Seleção dos Países Baixos (IMAGO)
Seleção dos Países Baixos (IMAGO)

O PLANO

Terá Ronald Koeman começado alguma vez um grande torneio com mais dores de cabeça? Provavelmente não. Conhecido por ser um perfeccionista excecionalmente ambicioso, a preparação para este Mundial acabou por ser a mais atribulada de todos os seus anos enquanto selecionador nacional.

As lesões fazem parte do jogo, mas tornam-se um problema sério quando, na antecâmara de uma grande grande competição, cerca de metade do onze inicial está completamente riscada ou afastada há meses. Na primavera, Koeman afirmou que apenas levaria jogadores que estivessem totalmente aptos e a jogar com regularidade, mas essa postura tornou-se difícil de manter.

Xavi Simons, do Tottenham, sofreu uma rutura do ligamento cruzado anterior no final da temporada e só regressará no próximo ano, com o médio do PSV, Jerdy Schouten, também a recuperar da mesma lesão. Matthijs de Ligt, que muitas vezes fez dupla com Virgil van Dijk no eixo da defesa, não recuperou a plenitude da forma física após um problema nas costas.

Frenkie de Jong, do Barcelona, falhou a maior parte da época; Denzel Dumfries, do Inter, esteve parado durante quatro meses, enquanto Stefan de Vrij (também do Inter) passou grande parte da campanha no banco de suplentes. Tijjani Reijnders, do Manchester City, e Nathan Aké, também foram suplentes habituais, enquanto Memphis Depay sofreu uma lesão grave na coxa no final da sua temporada no Brasil. Como se não bastasse, Jurrien Timber acabou riscado da lista também por lesão, já depois do arranque do estágio.

Koeman, um discípulo da escola de pensamento futebolístico de Johan Cruyff, prefere um futebol de ataque e, durante a qualificação, manteve-se fiel ao estilo tradicional neerlandês, mas poderá ter de abdicar do seu sistema preferido em 4x3x3 para o torneio.

Os Países Baixos – que estão inseridos num grupo difícil com o Japão, a Suécia e a Tunísia – devem agora selecionar os seus jogadores mais aptos e fortes, em detrimento dos mais talentosos que refletem a filosofia do futebol neerlandês. A KNVB (Federação Real Neerlandesa de Futebol) estabeleceu a meta mínima de alcançar as meias-finais, mas Koeman quer ir mais longe e vencer a competição. Mas isso exigirá muito trabalho árduo.

«O que eu gostava que as pessoas dissessem sobre a minha equipa é que joga com muita intensidade, que não podem dizer que não fizemos o suficiente», referiu Koeman à FIFA em maio. «Quero que joguem com confiança, com personalidade, compreendendo quais são as suas qualidades. E que respeitem sempre todos os adversários, apesar do facto de haver as chamadas nações mais pequenas no Mundial.»

O SELECIONADOR

Ronald Koeman, selecionador dos Países Baixos - Nacionalidade: Países Baixos
Ronald Koeman, selecionador dos Países Baixos - Nacionalidade: Países Baixos

Quando estava no Barcelona, Johan Cruyff pediu uma vez a Ronald Koeman para partilhar o quarto com uma jovem promessa chamada Pep Guardiola. Ambos cresceram sob a filosofia altamente ofensiva de Cruyff e levaram-na consigo para as suas carreiras de treinador. Koeman é o único técnico nos Países Baixos a ter desfrutado de sucesso nos três principais clubes rivais – Ajax, Feyenoord e PSV Eindhoven –, tanto como jogador como treinador. Por essa razão, é amplamente respeitado em todo o país, goza de uma forte reputação e mantém, desde há muito, uma relação positiva com os seus internacionais.

Koeman ruma ao Mundial numa altura em que a sua esposa, Bartina, luta contra o cancro. Foi-lhe diagnosticado um cancro da mama em 2010, que regressou em 2018 e 2023. Durante a campanha de qualificação, Koeman abandonou ocasionalmente o estágio para estar ao lado dela. «Se tive de sair [do estágio] foi para estar com a minha mulher, mas ela é incrivelmente forte e positiva», afirmou. «Isso é algo de muito especial. [Mas] é muito difícil. Ela não consegue fazer tudo o que costumava fazer e cansa-se mais facilmente devido aos efeitos secundários [da quimioterapia]. Mas focamo-nos nas coisas que mais importam para nós e que lhe dão energia. É algo bonito de se ver.»

A ESTRELA

Van Dijk e Mbappé (IMAGO)
Van Dijk e Mbappé (IMAGO)

Durante décadas, as estrelas dos Países Baixos foram os avançados, mas os neerlandeses têm sentido dificuldades em produzir pontas de lança de classe mundial nos últimos anos, pelo que, pela primeira vez, o setor mais forte da equipa é a defesa, liderada pelo formidável Virgil van Dijk. O defesa do Liverpool é, na verdade, a extensão de Koeman em campo. O jogador de 33 anos é o líder indiscutível e a figura mais vocal no balneário e no relvado. Representa o plantel nas discussões com a federação e consulta regularmente Koeman sobre tática. Contudo, não é imune às críticas de Koeman, que assume: «Tenho de andar em cima dele para garantir que se mantém focado. Ele sabe disso – tem sido assim desde o nosso tempo no Southampton. Mas é um líder fantástico.»

HERÓI DISCRETO

Micky van de Ven, Países Baixos (IMAGO)
Micky van de Ven, Países Baixos (IMAGO)

Micky van de Ven esteve sob os holofotes nos Países Baixos por ter enfrentado a luta contra a despromoção ao serviço do Tottenham e já tinha ficado de fora das convocatórias de Koeman no passado, uma vez que o selecionador estava preocupado com a possibilidade de o defesa sofrer lesões musculares devido à sobrecarga de jogos. Van de Ven nunca passou pela academia de um grande clube e teve de lutar pelo seu caminho até à Premier League via Volendam e Wolfsburg. Traz energia e poder à equipa com a sua velocidade excecional, desarmes fortes e uma entrega incansável. A nível internacional, compete há muito tempo com Nathan Aké por um lugar no eixo da defesa, mas parece ter ganho essa batalha mesmo em vésperas do Mundial.

XI PROVÁVEL

4x3x3: Verbruggen; Dumfries, Van Dijk, Van Hecke, Van de Ven; Gravenberch, Reijnders, De Jong; Malen, Depay, Gakpo.

O QUE ESPERAR DOS ADEPTOS

De uma coisa os americanos podem ter a certeza: a marcha da Oranje vai incendiar as cidades de Kansas City, Dallas e Houston. O famoso autocarro de dois andares cor de laranja foi enviado para os Estados Unidos um mês antes do Mundial e viajará para todas as cidades onde os neerlandeses jogarem. Milhares de adeptos neerlandeses farão a sua tradicional procissão desde o centro da cidade até ao estádio, liderados por este autocarro. No topo do veículo, artistas, DJs e bandas conhecidas dos Países Baixos irão atuar, ditando o ritmo e criando um grande ambiente. O Mundial contará também com a famosa coreografia «Links Rechts» (esquerda direita) dos Snollebollekes, que levou 60 mil adeptos neerlandeses a participar antes de cada jogo no Euro 2024.

RELAÇÃO COM OS EUA/TRUMP

O Rei Guilherme Alexandre e a Rainha Máxima já realizaram várias visitas a Donald Trump na Casa Branca. Estas visitas são vistas como um reforço estratégico das relações entre os Países Baixos e os EUA, com o Rei a atuar como uma ponte diplomática. No entanto, a opinião pública nos Países Baixos em relação a Donald Trump é maioritariamente negativa e figuras políticas neerlandesas proeminentes já foram vocais no passado, com alguns a descreverem Trump como «um charlatão político».

Textos de Wilber Hack e Gerard Borgman, do De Telegraaf. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.

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