O PLANO

«La Marea Roja» chega em grande voz. Após a sua histórica estreia em Mundiais, no Rússia 2018, desta vez estão aqui para jogar a sério e querem passar a fase de grupos. Com Michael Murillo a liderar a partir de trás, o jovem Kadir Barría pronto para explodir no panorama principal e o capitão Aníbal Godoy a continuar como o coração e a alma da equipa, o Panamá está preparado para escrever um novo capítulo.

Esta é uma equipa mais madura do que aquela de 2018. Sob o comando do selecionador Thomas Christiansen, desenvolveram um estilo de jogo pragmático, com uma defesa organizada, transições rápidas e muita capacidade física. Costumam jogar em 4-2-3-1 ou 4-3-3, com Murillo como a figura de proa na lateral-direita e um duplo pivô composto por Aníbal Godoy, que recupera a bola, e Adalberto Carrasquilla, que sabe o que fazer com ela. No ataque, Ismael Díaz e José Fajardo são velocistas de gatilho fácil.

O Panamá liderou o seu grupo da Concacaf na qualificação, sofrendo apenas quatro golos na fase final de grupos e selando o seu lugar na fase final com uma vitória por 3-0 frente a El Salvador, no passado mês de novembro. Melhoraram na posse de bola e chegam à América do Norte cheios de confiança, embalados pelo alcance dos quartos de final da Copa América de 2024 e da final da Gold Cup de 2023.

«A nossa fé move montanhas», afirmou Christiansen. «Ao estarmos no Mundial pela segunda vez, queremos melhorar o que fizemos em 2018 e competir como nunca antes». Godoy concorda: «Vamos dar tudo. Este grupo está unido e faminto por fazer história».

O objetivo realista passa por ultrapassar o grupo. Christiansen vai querer provar que têm a disciplina necessária para evitar a repetição da goleada de 6-1 sofrida em 2018, contra a Inglaterra, que volta a ser adversária no grupo. Uma vaga nos oitavos de final é o sonho. O balneário acredita que é possível.

O SELECIONADOR

Thomas Christiansen, selecionador do Panamá
Thomas Christiansen, selecionador do Panamá

Thomas Christiansen está no comando desde 2020. O dinamarquês começou a sua carreira de jogador na equipa B do Barcelona e passou grande parte dela em Espanha. Brilhou como treinador em Chipre antes de passagens pelo Leeds e pelo Union Saint-Gilloise. O técnico de 53 anos transformou o Panamá numa equipa competitiva, levando-o à final da Gold Cup de 2023, aos quartos de final da Copa América de 2024 e agora ao seu segundo Mundial. «Queremos competir e passar o grupo. A seleção está mais do que preparada», diz Christiansen. A sua equipa não vai ter medo de ninguém.

A ESTRELA

Michael Murillo, Panamá (IMAGO)
Michael Murillo, Panamá (IMAGO)

Michael Murillo é o talismã do Panamá. O lateral-direito do Besiktas, de 30 anos, conta com mais de 90 internacionalizações e já jogou na MLS, na Bélgica, em França e agora na Turquia. Rápido a arrancar, forte no um contra um e uma ameaça na área adversária, será a peça-chave para qualquer sucesso do Panamá. A sua liderança e experiência em ligas de topo fizeram dele um capitão sem braçadeira. Cresceu em Colón, partilhando o quarto com a mãe e os irmãos mas, embora o basebol fosse o desporto favorito da família, escolheu o futebol e quis garantir o sustento dos seus. Sendo agora um tesouro nacional, nunca esqueceu as suas raízes: «Orgulhem-se da vossa família, lutem pela vossa família e acreditem na vossa família», afirma.

JOGADOR A SEGUIR

Kadir Barría, Panamá (IMAGO)
Kadir Barría, Panamá (IMAGO)

Kadir Barría. O poderoso avançado mudou-se para o Botafogo antes mesmo de se estrear pela seleção principal do Panamá. O jovem de 18 anos, natural da Cidade do Panamá, tem velocidade em abundância e faro pelo golo. Somou a sua primeira internacionalização este ano e já é um marcador fiável no escalão principal do Brasil, tendo renovado recentemente o seu contrato com o Botafogo, até 2029. Pouco conhecido fora do Panamá e do Brasil, Barría poderá encontrar a fama neste Mundial — provavelmente vindo do banco.

HERÓI DISCRETO

Aníbal Godoy, Panamá (IMAGO)
Aníbal Godoy, Panamá (IMAGO)

Com mais de 155 internacionalizações — um recorde nacional —, Aníbal Godoy é o membro mais experiente deste plantel do Panamá. Aos 36 anos, continua a ser a pessoa em quem Thomas Christiansen pode confiar para fazer o trabalho sujo: recuperar a bola, cobrir espaços e organizar quem o rodeia. O médio do San Diego não é de agarrar as parangonas, mas o seu esforço permite que outros, como Adalberto Carrasquilla, brilhem. Godoy é altamente respeitado no balneário do Panamá — não seria a mesma coisa sem ele.

XI PROVÁVEL

(5-2-3): Mosquera; Davis, Andrade, Córdoba, Ramos, Murillo; Godoy, Carrasquilla; Díaz, Fajardo, José Rodríguez.

O QUE ESPERAR DOS ADEPTOS NOS JOGOS

«La Marea Roja» (a Onda Vermelha) conta com alguns dos adeptos mais fervorosos da Concacaf. São ruidosos e orgulhosos, mas também respeitadores. Após oito anos de espera por outra oportunidade de ir a um Mundial, vão viajar em massa: a Copa Airlines — que vai transportar a equipa num avião decorado a vermelho e branco — está a disponibilizar voos especiais para os Estados Unidos, Canadá e México. Atenção aos sombreros.

RELAÇÕES COM OS EUA / TRUMP

Tensas, por causa do Canal do Panamá. No ano passado, Trump afirmou: «Vamos recuperá-lo ou algo muito poderoso vai acontecer». Acusou o Panamá de violar o tratado de neutralidade e de permitir a influência chinesa. O governo panamiano rejeitou veementemente as palavras de Trump. Nem Thomas Christiansen nem os jogadores se vão aproximar do assunto, com a federação a priorizar o orgulho nacional. Os adeptos criticaram os preços elevados dos bilhetes e dos transportes nos EUA, mas mantiveram-se, em grande parte, afastados da controvérsia mais ampla. A questão do canal é sensível, mas a seleção nacional vai para jogar futebol, não política.

Textos de José Miguel Domínguez Flores, do Chepebomba.com e do podcast 'Punto Y Pelota Mentira No Es'. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.

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