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Mundial 2026: perfis dos jogadores da Bósnia e Herzegovina
1. NIKOLA VASILJ
Data de nascimento: 2 de dezembro de 1995
Clube: St. Pauli
Posição: Guarda-redes
Guarda-redes de longo curso
A baliza é um assunto de família para os Vasilj: o pai de Nikola, Vladimir, integrou as comitivas da Croácia nos Mundiais de 1998 e 2002, enquanto o próprio Nikola representa a Bósnia e Herzegovina — algo que, nesta região do globo, ninguém estranha. Ao contrário de muitos guardiões de elite da atualidade, Vasilj nunca foi visto como um prodígio precoce e passou anos num carrossel de empréstimos, equipas de reservas e escalões secundários antes de se fixar na Bundesliga, ao serviço do carismático St. Pauli. Na infância, era um grande admirador de Manuel Neuer e acabou por ter a oportunidade de defrontar o seu ídolo — ainda que a recente descida de divisão possa colocar um ponto final nesses duelos. Apesar do seu estilo agressivo e de reflexos espetaculares, os companheiros de equipa descrevem-no como alguém invulgarmente calmo e reservado fora dos relvados.
22. MARTIN ZLOMISLIĆ
Data de nascimento: 16 de agosto de 1998
Clube: HNK Rijeka
Posição: Guarda-redes
Zlomislić seguiu um trajeto relativamente discreto até ao escalão principal, cimentando a sua reputação através da consistência e não do mediatismo. Após formar-se no Široki Brijeg, mudou-se para o Rijeka, onde se afirmou como um dos guarda-redes mais fiáveis do futebol croata, ajudando o clube a intrometer-se na luta pelo título e em noites europeias. Embora Nikola Vasilj continue a ser o número um indiscutível da Bósnia e Herzegovina, Zlomislić oferece à seleção uma alternativa experiente e de total confiança. Raras vezes atrai as atenções, o que para um guarda-redes é habitualmente um excelente sinal. Os treinadores na Croácia elogiam frequentemente a sua compostura, posicionamento e capacidade de manter a serenidade nos momentos de maior aperto.
12. MLADEN JURKAS
Data de nascimento: 7 de outubro de 2007
Clube: Borac Banja Luka
Posição: Guarda-redes
As coisas mudaram a uma velocidade vertiginosa para este jovem. Por esta altura, no ano passado, Mladen Jurkas somava os primeiros minutos na equipa principal no segundo escalão da Bósnia e Herzegovina; escassos doze meses depois, viu-se a bordo de um avião rumo ao Mundial. Jurkas estreou-se a nível sénior pelo Borac Banja Luka com apenas 17 anos e, esta temporada, afirmou-se como o dono indiscutível da baliza do clube. O Borac conquistou o seu quarto título de campeão, com o jovem guardião a manter a baliza inviolada em 16 ocasiões ao longo de 31 jogos — registos que, inicialmente, apenas lhe valeram um lugar na lista de reservas da Bósnia e Herzegovina. Contudo, após Osman Hadžikić sofrer uma lesão no particular diante da Macedónia do Norte, Jurkas recebeu uma chamada de última hora, transformando o que já tinha sido um ano memorável em algo ainda mais improvável para o jovem de 18 anos.
4. TARIK MUHAREMOVIC
Data de nascimento: 28 de fevereiro de 2003
Clube: Sassuolo
Posição: Defesa-central
Maduro para a idade
Muharemovic fala cinco línguas e exibe uma serenidade em campo que muitas vezes faz esquecer a sua juventude. Nascido na Eslovénia, filho de pais bósnios, criado na Áustria e lapidado em Itália, o seu percurso de vida cruza já metade da Europa. A sua ascensão foi meteorica: os olheiros da Juventus viajaram originalmente até à Áustria para observar outro jogador no Wolfsberger, mas acabaram por garantir a contratação de Muharemovic. Desde então, o esquerdino evoluiu até se tornar num dos jovens mais cotados da Bósnia e Herzegovina, destacando-se pela facilidade com que avança no terreno para o miolo e pela qualidade na saída de bola sob pressão. Em Itália, cresce a sensação de que uma transferência para um patamar muito superior será apenas uma questão de tempo.
5. SEAD KOLASINAC
Data de nascimento: 20 de junho de 1993
Clube: Atalanta
Posição: Defesa-central / Lateral-esquerdo
Antigo segurança de discoteca
Apelidado de «O Tanque», Kolasinac construiu a sua reputação assente na agressividade, lealdade e na dureza à antiga. Nascido em Karlsruhe, na Alemanha, filho de pais bósnios que fugiram da guerra, trabalhou como segurança de discoteca na adolescência enquanto progredia na formação do Schalke. Em Gelsenkirchen tornou-se numa figura de culto pelo seu estilo intransigente e pela forte ligação aos adeptos, antes de correr o mundo em 2019, quando confrontou assaltantes armados durante uma tentativa de roubo ao seu então colega de equipa no Arsenal, Mesut Özil, em Londres. Sendo um dos dois únicos jogadores do atual plantel da Bósnia e Herzegovina com experiência prévia em Mundiais, Kolasinac é também recordado pelo infeliz autogolo apontado logo aos três minutos frente à Argentina, no Maracanã, no jogo de estreia absoluta do país na competição, em 2014.
7. AMAR DEDIC
Data de nascimento: 18 de agosto de 2002
Clube: Benfica
Posição: Lateral-direito
Existem duas facetas bem distintas na personalidade de Amar Dedic. Fora das quatro linhas revela-se calmo, educado e ligeiramente reservado; lá dentro, joga com uma agressividade e intensidade constantes, sempre a acelerar, a pressionar e a pedir a bola. Os treinadores confiaram nele desde muito jovem precisamente devido a essa mentalidade. Nascido e criado na Áustria no seio de uma família bósnia que abandonou o país durante os anos da guerra, Dedic recorda frequentemente os sacrifícios que os pais fizeram para construir uma nova vida no estrangeiro. O Salzburgo integrou-o na sua academia aos 13 anos e, a partir daí, o seu percurso levou-o a palcos como a Liga dos Campeões e o Marselha, até aterrar no Benfica. Apesar de ter apenas 23 anos, soma já mais de 25 internacionalizações pela Bósnia e Herzegovina e chega a este Mundial como um dos líderes da nova vaga.
18. NIKOLA KATIC
Data de nascimento: 10 de outubro de 1996
Clube: Schalke 04
Posição: Defesa-central
À antiga
Durante a célebre vitória do Plymouth Argyle sobre o Liverpool na Taça de Inglaterra, em 2025, Katic perdeu um dente logo no início do encontro, continuou em campo e, no final, soltou um palavrão em direto na televisão porque, como o próprio explicou: «Adoro mesmo esta m****.» Foi o resumo perfeito do defesa que os adeptos da Bósnia e Herzegovina já aprenderam a idolatrar. Alto, agressivo e destemido, Katic pertence a uma estirpe de defesas-centrais que encara o ato de defender como uma batalha pessoal. Antes de optar pela seleção principal da Bósnia, representou a Croácia nos escalões jovens e construiu o início de carreira nas divisões secundárias do futebol croata, até o Slaven Belupo lhe dar a oportunidade de se projetar. O Rangers contratou-o mais tarde, durante a reestruturação operada por Steven Gerrard, e o seu estilo físico transformou-o rapidamente num dos favoritos de Ibrox.
3. DENNIS HADZIKADUNIC
Data de nascimento: 9 de julho de 1998
Clube: Sampdoria
Posição: Defesa-central
A carreira de Hadzikadunic tem sido invulgarmente instável para um jogador que ainda está na casa dos vinte anos. Desde que trocou o Malmö pelo Rostov em 2018, passou anos a saltar de país em país e de clube em clube quase a cada época, com passagens por Suécia, Rússia, Espanha e Alemanha antes de chegar a Itália — em grande parte devido aos regulamentos da FIFA que, após a invasão da Ucrânia, forçaram sucessivas cedências temporárias para fora de Rostov. A dada altura, o próprio confessou estar cansado de se adaptar continuamente a novos balneários, treinadores e cidades. Nascido e criado em Malmö, filho de pais bósnios, Hadzikadunic representou a Suécia em todos os escalões jovens antes de decidir mudar de rumo e defender as cores da Bósnia e Herzegovina. Tranquilo com a bola nos pés e elegante nos processos, é há muito visto como um dos defesas tecnicamente mais evoluídos na estrutura da seleção nacional.
21. STJEPAN RADELJIC
Data de nascimento: 5 de setembro de 1997
Clube: HNK Rijeka
Posição: Defesa-central
Com os seus 2,01 metros de altura, é impossível ignorar Radeljic num terreno de jogo, mas a sua carreira foi bem menos linear do que a sua imponência física faz prever. Antes de se fixar no patamar mais alto, passou anos repartidos por futebol de reservas, empréstimos e clubes de menor dimensão na Croácia, Alemanha e Moldávia, nunca sendo apontado como um valor de primeira linha. A paciência acabou por dar frutos. Depois de ajudar o Sheriff Tiraspol no período de maior sucesso da história do clube, encontrou a estabilidade pretendida no Rijeka, onde se assumiu como uma das figuras da equipa que conquistou o título croata em 2025. Embora seja naturalmente associado aos duelos aéreos e ao futebol físico devido à sua estatura, Radeljic goza de reputação como um especialista em termos posicionais, disciplina e regularidade.
24. NIDAL CELIK
Data de nascimento: 17 de julho de 2006
Clube: Lens
Posição: Defesa-central
A próxima geração
Antes mesmo de completar 18 anos, Celik já envergava a braçadeira de capitão no Sarajevo, um clube onde esse estatuto é habitualmente reservado a atletas mais experientes e com anos de casa. No futebol bósnio, o gesto foi encarado não como uma operação de charme, mas sim como a confirmação daquilo que os treinadores já diziam em privado há muito: Celik tinha uma postura diferente da maioria dos jogadores da sua idade. Alto, sereno e invulgarmente maduro com bola, pertence a uma geração de defesas bósnios moldada tanto pelo futebol posicional moderno como pelas velhas premissas balcânicas de virilidade. O Lens garantiu o seu concurso no início de 2025, protagonizando uma das transferências mais caras da história da liga bósnia. Para os adeptos, contudo, o pormenor mais relevante era a sua génese. Celik é um miúdo de Sarajevo no sentido mais puro do termo: produto da formação, capitão e um dos poucos grandes talentos dos últimos anos que sentia uma ligação genuína ao clube antes de rumar ao estrangeiro.
2. NIHAD MUJAKIC
Data de nascimento: 15 de abril de 1998
Clube: Gaziantep
Posição: Defesa-central
Poucos jogadores no plantel da Bósnia e Herzegovina percorreram um caminho tão singular quanto Nihad Mujakic, que conseguiu a proeza de alinhar pelo Sarajevo, Hajduk Split e Partizan de Belgrado — três clubes cujos adeptos raramente estão de acordo em alguma coisa, exceto no facto de o futebol ser uma questão de vida ou morte. No seio da seleção bósnia, a sua avaliação interna difere da perceção pública. O selecionador nacional, Sergej Barbarez, aprecia-o menos como um defesa refinado e mais como um operário capaz de lidar com momentos de aperto sem vacilar. Quase todas as seleções têm aquele jogador que divide as opiniões dos adeptos — Mujakic bem pode ser esse elemento nesta geração.
6. BENJAMIN TAHIROVIC
Data de nascimento: 3 de março de 2003
Clube: Brøndby
Posição: Médio-defensivo
A ascensão de Tahirović ao futebol de elite processou-se a uma velocidade invulgar. Nascido na Suécia, filho de pais bósnios, saltou das divisões secundárias suecas para a Roma de José Mourinho num espaço de poucos anos. O Ajax contratou-o logo a seguir com o rótulo de ser um dos médios jovens mais promissores da Europa. Contudo, a sua carreira conheceu já mais turbulência do que a maioria dos jogadores experiencia numa década. Após passagens complicadas por Amesterdão e pela Dinamarca, viu-se inesperadamente envolvido numa polémica pública antes do play-off de acesso ao Mundial frente ao País de Gales, quando Sergej Barbarez alegou que o treinador galês do Brøndby, Steve Cooper, tinha conspirado deliberadamente para o afastar do jogo. Barbarez acabou por pedir desculpa a Cooper, que na verdade tinha afastado o jogador por não «cumprir os valores» do clube dinamarquês, mas o episódio ilustrou bem a importância que o jovem de 23 anos já assumia na seleção nacional.
16. AMIR HADZIAHMETOVIC
Data de nascimento: 8 de março de 1997
Clube: Hull City
Posição: Médio-centro
Quando Amir Hadziahmetovic sofreu uma lesão no joelho durante a caminhada do Hull City rumo aos play-offs da Championship, sob o comando de Sergej Jakirović, temeu-se de imediato que o Mundial estivesse fora de hipótese. A Federação da Bósnia e Herzegovina confirmou publicamente a gravidade do cenário, a cirurgia parecia inevitável e a recuperação a tempo do torneio desenhava-se impossível. Daí que a inclusão do seu nome na lista final de Sergej Barbarez tenha sido uma das maiores surpresas do anúncio. Barbarez justificou mais tarde que os médicos acreditavam que Hadziahmetovic poderia recuperar sem recorrer à cirurgia antes do Mundial, ainda que com riscos significativos para o seu futuro a longo prazo. O jogador preferiu arriscar pelo torneio. Essa decisão define-o provavelmente melhor do que qualquer descrição tática. Calmo e inteligente, embora raramente espetacular, Hadziahmetovic passou a maior parte da carreira a ser mais valorizado pelos treinadores do que pelos vídeos de lances geniais. Desde que deixou o Željezničar rumo à Turquia em jovem, tornou-se silenciosamente num dos médios taticamente mais disciplinados da Bósnia.
8. ARMIN GIGOVIC
Data de nascimento: 6 de abril de 2002
Clube: Young Boys
Posição: Médio-centro
Gigovic fez grande parte do seu percurso jovem nas seleções da Suécia, chegando a capitanear os sub-21, antes de optar por representar a Bósnia e Herzegovina no escalão principal, isto apesar de ter evoluído ao lado de uma geração sueca de enorme talento, onde constavam nomes como Anthony Elanga, Lucas Bergvall ou Roony Bardghji. Nascido em Lund, filho de pais bósnios, sedimentou o seu prestígio com base na intensidade, na pressão e na entrega física constante, mais do que por um futebol vistoso. O seu momento de maior glória com a camisola bósnia aconteceu em Bucareste, em março de 2025. A Bósnia chegava à qualificação para o Mundial sem qualquer vitória nos sete jogos anteriores e sob enorme pressão após anos de desilusões. Gigovic apontou o único golo frente à Roménia, carimbando um dos triunfos fora de portas mais marcantes da seleção e transformando o ambiente em redor da comitiva quase da noite para o dia.
26. ERMIN MAHMIC
Data de nascimento: 14 de março de 2005
Clube: Slovan Liberec
Posição: Médio-ofensivo
Novo recruta
Faltavam escassos dias para Sergej Barbarez anunciar a lista da Bósnia e Herzegovina para o Mundial e Ermin Mahmic era ainda, oficialmente, internacional jovem pela Áustria. Seguiu-se uma operação relâmpago conduzida pela calada da noite por Barbarez e pelo diretor desportivo Emir Spahic, que convenceram o médio do Slovan Liberec a mudar de federação mesmo em cima do fecho do torneio. O que tornou a história ainda mais singular foi o facto de Mahmic já ter mudado de rumo uma vez no passado. Nascido e criado na Áustria, representou brevemente a Bósnia no escalão de sub-19 antes de regressar ao sistema austríaco, operando agora nova reviravolta. «Nem imaginam o quão feliz e orgulhoso ele está por estar connosco», referiu Barbarez após a aprovação da FIFA. «Tem o perfil de um jogador que não abunda por cá, um elemento que vai continuar a evoluir, com o objetivo de dar à Bósnia bons valores para os próximos 10 anos.»
13. IVAN BASIC
Data de nascimento: 30 de abril de 2002
Clube: Astana
Posição: Médio-defensivo
Basic era ainda um adolescente quando os responsáveis do seu primeiro clube, o Zrinjski Mostar, começaram a descrevê-lo como um jogador «à moda antiga» no melhor dos sentidos — não pela aparência ou forma de falar, mas sim pela sua leitura de jogo. Numa altura em que muitos jovens médios se perdem em fintas e floreados, Basic construiu o seu nome aperfeiçoando o posicionamento, o timing de intervenção e uma sensibilidade invulgar para ditar o ritmo de jogo. A sua carreira tomou, entretanto, um rumo que poucos jogadores bósnios imaginariam. Após sagrar-se campeão pelo Zrinjski, transferiu-se para os russos do Orenburg num dos períodos mais complexos do futebol europeu moderno, antes de prosseguir o seu trajeto no Cazaquistão com as cores do Astana. Longe dos holofotes das grandes ligas, moldou-se paulatinamente como um dos médios taticamente mais fiáveis da nova geração da Bósnia e Herzegovina.
14. IVAN SUNJIC
Data de nascimento: 9 de outubro de 1996
Clube: Pafos
Posição: Médio-defensivo
Antes mesmo de Sunjic aterrar em Inglaterra em 2019, quando o Birmingham City desembolsou cerca de 7 milhões de libras para o levar para a Championship, já ostentava a reputação de ser uma das maiores promessas do Dinamo Zagreb — capitão, internacional pela Croácia e um médio com bagagem de Youth League e Champions League. Em vez de noites glamorosas na Premier League, porém, os quatro anos seguintes foram pautados por lutas pela permanência, instabilidade técnica e um futebol dos mais exigentes do ponto de vista físico na Europa. Nascido em Zenica e criado na Croácia, Sunjic alterou a sua nacionalidade internacional da Croácia para a Bósnia e Herzegovina em 2024. Para muitos adeptos, a mudança teve um forte pendor simbólico: um jogador outrora visto como peça-chave no futuro croata optou por abraçar o projeto bósnio numa fase de plena renovação da equipa de todos nós.
15. AMAR MEMIC
Data de nascimento: 20 de janeiro de 2001
Clube: Viktoria Plzen
Posição: Extremo
Trabalhador nato
Há apenas alguns anos, Memic competia no segundo escalão do futebol bósnio ao serviço do Radnik Hadzici, longe das luzes da ribalta ou de conversas sérias sobre a seleção nacional. A sua ascensão desde então foi supersónica, mesmo para os padrões atuais: Eslovénia, futebol checo, Viktoria Plzen e competições europeias, tudo num intervalo de quatro anos. A opção de Sergej Barbarez de o chamar à seleção principal em 2025 causou admiração, inicialmente, a muitos adeptos na Bósnia e Herzegovina. No entanto, no seio do grupo, Memic rapidamente conquistou o respeito geral graças aos atributos que definem a sua matriz: velocidade, verticalidade e uma energia inesgotável com e sem bola. Barbarez enalteceu a sua mentalidade e propensão para o sacrifício coletivo, enquanto os companheiros de equipa o apontam como uma das personalidades mais fáceis de integrar num balneário.
17. DZENIS BURNIC
Data de nascimento: 22 de maio de 1998
Clube: Karlsruhe
Posição: Médio-defensivo
A formação futebolística de Burnic fez-se no Borussia Dortmund, uma das academias mais exigentes da Europa, onde era visto como uma das promessas mais firmes do meio-campo do clube nos tempos de juventude. Conquistou vários títulos nacionais de formação pelos amarelos e estreou-se na Liga dos Campeões com apenas 18 anos — uma das suas duas únicas aparições na equipa principal do colosso alemão —, mas a sua carreira sénior acabou por tomar um rumo bem menos idílico do que o antevisto: empréstimos, lutas contra a descida e uma busca constante por estabilidade marcaram a primeira metade do seu trajeto. Nascido na Alemanha, filho de pais bósnios, Burnic representou o país de nascimento em todas as categorias jovens antes de mudar para a Bósnia e Herzegovina em 2024, fruto de uma longa reflexão: após receber a primeira convocatória, confessou que jogar pela Bósnia era algo em que pensava «desde a infância».
20. ESMIR BAJRAKTAREVIC
Data de nascimento: 10 de março de 2005
Clube: PSV Eindhoven
Posição: Extremo
Orgulho bósnio
Anos antes de se converter numa das maiores esperanças da Bósnia e Herzegovina, um vídeo caseiro gravado em Appleton, no Wisconsin, mostrava Bajraktarevic com cinco anos a jogar futebol no quintal lá de casa, exibindo uma camisola de Edin Džeko vários tamanhos acima e a festejar um golo numa baliza em miniatura. As imagens tornaram-se virais quando o extremo optou pela Bósnia e Herzegovina em detrimento dos Estados Unidos no escalão sénior. «Quando as pessoas me perguntam de onde sou, respondo que sou bósnio», afirmou Bajraktarević, cujos pais emigraram para a América após escaparem ao genocídio de Srebrenica. «Cresci numa família bósnia. Falo bósnio com os meus pais. Está no meu sangue, são as minhas raízes.» Houve contornos poéticos na sua estreia pela seleção AA: lançado a partir do banco frente aos Países Baixos, em 2024, demorou escassos cinco minutos para assistir o próprio Džeko para o golo. Destemido no um para um e aparentemente imune à pressão apesar da tenra idade, assumiu-se rapidamente como um dos rostos da nova era de Sergej Barbarez, tendo convertido o penálti decisivo no desempate frente a Itália que carimbou o passaporte da Bósnia para o Mundial.
19. KERIM ALAJBEGOVIC
Data de nascimento: 21 de setembro de 2007
Clube: Bayer Leverkusen
Posição: Médio-ofensivo / Extremo
O rosto do futuro
Antes de a maioria dos adeptos na Bósnia e Herzegovina o ver cumprir um jogo completo no escalão sénior, já as imagens dos seus pormenores técnicos faziam furor nas redes sociais. O mediatismo disparou quando o Bayer Leverkusen, que o lapidava desde 2021, o vendeu ao Red Bull Salzburgo no último verão, onde começou a jogar regularmente na equipa principal. Dizer que brilhou é manifestamente curto: Alajbegovic foi eleito a revelação da temporada na Bundesliga austríaca, com exibições de tal nível que levaram o Bayer a acionar a cláusula de recompra antes do final de março. Simon Rolfes, diretor desportivo dos farmacêuticos, sublinhou que o jogador «não só cumpriu as elevadas expetativas que existiam em Salzburgo, como até as superou num curtíssimo espaço de tempo». O que tem impressionado tanto ou mais do que o seu talento é a ausência total de medo. Com apenas 17 anos, Sergej Barbarez confiou-lhe a marcação de grandes penalidades em ambos os desempates do play-off do Mundial, tendo Alajbegovic transformado o rumo de ambas as partidas após saltar do banco. Na Bósnia e Herzegovina é já olhado não só como a maior promessa do país, mas como um dos futuros esteios da seleção.
25. JOVO LUKIC
Data de nascimento: 28 de novembro de 1998
Clube: Universitatea Cluj
Posição: Avançado
O percurso de Lukic até à convocatória da Bósnia e Herzegovina para o Mundial foi tudo menos linear. Ao contrário de outros avançados da sua geração que emigraram cedo, passou anos a edificar a sua carreira no futebol bósnio antes de rumar à Roménia em 2024, onde a época de estreia no Universitatea Craiova redundou num fracasso: apenas dois golos em 31 jogos e muitas dúvidas sobre se teria estofo para aquele nível. Foi então que tudo mudou radicalmente. Desde que se transferiu para o Universitatea Cluj, no último verão, o rendimento de Lukic disparou, terminando a campanha como o melhor marcador do campeonato romeno e forçando a entrada nos planos de Sergej Barbarez. «Mesmo que não jogue, é algo enorme para mim estar aqui», assumiu. Lukic brincou esta época com o facto de não marcar um hat-trick «há cinco anos», quebra de jejum que alcançou frente ao Hermannstadt em dezembro, dedicando os três golos ao filho pequeno com um festejo que o menino lhe tinha pedido.
9. SAMED BAZDAR
Data de nascimento: 31 de janeiro de 2004
Clube: Real Zaragoza
Posição: Avançado
Os adeptos do Partizan começaram a apelidar Samed Bazdar de «o novo Vlahović» antes de este completar 18 anos, numa altura em que o Vlahović original tinha somente 22. Os olheiros da Juventus terão seguido as suas pisadas na adolescência, enquanto a imprensa sérvia tratou de alimentar o habitual misticismo balcânico em redor de mais um avançado alto e tecnicamente evoluído saído dos relvados de Belgrado. O próprio Bazdar brincou um dia com o facto de «estar a melgar as pessoas no Partizan» com sessões suplementares de treino, acrescentando: «Era assim que o Dušan também fazia.» Após representar a Sérvia em todos os escalões de formação e somar uma internacionalização AA, a sua decisão de mudar para a Bósnia e Herzegovina sob a égide de Sergej Barbarez e Emir Spahic constituiu uma das novelas mais mediáticas da região ao nível de seleções. Dotado tecnicamente e imprevisível, Bazdar integra o lote de ativos com que a Bósnia conta para mitigar o inevitável adeus de Edin Džeko, ainda que a sua carreira a nível de clubes tenha perdido fulgor após o impacto inicial — tem sido suplente frequente desde que se mudou para os polacos do Jagiellonia Białystok por empréstimo, em janeiro.
10. ERMEDIN DEMIROVIC
Data de nascimento: 25 de março de 1998
Clube: Stuttgart
Posição: Avançado
Cumpridor de promessas
Antes do play-off de acesso ao Mundial da Bósnia e Herzegovina, Demirovic prometeu, em tom de brincadeira, que pagaria cerveja a todo o estádio de Estugarda caso a sua seleção se qualificasse. Consumada a vitória sobre a Itália, o avançado cumpriu mesmo a palavra, colocando-se atrás do balcão a servir cerveja gratuita aos adeptos do Estugarda. O gesto ganhou maior relevo dado que Demirovic não consome bebidas alcoólicas. «Sou um homem de palavra», referiu mais tarde. Nascido na Alemanha, filho de pais bósnios, Demirovic é um dos raros casos da sua geração que representou a Bósnia e Herzegovina em todos os escalões jovens até atingir a seleção principal. O seu percurso nos clubes foi bem mais sinuoso do que o previsto: dispensado pelo Hamburgo, rodou por empréstimos em França, Espanha e Suíça antes de se afirmar em definitivo como um dos avançados mais completos da Bundesliga ao serviço do Augsburgo e do Estugarda.
23. HARIS TABAKOVIC
Data de nascimento: 20 de junho de 1994
Clube: Borussia Mönchengladbach
Posição: Avançado
A participação de Tabakovic no Mundial esteve seriamente tremida em maio, na sequência de uma fratura no metatarso sofrida num encontro da liga diante do Hoffenheim. Inicialmente deu-se como certa a sua exclusão, mas o jogador garantiu estar «recuperado» e pronto para «viajar para o Mundial». Aos 31 anos, é uma oportunidade que poderá não voltar a bater-lhe à porta. Nascido na Suíça, filho de pais bósnios, passou anos em equipas de reservas e transferências malucas, somando golos por quase todos os lados sem nunca convencer plenamente os céticos de que valia para o primeiro plano. Seguiu-se o clique que quase ninguém antevia: já perto dos trinta anos, Tabaković explodiu ao serviço do Hertha de Berlim, faturando 22 golos em 32 jogos, registo que lhe valeu a mudança para o Borussia Mönchengladbach e, mais importante, a chamada à seleção da Bósnia e Herzegovina. Passaram quase dois anos entre a sua estreia e o primeiro golo internacional, mas depois faturou quatro em cinco jogos, incluindo o golo do empate tardio frente a Itália que, após o desempate por penáltis, carimbou o passaporte da Bósnia para o Mundial.
11. EDIN DZEKO
Data de nascimento: 17 de março de 1986
Clube: Schalke 04
Posição: Avançado
Uma lenda viva
Muito antes de se converter na figura cimeira da história do futebol da Bósnia e Herzegovina, Džeko foi vendido pelo Željezničar aos checos do Teplice por uma verba irrisória, dado que poucos no futebol bósnio acreditavam que um avançado alto e franzino, natural de Sarajevo, pudesse singrar na elite europeia. Cresceu a jogar à bola entre prédios e abrigos na Sarajevo fustigada pela guerra, descrevendo mais tarde o futebol desse período como «uma fuga à realidade». O que se seguiu foi a carreira mais brilhante que o futebol bósnio conheceu. Títulos da Bundesliga no Wolfsburgo, conquistas na Premier League pelo Manchester City, o estatuto de capitão na Roma, finais da Liga dos Campeões no Inter; Džeko fixou-se como o jogador com mais internacionalizações e o melhor marcador de sempre da Bósnia, mantendo-se como peça basilar aos 40 anos. No seu país, contudo, o seu impacto extravasou há muito as quatro linhas. Os jovens que integram a convocatória de Sergej Barbarez olham para ele não tanto como um colega de equipa, mas sim como a grande referência de toda uma geração.
Textos de Sasa Ibrulj para o Skaut Sport. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.