início de carreira no Sigma Olomouc, antes da mudança, em 2023, para o Slavia Praga onde, novamente, se estreou a marcar, faturando contra o Hradec Králové na jornada de abertura. O treinador do clube, Jindrich Trpisovsky, descreveu-o bem: «A primeira coisa que me vem à cabeça sobre o Mojmir é o benefício mais amplo que ele traz à equipa: o seu espírito de luta, o quão maçador é para os defesas. Tem uma proteção de bola muito boa, talvez o melhor jogo de costas para a baliza na liga. É um jogador de equipa, combativo, com excelentes qualidades físicas.»
9. ADAM HLOZEK
Data de nascimento: 25 de julho de 2002
Clube: Hoffenheim
Posição: Avançado/Ala
Um verdadeiro talento, que pode causar um grande impacto. Hlozek joga na Alemanha desde 2022, altura em que o Bayer Leverkusen tomou nota do seu registo no Sparta Praga: estreia na equipa principal aos 16 anos, marcando 40 golos e fazendo 36 assistências em 132 jogos, além de vencer a taça checa. Custou 13 milhões de euros, mas apenas permaneceu por dois anos, tendo ficado frustrado com um papel de rotatividade, mudando-se para o Hoffenheim por uns iniciais 17 milhões de euros. Polivalente, é uma ameaça descaído na ala ou em zonas centrais. É um grande fã de tatuagens, exibindo um leão gigante na coxa esquerda. «Tem um significado profundo e pessoal para mim e dá-me força», disse no ano passado. «Leão é o meu signo e identifico-me com o animal. O leão é conhecido pela sua mentalidade combativa, emana uma aura e é o rei da selva. Demorou cinco horas e meia na primeira sessão, depois fizemos uma pausa e a seguir foram mais cinco horas e meia. Mas estou contente por ter aguentado. Gosto muito.»
11. JAN KUCHTA
Data de nascimento: 8 de janeiro de 1997
Clube: Sparta Praga
Posição: Avançado
Apaixonado por galinhas
Avançado experiente que se estreou no escalão principal ao serviço do Slavia Praga em 2016 e que agora, uma década mais tarde, alinha no rival Sparta. Kuchta conta também no currículo com passagens pela Rússia, onde representou o Lokomotiv Moscovo, e pela Dinamarca, com as cores do Midtjylland. O seu trajeto na seleção nacional nem sempre foi pacífico: em novembro de 2023, foi um dos três jogadores — a par de Jakub Brabec e Vladimír Coufal — expulsos do estágio por terem saído à noite numa discoteca a dois dias de um encontro decisivo frente à Moldávia, de apuramento para o Euro 2024; escusado será dizer que ninguém espera festas a meio do torneio em solo norte-americano. Agressivo e poderoso dentro das quatro linhas, revela uma faceta muito mais terna fora delas, dedicando-se à criação de galinhas, coelhos, patos e gansos na sua quinta familiar. Quando se mudou para Moscovo em 2022 e teve de se separar dos seus animais, desabafou: «As galinhas fazem parte da minha vida, estava habituado a ir ter com elas de manhã e a voltar lá depois do treino, limpava-me a cabeça. Vai demorar um tempo a adaptar-me. Não posso levá-las para lá, estão dezassete graus negativos… As galinhas vão ter de esperar até eu regressar a casa e aí voltarei a dar-lhes muita atenção.»
Textos de Jan Palicka, do Seznamzpravy.cz Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.